Duas pesquisas nacionais divulgadas nesta semana colocam Flávio Bolsonaro à frente de Lula na simulação de segundo turno. A Gerp, divulgada em 26 de agosto, dá 47% ao senador e 42% ao presidente, diferença acima da margem de 2 pontos; no primeiro turno, 38% a 37%. A Vox Brasil, divulgada neste sábado (29), registra 45,1% e 44,5%, empate técnico dentro da margem de 2,15 pontos, com Flávio subindo 4 pontos e Lula caindo 3 em um mês. Outros institutos ainda dão vantagem ao presidente: o Datafolha de 24 de agosto deu 39% a 33% no primeiro turno e o Indexa/Broadcast, 46% a 41% no segundo. A propaganda de vitória fácil, repetida durante meses pelo PT, acabou.
Flávio Bolsonaro é senador pelo Rio de Janeiro, não construiu liderança própria e chegou à candidatura por ser filho de Jair Bolsonaro. Com o pai na disputa, a distância já seria maior. A acusação que virá depois da apuração, caso Lula perca, se conhece de antemão: a derrota será atribuída aos que se recusaram a subir no palanque petista. O resultado, porém, é obra da política do próprio PT.
O primeiro erro foi entregar aos tribunais a tarefa de derrotar o bolsonarismo. Alexandre de Moraes foi apresentado à esquerda como a última barreira da democracia. Jair Bolsonaro foi condenado, o processo transitou em julgado em 25 de novembro de 2025 e ele cumpre pena desde então, hoje em prisão domiciliar mantida por Moraes por tempo indeterminado. O filho, sem nada da expressão política do pai, agora aparece à frente do presidente da República. Perseguir adversários pela polícia e pelos tribunais produz solidariedade a quem é perseguido, e a luta política que derrotaria o bolsonarismo nunca foi feita.
O segundo erro acompanha o primeiro. O PT abraçou a censura na Internet como bandeira progressista e perdeu a juventude, que passou a identificar o partido com a proibição e o controle da palavra.
O terceiro é a frente ampla. Na convenção de 25 de julho, em Campinas, o PT lançou Fernando Haddad ao governo de São Paulo com Simone Tebet e Marina Silva ao Senado, numa aliança de sete legendas. No Rio de Janeiro, a convenção de 1º de agosto oficializou o apoio a Eduardo Paes, do PSD, que deixou a prefeitura em março e disputa o governo com o respaldo da burguesia carioca.
O Congresso que a militância petista foi às ruas denunciar como inimigo do povo virou parceiro. Em 26 de agosto, no Alvorada, Lula acertou com Hugo Motta e Davi Alcolumbre a pauta do esforço concentrado de 31 de agosto a 4 de setembro, na qual o fim da escala 6×1 entra junto com a PEC da Segurança Pública e a taxa das blusinhas. A maioria no Senado virou meta dos dois campos, e a conta é desigual: para chegar aos 34 aliados, o campo de Lula precisa eleger 27 das 54 cadeiras em disputa, enquanto ao PL bastam 17. As projeções feitas a partir das pesquisas estaduais dão 20 cadeiras ao PL e 10 ao PT a partir de 2027.
Na campanha, a primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, ganhou agenda própria e foi incorporada ao comando pelo presidente do PT, Edinho Silva, para tratar da violência contra a mulher, enquanto emprego, salário, carestia e jornada ficaram fora do centro do discurso. A mesma Gerp mediu 51% de desaprovação ao governo, contra 43% de aprovação.
O registro fica feito antes das urnas. Quando Lula venceu em 2022, ninguém atribuiu a vitória aos que o criticavam pela esquerda. Se a derrota vier, ela terá endereço, e o endereço é o comitê de campanha do PT.





