O Partido da Causa Operária (PCO) lançou neste sábado (29), em Porto Alegre, suas candidaturas no Rio Grande do Sul para as eleições de 2026. O ato, realizado no Auditório Paulo Freire, do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Porto Alegre, contou com a presença de Rui Costa Pimenta, presidente nacional do PCO e candidato à Presidência da República, além dos candidatos da chapa gaúcha.
César Pontes concorre ao governo do estado, tendo Tiago Nilo como vice. Ric Jones disputa uma vaga no Senado, com Domingos Alessandretti e Abraão Rafael Spritzer como suplentes.
O lançamento fez parte da rodada de atividades realizadas pelo PCO em diferentes estados. No mesmo sábado, outra atividade ocorreu em Fortaleza, com a participação de Antônio Carlos Silva, candidato a vice-presidente na chapa de Pimenta. Em Porto Alegre, o lançamento foi seguido de um almoço e, à tarde, de uma edição da Análise Política da Semana, apresentada por Pimenta.
‘A eleição não é um fim, é um meio’
Professor de história aposentado, César Pontes afirmou que o objetivo da participação do PCO nas eleições é utilizar o período eleitoral para divulgar seu programa e organizar politicamente os trabalhadores. Em sua intervenção, criticou a confiança nas instituições do regime político e defendeu uma perspectiva marxista para a transformação da sociedade.
“A eleição não é um fim, é um meio. E esse meio se presta à divulgação do programa do PCO.”
Pontes também destacou a defesa, pelo Partido, das forças que enfrentam o imperialismo, citando a Palestina, o Hamas, o Hesbolá e o Irã. Para o candidato, a política internacional do PCO está diretamente ligada à luta contra a dominação do imperialismo norte-americano.
Tiago Nilo abordou a situação dos professores, destacando os baixos salários e a falta de recursos para o exercício da profissão. Também criticou a utilização recorrente da educação como promessa eleitoral, enquanto os trabalhadores do setor permanecem submetidos ao sucateamento. Em seguida, defendeu as posições do PCO em apoio à Palestina, ao Irã e às organizações que combatem o imperialismo.
Perseguição política
Boa parte das intervenções tratou dos ataques sofridos pelo PCO e por seus candidatos. Rui Costa Pimenta citou as dificuldades impostas ao Partido para receber o fundo eleitoral, a ausência de seus candidatos em grande parte das pesquisas e da cobertura da imprensa e a operação da Polícia Federal realizada contra sua residência no início da campanha.
No Rio Grande do Sul, Pimenta denunciou o pedido do Ministério Público para impugnar a candidatura de Ric Jones ao Senado. O processo utilizado como fundamento para a medida havia sido anulado, fato apontado pelo dirigente como prova do caráter político da iniciativa.
“Quando o Ministério Público quer impugnar a sua candidatura porque você teria cometido um crime, quando todo mundo sabe que o processo foi anulado, o nome disso é perseguição política, nua e crua.”
Médico obstetra e militante do movimento pela humanização do nascimento, Jones falou sobre sua trajetória política e profissional. Segundo ele, sua atuação em defesa do direito das mulheres de decidir sobre o parto provocou sucessivos conflitos com setores da corporação médica. Ao explicar sua aproximação com o PCO, afirmou ter encontrado no Partido uma disposição semelhante para questionar relações de poder apresentadas como naturais ou imutáveis.
PCO prepara campanha nas ruas
Em sua fala, Rui Costa Pimenta afirmou que o regime político brasileiro atravessa um processo de esgotamento e defendeu que a campanha apresente uma alternativa revolucionária. Entre as medidas citadas pelo candidato estão a reversão das privatizações, o desconhecimento da dívida pública e a estatização do sistema financeiro.
Pimenta encerrou o lançamento chamando militantes e apoiadores a organizar um comitê de campanha no Rio Grande do Sul e intensificar o trabalho nas ruas. Segundo ele, a atuação do PCO não deve ficar restrita à Internet, mas incluir distribuição de materiais e contato direto com a população.
“Nós temos que sair à rua, conversar com o povo, distribuir o material. […] Nós temos que estar nas ruas todos os dias no próximo mês, conversando com o maior número possível de pessoas, distribuindo material.”




