Em 31 de agosto de 2016, o Senado aprovou o impeachment da primeira e única mulher presidenta do Brasil. Dilma Rousseff foi derrubada não apenas por forças assumidamente conservadoras e de direita, mas também com a participação ativa de mulheres que se diziam e se dizem progressistas e até “socialistas”.
Naquele dia, Dilma discursou no Palácio da Alvorada e destacou o significado do momento: “Hoje, o Senado Federal tomou uma decisão que entra para a história das grandes injustiças. Os senadores que votaram pelo impeachment escolheram rasgar a Constituição Federal. Decidiram pela interrupção do mandato de uma presidenta que não cometeu crime de responsabilidade. Condenaram uma inocente e consumaram um golpe parlamentar.” E alertou: “O golpe não foi cometido apenas contra mim e contra o meu partido. Isto foi apenas o começo. O golpe vai atingir indistintamente qualquer organização política progressista e democrática.”
O que muitos talvez não esperassem é que entre os algozes estivessem mulheres que, uma década depois, seriam apresentadas como progressistas, ministras de um novo governo Lula e apoiadas pelo seu próprio partido como pessoas em quem se deve confiar para representar e defender os interesses do povo.
O PT faz questão de esquecer que, no processo golpista, Simone Tebet foi uma das vozes mais enfáticas. Na tribuna, declarou: “Pelos crimes de responsabilidade fiscal que nos levaram a esta situação e pelas consequências nefastas a esta e às futuras gerações que pagarão essa conta, eu voto sim”.
Marina Silva também foi defensora do impeachment. Com discurso de “preservação da vida” e “defesa da democracia”, recentemente reafirmou sua posição, dizendo que “não se arrepende” de seu voto.
O grande articulador desse apagamento histórico é o próprio presidente Lula. Ele, que sabe como poucos o que é ser derrubado por forças políticas, faz questão de abrigar em seu governo aqueles que votaram contra a presidenta derrubada e estão à espreita para novas iniciativas golpistas.
Pois, como discursou Tebet semanas atrás, na Convenção do PT, “uma vez golpista, sempre golpista”.




