Rui Costa Pimenta, presidente nacional do Partido da Causa Operária (PCO) e candidato à Presidência da República, denunciou neste sábado (29), durante o programa Análise Política da Semana, da Causa Operária TV (COTV), o avanço da repressão política e das restrições à liberdade de expressão no Brasil. Durante o programa, Pimenta também analisou a situação eleitoral, a crise política na França, a ofensiva imperialista contra o Irã, o ingresso nas universidades, a segurança pública e a perseguição contra candidatos do PCO.
O dirigente abriu o programa citando uma série de episódios judiciais envolvendo manifestações feitas na Internet e em discussões cotidianas. Pimenta denunciou que decisões desse tipo criam uma situação na qual praticamente qualquer declaração pode resultar em processo, multa ou outras punições, mesmo sem uma proibição legal claramente estabelecida.
“Primeiro, o objetivo disso tudo é estabelecer um clima de intimidação permanente do cidadão comum. Então, tudo que você vai falar tem que ser cuidadosamente pensado porque você pode parar na cadeia por falar alguma coisa banal. […] Nós estamos numa sociedade que está caminhando para uma crise muito profunda. Não só no Brasil, é um fenômeno internacional. O capitalismo está num beco sem saída.”
Pimenta relacionou o crescimento da repressão à crise social. O aumento do desemprego, da miséria e da falta de perspectivas econômicas cria uma situação explosiva, diante da qual o regime procura intimidar a população e impedir sua reação.
O presidente do PCO também mencionou o caso de Luan Monteiro, candidato do Partido ao governo do Rio de Janeiro. Inicialmente excluído de um debate de candidatos de esquerda realizado na Universidade Federal do Rio de Janeiro, Luan compareceu ao encontro e enfrentou tentativas de impedir sua fala.
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Crise eleitoral do PT
Ao analisar a eleição presidencial, Pimenta destacou pesquisas que colocam Flávio Bolsonaro empatado com Lula e, em um dos levantamentos mencionados no programa, à frente do presidente.
Ele apontou como um dos principais erros do PT a tentativa de derrotar Bolsonaro por meio do Judiciário.
“Se o PT perder essa eleição, a culpa é integralmente dele mesmo. Nos últimos quatro anos ou mais, o PT seguiu uma política totalmente equivocada. Vamos enumerar os equívocos aqui. Primeiro equívoco: vamos derrotar o Bolsonaro pela via judicial. […] Nós deixamos claro que perseguir judicialmente os adversários, ou perseguir de qualquer maneira, é uma coisa que em geral é impopular.”
Pimenta criticou ainda a censura na Internet, a chamada frente ampla e a política identitária adotada pelo PT. A aliança com representantes tradicionais do regime político, como Simone Tebet em São Paulo e Eduardo Paes no Rio de Janeiro, aprofundou o caráter situacionista da campanha petista.
“O PT já entrou na eleição com o estigma de que é um partido situacionista, é um partido do sistema. Aí se juntou com toda a bandidagem. O bolsonarismo parece até um negócio limpo perto desse pessoal.”
“Se o PT está ameaçado de perder a eleição, a culpa é exclusivamente da campanha do PT”, concluiu.
França expõe farsa da ‘luta contra o fascismo’
Na análise internacional, Pimenta tratou da eleição francesa e da polarização entre Marine Le Pen e Jean-Luc Mélenchon. O dirigente destacou que os partidos tradicionais entraram em profunda crise e que os setores apresentados como “democráticos” preferem a extrema direita diante da possibilidade de uma vitória da esquerda.
“Então a eleição francesa revela o segredo da luta contra o fascismo. Não é uma luta contra o fascismo, é uma luta contra a esquerda. É uma luta contra a classe trabalhadora. Na hora da decisão, os lutadores contra o fascismo e os democratas vão apoiar a extrema direita contra a esquerda.”
A situação demonstra que o temor fundamental da burguesia é uma mobilização dos trabalhadores desencadeada por uma crise do regime político.
‘Imperialismo não é força libertária’
Pimenta também criticou uma carta em defesa de presos políticos iranianos assinada por personalidades como Angela Davis, Judith Butler e Michael Löwy. O documento coloca a República Islâmica e o imperialismo norte-americano como duas ameaças equivalentes ao povo iraniano.
O presidente do PCO destacou que o Irã está sob agressão dos Estados Unidos e que uma campanha desse tipo, realizada em meio à guerra, favorece politicamente o imperialismo.
“O país está em guerra, o país está sendo agredido pelos Estados Unidos. Seja lá o que você pense do Irã, é óbvio que uma pessoa que luta em defesa dos explorados e dos oprimidos tem que se colocar do lado do Irã contra os Estados Unidos.”
Pimenta lembrou ainda a experiência do Iraque para demonstrar o caráter fraudulento da propaganda imperialista de “libertação” dos povos.
“O imperialismo não é uma força libertária. Você não pode libertar ninguém dentro de um país com a ajuda do imperialismo. Isso não existe.”
Universidade para todos
Outro tema abordado foi a proposta de cotas para pessoas transexuais nas universidades. Pimenta esclareceu que o PCO nunca adotou a política de cotas como programa. Sua proposta é o livre ingresso no ensino superior.
“No que diz respeito à universidade, a nossa política é uma política democrática. O que é? O livre ingresso na universidade, ou seja, universidade para todos, não para esse, para aquele, para aquele outro. Para todo mundo.”
A ampliação do acesso à universidade deve servir para elevar o nível cultural geral da população e contribuir para o desenvolvimento nacional.
Maioridade penal não combate o crime
Pimenta também criticou a redução da maioridade penal. A proposta parte de uma concepção falsa sobre o funcionamento da polícia, do Judiciário e do sistema penitenciário brasileiro.
“As pessoas partem de um mundo que não existe, que é um mundo onde você tem o criminoso, o malvadão, o policial, que é uma pessoa boa, defensor da ordem, um sistema judiciário justo, imparcial, um sistema penitenciário idem. Esse mundo não existe.”
Entregar mais poderes ao aparato repressivo não reduzirá a criminalidade e atingirá principalmente os setores pobres da população, que possuem menos condições de se defender.
Perseguição contra Ric Jones
No encerramento, Pimenta denunciou a tentativa do Ministério Público de impugnar a candidatura de Ric Jones, do PCO. A sentença usada contra o candidato foi anulada e não existe condenação válida contra ele.
“A sentença dele foi anulada. O Ministério Público sabe que a sentença dele foi anulada. Então não haveria nada a fazer, legalmente. Ele não é condenado por nada.”
Pimenta relacionou o episódio à perseguição promovida contra o próprio Partido e denunciou o Ministério Público como uma instituição que atua sem controle efetivo.
“Eles vão atrás das pessoas com um claro intuito persecutório. É uma coisa antidemocrática e ilegal.”
O dirigente defendeu que o PCO denuncie sistematicamente essas operações e a utilização do aparato judicial como instrumento de perseguição política.





