O Centro de Educação, Pesquisa e Assessoria Sindical e Popular (CEPASP) e a Comuna CEPASP inauguraram, em 29 de agosto, o Memorial da Luta Camponesa do Sudeste e Sul do Pará, na sede das entidades, em Marabá.
O espaço foi organizado para preservar registros das lutas pela terra ocorridas em uma das regiões onde o conflito entre camponeses e latifundiários assumiu formas mais violentas no País.
O acervo reúne mapas dos conflitos agrários, registros do chamado Polígono dos Castanhais e informações sobre áreas conquistadas pelos trabalhadores rurais e posteriormente transformadas em assentamentos.
Há ainda materiais sobre trabalhadores assassinados na luta pela terra, a Guerrilha do Araguaia, massacres ocorridos na região e a atuação da imprensa diante desses episódios. Livros, jornais, fotografias e pesquisas acadêmicas também integram o memorial.
A cerimônia de inauguração reuniu camponeses, índios, professores, estudantes e integrantes de organizações populares. Familiares de trabalhadores assassinados participaram da atividade e recordaram nomes como Dezinho, dirigente sindical morto em Rondon do Pará em 2000, e Zé Cláudio e Maria, assassinados em Nova Ipixuna em 2011.
O CEPASP surgiu em 1984, quando posseiros enfrentavam diretamente latifundiários, grileiros, pistoleiros e forças policiais na disputa pela terra no Pará.
Durante a atividade também foram apresentados dados sobre a permanência dos conflitos agrários. Na área atendida pela Superintendência do Incra de Marabá, mais de 200 fazendas ocupadas estão envolvidas em disputas que abrangem aproximadamente 1,5 milhão de hectares.
O memorial registra tanto os crimes cometidos pelo latifúndio quanto as ocupações, resistências e mobilizações que permitiram aos camponeses conquistar terras na região.





