O governo de Donald Trump anunciou nesta quinta-feira (20) novas sanções contra nove entidades estatais cubanas dos setores de mineração, metais e construção, aprofundando a ofensiva econômica contra a ilha.
A lista inclui empresas de importação controladas pelo Estado e entidades ligadas ao Ministério da Construção. Também foi sancionada a GEOMINSAL, responsável pela exploração e comercialização de minerais cubanos.
Cuba possui depósitos importantes de níquel e cobalto, dois recursos de grande interesse industrial.
Washington atingiu ainda três dirigentes do Instituto Cubano de Amizade com os Povos, organização responsável por desenvolver relações internacionais.
O secretário de Estado Marco Rubio acusou as empresas de ajudar a sustentar o governo cubano e apresentou o instituto como responsável por organizar uma rede internacional favorável à Revolução.
Rubio procurou justificar as medidas alegando que Cuba representa uma ameaça à segurança nacional dos Estados Unidos.
A nova rodada faz parte da política de “pressão máxima” empregada pelo governo Trump para enfraquecer o Estado cubano e provocar uma mudança de regime.
Desde janeiro, Washington intensificou principalmente o cerco ao fornecimento de combustível.
O governo norte-americano interrompeu o fluxo de petróleo venezuelano para a ilha e ameaçou aplicar tarifas a países que continuassem fornecendo combustível a Cuba.
Desde então, segundo as informações publicadas pela Al Jazeera, apenas um petroleiro procedente da Rússia conseguiu atracar na ilha.
Os efeitos são sentidos diretamente pela população.
A falta de combustível agrava os apagões e compromete atividades essenciais. Hospitais, transportes, armazenamento de alimentos e produção industrial dependem de um sistema energético que já enfrenta enormes dificuldades.
Medicamentos e outros produtos fundamentais também se tornaram mais escassos.
Em março, especialistas das Nações Unidas advertiram que a política de restrição ao combustível poderia configurar uma forma ilegal de privação energética.
No mês seguinte, o alto-comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, afirmou que o endurecimento das sanções estava prejudicando principalmente os setores mais vulneráveis da população cubana.
Türk citou o aumento da mortalidade infantil e a queda da sobrevivência entre crianças com câncer e pediu a suspensão das medidas.
Em maio, Trump assinou uma nova determinação permitindo sanções amplas contra pessoas e instituições que Washington acusasse de participar da repressão em Cuba.
As medidas desta quinta-feira foram aplicadas com base nesse instrumento.
O ataque à mineração e à construção possui importância especial.
A mineração permite ao País explorar recursos que podem gerar divisas, enquanto a construção é indispensável à manutenção da infraestrutura, das moradias e de outros serviços fundamentais.
Impedir que essas empresas realizem operações financeiras e comerciais significa atingir diretamente a capacidade de funcionamento da economia cubana.
A ofensiva norte-americana, portanto, não se dirige apenas contra determinadas autoridades.
Quando Washington dificulta a chegada de combustível, atinge o hospital sem eletricidade, o transporte que deixa de circular e os alimentos que não podem ser armazenados adequadamente.
Quando impõe restrições às empresas estatais, procura reduzir os recursos disponíveis para o funcionamento do próprio País.
A administração Trump não esconde o objetivo político.
O presidente já falou neste ano em mudança de governo em Cuba e chegou a mencionar a possibilidade de uma tomada “amistosa” da ilha. Sua administração também procurou pressionar o presidente Miguel Díaz-Canel a deixar o poder.
O caráter imperialista dessa política é evidente.
Uma potência estrangeira utiliza sua força econômica para decidir qual governo outro país deve possuir e procura provocar uma crise interna até conseguir a capitulação de seus dirigentes.
Cuba enfrenta essa pressão norte-americana há décadas. Trump procura agora aumentar o sofrimento econômico da população para obter aquilo que Washington não conseguiu impor diretamente: a derrota do regime surgido da Revolução Cubana.




