Moradores do Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, foram às ruas contra a sucessão de operações policiais que transformou a região numa zona de guerra.
O protesto chegou à BR-101, onde os manifestantes ocuparam uma das faixas da rodovia.
Segundo moradores, há quase dois meses veículos blindados da polícia entram praticamente todos os dias na região. As ações ocorrem inclusive nos horários em que crianças saem das escolas.
Tiros, invasões e presença constante de homens armados passaram a fazer parte da rotina das famílias.
A revolta aumentou depois de uma operação na qual policiais entraram na comunidade utilizando automóveis descaracterizados. Três homens perseguidos pelos agentes refugiaram-se numa casa e foram mortos.
A ação ocorreu no fim da tarde, enquanto centenas de estudantes voltavam para casa.
Os moradores organizaram então uma manifestação que saiu da Praça da Árvore, atravessou a Estrada das Palmeiras e chegou à rodovia. Mesmo diante da presença policial e de um caveirão, o ato prosseguiu.
Nas favelas do Rio de Janeiro, a chamada política de segurança significa colocar bairros inteiros sob ocupação militar.
Nenhum suposto combate ao tráfico justifica expor milhares de trabalhadores e crianças a operações armadas praticamente diárias.
A população do Salgueiro tem razão ao se organizar contra essa política.
A atuação da Polícia Militar mostra que não se trata de uma instituição que possa simplesmente ser reformada. Sua função é manter a população pobre sob repressão.
É preciso dissolver a PM e colocar a segurança sob controle direto dos trabalhadores em seus bairros.




