Durante o lançamento das candidaturas do Partido da Causa Operária (PCO) no Rio Grande do Sul, realizado neste sábado (29), em Porto Alegre, Thiago Nilo, candidato a vice-governador, falou sobre o sucateamento da educação, o golpe contra Dilma Rousseff e a luta contra o imperialismo.
Professor de filosofia, Nilo iniciou sua intervenção tratando das condições de trabalho da categoria. Apesar de a educação aparecer constantemente nos discursos eleitorais como solução para os problemas do País, afirmou, os professores continuam recebendo baixos salários e sem os recursos necessários para desenvolver seu trabalho.
“O salário do professor é muito baixo. Quanto aos recursos, ele precisa adquirir material de tecnologia, computador, livros, fazer viagens, pesquisa — então ele precisa de um suporte financeiro para fazer esse tipo de coisa. E isso não é apresentado. É apresentado só no momento de campanha”, afirmou.
O candidato também criticou as promessas feitas durante os períodos eleitorais que depois não se concretizam, citando como exemplo os anúncios de novos institutos federais.
“Eu acho que é uma profissão valorizada simplesmente ao acaso, só quando convém, em algumas circunstâncias”, disse.
‘Democracia parlamentar’ e ditadura do capital
Ao abordar sua formação em filosofia, Nilo afirmou que a dialética marxista o ensinou a questionar o conteúdo escondido por determinadas expressões políticas.
“Se tem uma coisa que a filosofia me ensinou, é justamente a dialética marxista, que ensina que toda tese já traz latente dentro de si a antítese. Então, toda vez que eu escutava a palavra, por exemplo, ‘democracia parlamentar’, isso esconde no seu interior a ditadura do capital.”
Ele aplicou o mesmo raciocínio às expressões “ditadura” e “regime comunista”, utilizadas pela imprensa para se referir a países socialistas, e citou Cuba como exemplo de uma realidade apresentada de maneira invertida pelos grandes meios de comunicação.
Ao tratar do Brasil, lembrou o golpe de 2016 contra Dilma Rousseff.
“Outra expressão que a gente viu com bastante frequência é ‘o impeachment da Dilma’ — só que eles escondem o golpe parlamentar. E parece que dentro do PT também se esqueceu isso. Não se fala mais disso, naturalizou-se isso”, declarou.
Para Nilo, esse apagamento está ligado à política de alianças que leva setores da esquerda a abandonar ou suavizar acontecimentos fundamentais de sua própria história recente.
Palestina e perseguição política
O candidato também rebateu a ideia de que a defesa da Palestina pelo PCO seria um tema distante dos problemas brasileiros.
“O Brasil não vive envolto num plástico-bolha, imune a todas as situações internacionais. Isso não acontece, não é assim que as coisas funcionam.”
Nilo relacionou a atuação do imperialismo no exterior à perseguição política dentro do País e citou a operação contra Rui Costa Pimenta e a perseguição sofrida por Ric Jones.
Também comparou a apreensão de celular e passaporte de Pimenta ao tratamento dado ao jornalista norte-americano Max Blumenthal, do The Grayzone, ao retornar do Irã.
“É engraçado que são duas maquininhas bem interessantes: o passaporte, para ele não viajar; e o celular, para saber quais foram os contatos”, afirmou.
Para o candidato, o método empregado nos diferentes casos revela uma mesma política de repressão contra aqueles que se colocam contra o imperialismo.
‘Por que a esquerda não pode apoiar o Hamas?’
Ao explicar sua aproximação com o PCO, Nilo recorreu a uma lembrança da Copa do Mundo de 1986. Ainda criança, acompanhou o pênalti perdido por Zico e, depois, as críticas dirigidas ao jogador.
“Eu sempre ouvi assim: ‘a culpa é dele, a culpa é dele’. E aí é uma coisa que eu fiquei pensando: mas você tem que ter coragem para fazer isso. Você tem que ter muita coragem para chegar numa Copa do Mundo e estar lá, e bater o pênalti.”
Nilo comparou essa disposição à posição assumida pelo PCO diante da luta palestina.
“E aí me vem à tona qual é a coragem que o PCO tem de apoiar 1.000% o Hamas. É o único partido da esquerda que apoia 1.000% o Hamas.”
Ele lembrou ainda o episódio em que Henrique Simonard, militante do Partido, teria sido impedido de defender o Hamas durante uma manifestação da esquerda.
“Por que a esquerda não pode apoiar o Hamas? Quem é que a esquerda tem que apoiar? Não é só o Hamas, o Irã também.”
“O PCO tem a coragem, dentro da esquerda, de apoiar o Hamas, de apoiar o Irã e de apoiar todos aqueles que combatem o imperialismo”, concluiu.




