O candidato do Partido da Causa Operária ao governo do Paraná, Adriano Teixeira (Adriano Funileiro), participou de entrevista à BandNews e apresentou as principais propostas defendidas pelo PCO para o estado. A conversa tratou de emprego, salários, saúde, segurança pública, investimento estatal e da situação do Judiciário brasileiro.
Na abertura, Teixeira explicou que o Partido participa das eleições sem apresentar o processo eleitoral como suficiente para produzir mudanças profundas. A campanha é utilizada para divulgar o programa do PCO e estimular a organização política dos trabalhadores.
“O nosso partido tem um programa e uma forma de pensar as eleições diferente. A gente não tem nenhuma ilusão no processo eleitoral do Brasil hoje. A gente não acredita que vai ser através das eleições que vamos conseguir mudanças estruturais, tanto no governo do Paraná quanto nos outros governos dos estados. A gente usa esse espaço eleitoral, que tem bastante gente envolvida e bastante gente preocupada com a política, para abrir um debate importante, para que a população tenha acesso a um programa verdadeiramente revolucionário. O nosso Partido é um partido revolucionário e coloca no programa aquilo que realmente pode modificar a vida da população e dos trabalhadores.”
O candidato acrescentou que nenhuma transformação depende apenas de quem ocupa o governo. Para Teixeira, os trabalhadores precisam se organizar em torno de suas próprias reivindicações.
“Eu, como candidato, não consigo fazer sozinho absolutamente nada. Quem tem que fazer tudo que é necessário é a população unida, a população organizada, trabalhando junto. Cada grupo de trabalhadores, cada organização, tem que se organizar, reivindicar suas pautas e fazer aquilo que precisa acontecer.”
Ao tratar da situação econômica do Paraná e do endividamento das famílias, Teixeira apontou os baixos salários como um dos principais problemas. Ele apresentou a reivindicação do PCO de um salário mínimo de pelo menos R$7.500,00.
“Nós temos um problema muito grande, não só no Paraná, mas no Brasil inteiro, que é a questão do salário mínimo. Um salário de pouco mais de R$1.600,00 é muito pouco. A população não consegue viver, pagar aluguel, comer, muito menos pagar um hospital. O Partido da Causa Operária defende um salário mínimo de pelo menos R$7.500,00. O endividamento da população acontece justamente por isso. A pessoa não consegue viver com aquilo que recebe e acaba entrando em dívidas, e a situação vai se agravando cada vez mais.”
Teixeira também chamou atenção para a situação de pessoas ocupadas sem carteira assinada ou obrigadas a trabalhar como MEI. Em oposição à ideia de que qualquer ocupação representa emprego em boas condições, defendeu a redução da semana de trabalho para 35 horas como forma de distribuir o trabalho entre mais pessoas.
“Muita gente hoje não está trabalhando com carteira assinada. O governo federal fala que o desemprego está diminuindo, mas esses números precisam ser vistos porque as pessoas estão trabalhando sem carteira registrada, muitas vezes como MEI, trabalhando um dia e no outro não. Nosso Partido defende uma semana de 35 horas. Diminuindo a quantidade de horas de trabalho, você precisa gerar mais empregos. Então, além do aumento do salário mínimo, defendemos a diminuição da jornada para que mais pessoas possam trabalhar.”
Na parte dedicada à saúde, o candidato foi perguntado sobre os casos de dengue no estado. Teixeira defendeu campanhas amplas de prevenção e criticou a destinação de recursos públicos para interesses privados enquanto faltam verbas para os serviços necessários à população.
“Os governos de direita têm um programa diferente de um programa voltado para o povo. Eles defendem as grandes empresas e as privatizações. O Partido da Causa Operária é totalmente contra qualquer tipo de privatização. A gente defende que todo o dinheiro dos cofres públicos do governo do Paraná seja revertido diretamente para a população: saúde, educação, moradia e transporte. Esse dinheiro tem que voltar para a população, e não ir para a mão de banqueiros e empresários.”
A segurança pública apareceu na entrevista a partir dos dados sobre roubos e furtos de celulares no Paraná. Teixeira relacionou a ocorrência desses crimes às condições econômicas e sociais e rejeitou o encarceramento como solução automática.
“Você coloca uma pessoa que roubou um celular na cadeia e o que isso muda? Não muda nada, porque você coloca essa pessoa num sistema carcerário que está totalmente destruído, desumano inclusive. A pessoa muitas vezes entra nessa situação e acaba saindo muito pior. Temos que olhar para o salário, para a população em situação de rua e também para as pessoas em situação de uso de drogas, que é uma questão de saúde.”
Outro tema foi a preparação dos municípios para tornados, enchentes e outros fenômenos meteorológicos. O candidato afirmou que há condições técnicas para prever riscos e preparar as cidades, mas que os recursos públicos deveriam ser direcionados prioritariamente para infraestrutura e proteção da população.
Teixeira voltou a insistir que essas medidas dependem da mobilização popular, e não apenas de decisões tomadas de cima para baixo por governadores ou outros ocupantes de cargos públicos.
Nos instantes finais, levou a discussão para a situação política nacional e denunciou a perseguição ao PCO. Citou a ação da Polícia Filial na residência do presidente nacional do Partido, Rui Costa Pimenta, e defendeu o fim do atual Supremo Tribunal Federal e a eleição dos integrantes do Judiciário.
“O Partido da Causa Operária está sofrendo uma perseguição política muito grande. A Polícia Federal invadiu a casa do presidente do nosso Partido, Rui Costa Pimenta, numa coisa totalmente absurda. A gente tem que colocar em discussão essa questão do Judiciário brasileiro. O sistema está apodrecido. O Partido defende eleição para juízes e o fim do STF. Os juízes têm que ser eleitos, têm que ser pessoas que respondam à população, e não essa casta que está lá em cima e trabalha contra o povo.”
Na entrevista, Adriano Teixeira apresentou os principais pontos que o PCO pretende levar à campanha no Paraná: aumento geral dos salários, semana de 35 horas, combate às privatizações, aplicação dos recursos públicos em saúde, educação, moradia e transporte e eleição de todos os juízes.





