86 anos de sua morte

Leon Trótski, organizador da vitória

“Um homem cuja obra e cujos feitos despertarão não apenas o amor, mas também o estudo científico da jovem geração de trabalhadores que se prepara para conquistar o mundo inteiro.”

Neste 21 de agosto de 2026, completam-se 86 anos do infame assassinato de Leon Trótski nas mãos de Ramón Mercader, encomendado pessoalmente por Stálin, o coveiro da Revolução Russa de 1917. O Diário Causa Operária publica, como uma singela homenagem a um dos maiores revolucionários que o mundo já viu, um texto de Karl Radek a respeito da importância de Trótski para a sobrevivência da Revolução de Outubro.

Radek foi um destacado militante e dirigente comunista, tendo participado da Revolução Russa de 1905, da ala esquerda que rompeu com a social-democracia alemã após o início da I Guerra Mundial e da Revolução Alemã de 1918. Foi vice-ministro das Relações Exteriores do governo bolchevique à época da negociação do Tratado de Brest-Litovski. Membro do Comitê Central do Partido Bolchevique e do Comitê Executivo da Internacional Comunista, aderiu à Oposição de Esquerda e foi perseguido por seu apoio a Trótski. Capitulou diante das pressões de Stálin, mas teve o mesmo fim trágico da maioria da direção revolucionária: foi condenado nos Processos (farsescos) de Moscou e morreu em um campo de concentração no início da II Guerra Mundial.

Este texto não é relevante apenas porque foi redigido por um dirigente da Revolução. Reproduzimos a observação que foi feita pelos editores da revista Quarta Internacional (órgão da IV Internacional) na edição de agosto de 1944:

O artigo reproduzido aqui foi publicado pela primeira vez no Pravda em 1923, e uma tradução para o inglês foi publicada naquele mesmo ano no Inprecorr, o boletim de imprensa da Internacional Comunista (Comintern). A avaliação de Radek sobre o papel de Trótski na criação do Exército Vermelho e nas vitórias da guerra civil tinha, portanto, o caráter de uma homenagem oficial de todo o movimento comunista daquela época. Apesar do lamentável destino posterior de seu autor, o artigo conserva essa importância singular. Ele constitui um testemunho do verdadeiro reconhecimento do grande gênio organizador da revolução por toda a geração que lutou ao seu lado. Os esforços da máquina stalinista de falsificação são inúteis. Eles não podem apagar o fato de que “esta página brilhante da história da Revolução Russa estará para sempre ligada ao nome de Leon Davidovitch Trótski”

Uma das características mais notáveis de Trótski era sua capacidade de aplicar sua poderosa inteligência a assuntos nos quais não possuía formação especializada prévia, com tal eficácia criativa que, em um período extraordinariamente curto, não apenas se tornava um especialista neles, mas também era capaz de realizar importantes contribuições novas à sua teoria e prática.

Essa qualidade extraordinária se manifesta de maneira exemplar na arte da guerra, como demonstra o artigo a seguir, que descreve como Trótski criou praticamente do zero o heroico Exército Vermelho que salvou a Revolução da guerra civil e da intervenção imperialista. “Trótski é um dos melhores escritores do socialismo mundial, mas suas qualidades literárias não o impediram de tornar-se o dirigente, o principal organizador do primeiro exército proletário. A pena do melhor publicista da revolução foi reforjada em espada”, diz Radek.

“Para sair vitorioso, era necessário que o Exército fosse dirigido por um homem de vontade de ferro e que esse homem possuísse não apenas a plena confiança do Partido, mas também a capacidade de submeter com sua vontade de ferro o inimigo obrigado a nos servir”, escreve Radak mais adiante, sobre a utilização de especialistas do antigo exército czarista pela Revolução. “Mas o camarada Trótski não conseguiu apenas subordinar à sua energia até mesmo os mais graduados oficiais do Estado-Maior. Conseguiu mais: conquistou a confiança dos melhores elementos entre os especialistas militares e transformou-os, de inimigos da Rússia Soviética, em seus mais profundamente convencidos partidários.”

Segundo Radek, a “energia de ferro de Trótski, que lhe conquistou respeito geral” foi fundamental para essa “vitória sobre o inimigo”, que veio também graças à “profunda força moral e o elevado grau de autoridade, inclusive nos meios militares, que esse escritor socialista e tribuno popular, colocado pela vontade da revolução à frente do Exército, conseguiu conquistar”.

