A Polícia Civil do Rio de Janeiro cumpriu nesta quarta-feira (9) cinco mandados de busca e apreensão numa operação contra a venda pela Internet de medicamentos utilizados para provocar aborto.
Segundo a investigação, os produtos eram anunciados em redes sociais e aplicativos de mensagens. As publicações direcionavam os interessados para conversas privadas, nas quais eram combinadas as vendas.
Os investigados são acusados, entre outros delitos, de vender medicamentos falsificados, adulterados ou sem autorização. A polícia também afirma que eram utilizadas diferentes contas, números telefônicos e aparelhos para dificultar a identificação dos responsáveis.
O problema fundamental, no entanto, está na proibição do aborto. Mulheres que decidem interromper uma gravidez são obrigadas a recorrer à clandestinidade, muitas vezes sem acompanhamento médico e sem qualquer garantia sobre a procedência do medicamento utilizado.
A repressão policial não impede que abortos sejam realizados. Torna o procedimento mais perigoso e abre espaço para um comércio clandestino no qual não existe fiscalização sanitária. O aborto deve ser legalizado e realizado com assistência médica adequada.
A operação mostra mais uma vez como problemas sociais e de saúde são entregues à polícia. A mesma orientação sustenta a guerra às drogas, responsável por operações policiais, prisões e mortes sem eliminar o consumo ou o comércio de entorpecentes. Todas as drogas devem ser legalizadas.
No caso dos medicamentos, eventuais falsificações e adulterações devem ser enfrentadas garantindo produtos seguros e atendimento médico, e não mantendo uma proibição que obriga mulheres a procurar soluções clandestinas.




