A ativista Isabella Cêpa denunciou ao Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) uma tentativa de fabricar testemunhos contra ela. A notícia-crime, apresentada na quinta-feira (3), inclui conversas atribuídas a Samuel Gonzaga, secretário parlamentar da deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP).
Nas mensagens, um interlocutor identificado como “Samuel” procura a influenciadora Patrícia Lelis e pergunta se ela poderia prestar um depoimento contra Isabella. O material seria enviado ao Ministério Público por meio de um vídeo.
Patrícia pergunta sobre o que deveria falar. O interlocutor responde: “sobre a índole dela, quem ela é” e passa a acusar Isabella de perseguir e drogar mulheres transexuais. Isabella nega as acusações.
A resposta de Patrícia é direta: “não tenho nada pra dizer” e “sei de nada”. Mesmo assim, o interlocutor insiste: “mas isso a gente pode organizar com você”.
Mais tarde, diante de nova negativa, ele passa a indicar o conteúdo do depoimento que Patrícia poderia gravar: “você pode só dizer que conheceu a Isa mto bem, que viu ela usando drogas sabe / Se drogando mesmo, pode dizer que viu ela armando pra perseguirem pessoas trans”.
Material seria usado no Ministério Público
Questionado por Patrícia sobre o destino do vídeo, o interlocutor responde “MP” e “por vídeo”. Em outro trecho, afirma: “meu intuito e dos advogados é ter certeza que vamos fazer ela pagar pelos crimes dela”.
A notícia-crime relaciona o número utilizado nas conversas a Gonzaga, mas pede que o Ministério Público confirme quem é o titular da linha e quem efetivamente a utilizava. A perícia deverá determinar a autoria e a autenticidade do material.
Samuel Gonzaga consta nos registros da Câmara dos Deputados como secretário parlamentar do gabinete de Erika Hilton desde 2 de março de 2026. Índy Montiel, também citada no documento apresentado por Isabella, ocupa o mesmo cargo desde 3 de julho.
A ativista sustenta ainda que outras pessoas foram procuradas para produzir depoimentos contra ela. Por isso, pediu a identificação dos envolvidos, a investigação sobre a origem das acusações e a apuração de uma possível fabricação de testemunhos.
Isabella também solicitou o espelhamento forense do aparelho que contém as conversas e a realização de perícia no material.
Procurado pela Revista Oeste, que revelou a denúncia, o gabinete de Erika Hilton não havia se manifestado até a publicação desta reportagem.