Esse é um dos motivos pelos quais Radek chama Trótski de “eminente representante do proletariado russo”. E complementa: “aqui, a Revolução Russa atuou através do cérebro, do sistema nervoso e do coração de um de seus maiores representantes.”

Radek explica como Trótski inovou ao compreender a importância vital do fator moral para um exército revolucionário de operários e camponeses. Ele soube aplicar o marxismo à arte militar, garantindo a vitória da maior revolução que o mundo já testemunhou.

“Somente um homem que trabalhasse como Trótski, um homem que poupasse a si próprio tão pouco quanto Trótski, poderia falar aos soldados como somente Trótski sabia falar — somente um homem assim poderia ser o porta-estandarte do povo trabalhador armado. Ele reunia tudo isso em uma única pessoa.”

A seguir, apresentamos aos nossos leitores a tradução ao português, realizada por este Diário, do precioso texto de Karl Radek. Desejamos uma boa e proveitosa leitura.

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Leon Trótski, organizador da vitória

Karl Radek, 1923

A história preparou nosso Partido para diversas tarefas. Por mais defeituoso que possa ser nosso aparelho estatal ou nossa atividade econômica, todo o passado do Partido preparou-o psicologicamente para o trabalho de criação de uma nova ordem econômica e de um novo aparelho estatal. A história chegou até mesmo a nos preparar para a diplomacia. Quase não é necessário mencionar que a política mundial sempre ocupou a atenção dos marxistas.

Mas foram as intermináveis negociações com os mencheviques que aperfeiçoaram nossa técnica diplomática; e foi durante essas antigas lutas que o camarada Tchitcherin [NT: o então comissário do povo para as relações exteriores] aprendeu a redigir notas diplomáticas. Estamos apenas começando a aprender o milagre da economia. Nosso aparelho estatal range e geme. Em uma coisa, porém, alcançamos um êxito extraordinário: em nosso Exército Vermelho. Seu criador, sua vontade central, é o camarada L. D. Trótski.

O velho general Moltke, criador do Exército alemão, falava frequentemente do perigo de que a pena dos diplomatas estragasse o trabalho do sabre dos soldados. Os guerreiros de todo o mundo, embora entre eles tenha havido autores clássicos, sempre opuseram a pena à espada. A história da revolução proletária mostra como a pena pode ser reforjada em espada.

Trótski é um dos melhores escritores do socialismo mundial, mas suas qualidades literárias não o impediram de tornar-se o dirigente, o principal organizador do primeiro exército proletário. A pena do melhor publicista da revolução foi reforjada em espada.

A literatura militar marxista era escassa

A literatura do socialismo científico pouco ajudou o camarada Trótski a resolver os problemas com os quais o Partido se deparou quando foi ameaçado pelo imperialismo mundial.

Se examinarmos toda a literatura socialista anterior à guerra, encontraremos — com exceção de algumas obras pouco conhecidas de Engels, de alguns capítulos de seu Anti-Dühring dedicados ao desenvolvimento da estratégia e de alguns capítulos do excelente livro de Mehring sobre Lessing, dedicados à atividade militar de Frederico, o Grande — apenas quatro trabalhos sobre assuntos militares: o folheto de August Bebel sobre a milícia; o livro de Gaston Moch sobre a milícia; os dois volumes de história militar de Schulz; e o livro de Jaurès dedicado à propaganda da ideia da milícia na França.

Com exceção dos livros de Schulz e Jaurès, que possuem grande valor, tudo o que a literatura socialista publicou sobre assuntos militares desde a morte de Engels não passou de mau diletantismo. Mas nem mesmo os trabalhos de Schulz e Jaurès respondiam às questões com que a Revolução Russa se defrontava.

O livro de Schulz examinava o desenvolvimento das formas de estratégia e das organizações militares ao longo de muitos séculos. Era uma tentativa de aplicação do método marxista à pesquisa histórica e terminava no período napoleônico.

O livro de Jaurès — cheio de brilho — demonstra seu completo domínio dos problemas da organização militar, mas sofre de um defeito fundamental: esse talentoso representante do reformismo desejava transformar o exército capitalista em instrumento da defesa nacional e libertá-lo da função de defender os interesses de classe da burguesia.

