Eleições 2026

Candidato do PCO pega a Quaest no flagra

Adriano Funileiro estava diante de uma entrevistadora quando descobriu que seu próprio nome não havia sido incluído na pesquisa para o governo do Paraná

O candidato do Partido da Causa Operária (PCO) ao governo do Paraná, Adriano Teixeira, o Adriano Funileiro, presenciou no último domingo (6) a exclusão de sua candidatura de uma pesquisa eleitoral. O episódio ocorreu em Paranavaí, enquanto ele almoçava com a família.

Uma entrevistadora da Quaest se aproximou para realizar um levantamento sobre a disputa pelo governo estadual. A família de Adriano aguardou que seu nome fosse apresentado entre os candidatos. A lista terminou e o candidato do PCO não apareceu.

Adriano relatou o ocorrido em suas redes sociais:

“Ontem (domingo 06/09) almoçando com a família, chegou uma moça, pediu licença para fazer uma pesquisa eleitoral dos candidatos do Paraná. Sem imaginar que tinha um candidato ao governo do estado lá, ela começou a pesquisa… minha família ficou esperando meu nome para falar em quem ia votar. Ela falou os nomes e o meu não tinha na pesquisa.”

Os familiares então avisaram à entrevistadora que Adriano era candidato e que sua candidatura estava registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

“Minha família perguntou: ué e o Adriano Teixeira do PCO, a candidatura dele tá registrada no TSE… Eu perguntei: e eu, CADÊ moça? Ela disse: desculpa, eu não sei moço, vou registrar aqui que ta faltando.”

Adriano disputa pela segunda vez o governo do Paraná. Tem 35 anos, é natural de Nova Olímpia, mora em Paranavaí, é formado em História e trabalha com funilaria e pintura de automóveis. Em entrevista à CBN, realizada durante a atual campanha, ele próprio explicou que já havia concorrido à prefeitura e à Câmara Municipal e que esta é sua segunda candidatura ao governo estadual.

Na publicação sobre o ocorrido, lembrou:

“Isso que é a segunda vez que sou candidato ao governo do estado do Paraná, pelo PCO 29.”

Adriano decidiu preservar a trabalhadora que fazia as perguntas e não publicou o nome do instituto em sua postagem.

“Não vou registrar o nome da falsa pesquisa, pra não comprometer a trabalhadora.”

A entrevistadora evidentemente não escolheu os nomes que constavam do questionário. Sua tarefa era aplicar uma lista preparada anteriormente. Ao informar que registraria a ausência de Adriano, ela apenas confirmou que o candidato não havia sido incluído entre as opções recebidas para apresentar aos eleitores.

A exclusão repete o que vem acontecendo nas pesquisas da Quaest ao longo da campanha. Levantamentos feitos em diferentes estados deixaram de apresentar candidatos do PCO mesmo depois da oficialização das candidaturas.

O mesmo ocorreu na eleição presidencial. Na pesquisa Quaest realizada entre 30 de agosto e 1º de setembro, encomendada pela TV Globo e pelo jornal O Globo, o levantamento estimulado divulgado apresentava Lula, Flávio Bolsonaro, Augusto Cury e Renan Santos. Rui Costa Pimenta, candidato do PCO à Presidência, não aparecia entre as opções.

Nas disputas estaduais, a Quaest também realizou levantamentos sem apresentar candidaturas do Partido em estados onde elas já haviam sido anunciadas, como São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Minas Gerais, Pernambuco e Bahia.

Uma pesquisa estimulada pergunta ao eleitor em qual dos nomes apresentados pretende votar. Se uma candidatura não aparece entre as alternativas, aquele eleitor não pode escolhê-la. Depois, os números produzidos são publicados como se representassem a força eleitoral de cada candidatura.

A exclusão ainda alimenta outros mecanismos da campanha. Os resultados dos grandes institutos são utilizados por emissoras e demais órgãos de imprensa para determinar quais candidatos receberão mais cobertura, serão entrevistados ou terão destaque nas discussões eleitorais. A próprio Globo usa como termômetro as pesquisas da Quaest – em que o PCO é o único partido que não aparece.

Primeiro o candidato desaparece da pergunta; depois sua falta de porcentagem serve para reforçar seu desaparecimento da cobertura eleitoral.

Adriano já havia denunciado a dificuldade imposta às candidaturas do Partido. Em entrevista à CBN, afirmou que o PCO praticamente não aparece na grande imprensa e dispõe de condições muito inferiores às oferecidas aos grandes partidos durante a campanha. Defendeu que o período eleitoral seja utilizado como uma tribuna para apresentar o programa do Partido e organizar os trabalhadores.

Na denúncia publicada depois de encontrar a pesquisa, foi direto:

“As eleições no Brasil são o jogo de cartas marcadas. Não tem nada de democrática, o PCO sabe disso e utiliza o período e o pleito pra denunciar justamente a farsa que é tal ‘festa da democracia’.”

O caso de Paranavaí expôs de maneira particularmente clara o mecanismo. Não se tratava de descobrir posteriormente, pela publicação dos números, que um candidato havia desaparecido do levantamento. O próprio candidato estava sentado diante do questionário do qual havia sido retirado.

O PCO apresenta uma chapa presidencial encabeçada por Rui Costa Pimenta, com Antônio Carlos Silva como candidato a vice-presidente. Os materiais de campanha confirmam também Adriano Funileiro para governador do Paraná, ao lado de Zé Carlos, candidato a vice, e Marcelo Marcelino para o Senado.

Adriano começou sua militância no movimento estudantil e participa do Coletivo João Cândido. Sua candidatura defende, entre outros pontos, a dissolução da Polícia Militar e a organização de comitês de autodefesa da população. O material eleitoral paranaense, como o do Partido a nível nacional, também destaca sua defesa da resistência palestina.

O candidato já declarou que sua campanha não é uma iniciativa pessoal, mas uma forma de levar o programa do Partido aos trabalhadores. Em atividade nacional do PCO, afirmou que a própria dificuldade de divulgar candidaturas como a sua demonstra o caráter antidemocrático do processo eleitoral.

O Partido apresenta as seguintes candidaturas aos governos estaduais:

  • Amapá — Jairo Palheta;
  • Amazonas — Lia Palheta;
  • Bahia — Maria Bona;
  • Ceará — Ieri Braga;
  • Distrito Federal — Expedito Mendonça;
  • Goiás — Danilo da Silva;
  • Maranhão — Dimas Cassemiro;
  • Mato Grosso do Sul — Daniel Lemes;
  • Minas Gerais — Henrique Áreas;
  • Paraíba — Camilo Duarte;
  • Paraná — Adriano Funileiro;
  • Pernambuco — Victor Assis;
  • Piauí — Lourdes Melo;
  • Rio de Janeiro — Luan Monteiro;
  • Rio Grande do Norte — Henrique Lyra;
  • Rio Grande do Sul — Cesar Pontes;
  • Roraima — José Clebio;
  • Santa Catarina — Bruno Pedreiro;
  • São Paulo — Izadora Dias.

Os materiais nacionais de campanha confirmam, entre outras, as candidaturas de Izadora Dias em São Paulo, Luan Monteiro no Rio de Janeiro, Henrique Áreas em Minas Gerais, Daniel Lemes em Mato Grosso do Sul, Victor Assis em Pernambuco e Adriano Funileiro no Paraná.

Em Paranavaí, uma dessas candidaturas encontrou uma demonstração prática do bloqueio que o Partido vem denunciando: Adriano Funileiro estava presente, registrado como candidato ao governo e pronto para responder à pesquisa. Quem não estava presente era seu nome no questionário.

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