Os Estados Unidos incluíram, na quarta-feira (26), a Ação Palestina (Palestine Action) em sua lista de organizações terroristas. O grupo, conhecido por promover ações contra empresas que fornecem armamentos ao Estado sionista, passa agora a estar sujeito ao bloqueio de bens e a uma série de restrições financeiras impostas por Washington.
A decisão foi tomada com base na Ordem Executiva 13224, criada para permitir sanções contra organizações e indivíduos acusados de terrorismo. Na prática, bens da Ação Palestina sob jurisdição norte-americana podem ser congelados, enquanto cidadãos e empresas dos Estados Unidos ficam proibidos de realizar determinadas transações ou fornecer recursos ao grupo.
A legislação permite ainda que Washington puna instituições financeiras estrangeiras que mantenham determinadas relações com entidades incluídas na lista.
A medida atinge diretamente uma organização que ganhou projeção no Reino Unido por realizar protestos e ações contra empresas vinculadas à indústria militar de “Israel”. Entre os principais alvos do grupo está a Elbit Systems, maior empresa privada de armamentos do Estado sionista.
A cofundadora da Ação Palestina, Huda Ammori, afirmou à Reuters que as atividades do grupo “sempre tiveram como objetivo salvar vidas ao interromper a máquina de guerra israelense”. Para ela, a decisão do governo Trump segue o caminho aberto pela repressão britânica ao movimento de solidariedade à Palestina.
“O fato de Trump agora estar se inspirando na repressão britânica ao movimento pela liberdade palestina expõe o quão perigosa é essa proibição e deve servir de alerta para qualquer pessoa que se preocupe com a liberdade de expressão e as liberdades civis”, declarou.
Reino Unido abriu o caminho
A Ação Palestina já havia sido proibida no Reino Unido sob a legislação antiterrorismo. Desde então, manifestantes foram presos por declarar apoio ao grupo e participar de mobilizações contra sua proibição.
A decisão britânica ainda é contestada nos tribunais. A Suprema Corte do Reino Unido deverá analisar um recurso contra a classificação da organização como terrorista.
A perseguição ocorre justamente quando os governos imperialistas ampliam a repressão contra movimentos de defesa da Palestina. No caso da Ação Palestina, suas atividades se concentram no combate à participação de empresas britânicas e estrangeiras no fornecimento de equipamentos militares para “Israel”.
Rubio anunciou ofensiva contra a esquerda
Em julho, o secretário de Estado, Marco Rubio, reuniu representantes de mais de 60 países e defendeu que os esforços internacionais de combate ao terrorismo fossem direcionados também contra o que chamou de “terrorismo de extrema esquerda”.
O presidente nacional do Partido da Causa Operária (PCO), Rui Costa Pimenta, havia chamado atenção para o significado da declaração. Pimenta avaliou que o alvo dessa política não seria uma suposta onda de organizações armadas de esquerda, mas movimentos políticos que enfrentam o imperialismo e, em especial, os grupos mobilizados em defesa da Palestina.
A designação da Ação Palestina confirma que esse aparato não ficará restrito a organizações envolvidas em luta armada. Um movimento cuja atividade pública se concentrou em protestos e ações contra fabricantes de armas passou a ser enquadrado por Washington sob sua legislação antiterrorismo.
Sanções atingem outros grupos
Os Estados Unidos também anunciaram sanções contra a Autistici/Inventati (A/I), coletivo sediado na Itália que fornece serviços digitais utilizados por organizações políticas e movimentos sociais.
Washington acusa a entidade de oferecer infraestrutura de comunicação a grupos antifascistas e organizações de esquerda. O Departamento de Estado afirma que esses serviços teriam sido utilizados para compartilhar informações sobre alvos, técnicas de ação e comunicados políticos.
Também foram incluídos na ofensiva o Masar Badil e dois de seus dirigentes, Rawa Alsagheer e Zaid Abdulnasser. O governo norte-americano acusa o movimento de manter relações com a Rede Samidoun de Solidariedade aos Prisioneiros Palestinos, que já está sob sanções dos Estados Unidos.
Ao anunciar as punições, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, afirmou que Washington pretende usar seus instrumentos econômicos contra organizações classificadas pelo governo como pertencentes à “extrema esquerda”.
“Extremistas de extrema esquerda, suas organizações de fachada e seus facilitadores devem estar cientes: vamos empregar todo o peso de nossas ferramentas econômicas”, declarou Bessent.