Por isso, não conseguiu compreender a tendência do desenvolvimento do militarismo e levou a ideia de democracia ao absurdo na questão da guerra, na questão do exército.

Origem da concepção do Exército Vermelho

Não sei até que ponto o camarada Trótski se ocupava, antes da guerra, das questões do conhecimento militar. Acredito que sua extraordinária compreensão desses problemas não tenha vindo dos livros, mas tenha recebido seu primeiro impulso quando atuou como correspondente na Guerra dos Bálcãs, ensaio final da grande guerra.

É provável que tenha aprofundado seus conhecimentos sobre a técnica da guerra e o mecanismo do exército durante sua permanência na França, durante a guerra, de onde enviava seus brilhantes artigos militares ao Kiev Mysl. Pode-se ver nesses trabalhos como compreendia magnificamente o espírito do exército. O marxista Trótski não via apenas a disciplina exterior do exército, o canhão, a técnica. Via os seres humanos vivos que manejavam os instrumentos da guerra; via os homens lançados sobre o campo de batalha.

Trótski é autor do primeiro folheto que apresentou uma análise detalhada das causas da decomposição da Internacional.

Mesmo diante dessa enorme decomposição, Trótski não perdeu a fé no futuro do socialismo. Pelo contrário, estava profundamente convencido de que todas as qualidades que a burguesia procurava desenvolver no proletariado uniformizado para assegurar sua própria vitória logo se voltariam contra a própria burguesia e serviriam não apenas de base para a revolução, mas também para os exércitos revolucionários.

Um dos documentos mais notáveis de sua compreensão da estrutura de classe e do espírito do exército é o discurso que pronunciou — acredito que no Primeiro Congresso dos Sovietes e no Soviete de Operários e Soldados de Petrogrado — sobre a ofensiva de julho de Kerênski. Nesse discurso, Trótski previu o fracasso da ofensiva não apenas por motivos de técnica militar, mas com base em uma análise política da situação do exército.

“Vocês” — e aqui ele se dirigia aos mencheviques e aos socialistas-revolucionários — “exigem do governo uma revisão dos objetivos da guerra. Ao fazê-lo, dizem ao exército que os antigos objetivos, em nome dos quais o czarismo e a burguesia exigiram sacrifícios inauditos, não correspondiam aos interesses do campesinato e do proletariado russos. Vocês não conseguiram uma revisão dos objetivos da guerra. Não criaram nada para substituir o czar e a pátria e, apesar disso, exigem do exército que derrame seu sangue por esse nada. Não podemos lutar por nada, e sua aventura terminará em fracasso.”

O segredo da grandeza de Trótski como organizador do Exército Vermelho reside nessa maneira de abordar o problema.

Todos os grandes autores militares destacam a importância tremendamente decisiva do fator moral na guerra. Metade da grande obra de Clausewitz é dedicada a essa questão, e toda a nossa vitória na Guerra Civil deve-se à circunstância de que Trótski soube aplicar à nossa realidade esse conhecimento da importância do fator moral na guerra.

Quando o antigo Exército czarista se desintegrou, o ministro da Guerra do governo Kerênski, Verkhovski, propôs que as classes militares mais velhas fossem dispensadas, que as autoridades militares na retaguarda fossem parcialmente reduzidas e que o Exército fosse reorganizado mediante a introdução de elementos jovens e novos. Quando tomamos o poder e as trincheiras se esvaziaram, muitos de nós fizemos a mesma proposta. Mas essa ideia era a mais pura utopia. Era impossível substituir o Exército czarista em fuga por forças novas.

Essas duas ondas teriam se cruzado e dividido uma à outra. O antigo Exército precisava ser completamente dissolvido; o novo Exército só poderia ser construído a partir do chamado de alarme lançado pela Rússia Soviética aos operários e camponeses para defenderem as conquistas da revolução.

Quando, em abril de 1918, os melhores oficiais czaristas que haviam permanecido no Exército depois de nossa vitória reuniram-se para elaborar, em conjunto com nossos camaradas e alguns representantes militares dos Aliados, um plano de organização do Exército, Trótski ouviu seus projetos durante vários dias — recordo-me claramente dessa cena — em silêncio. Eram projetos elaborados por pessoas que não compreendiam a transformação que ocorria diante de seus olhos.

Cada um deles respondia à questão de como organizar um exército segundo o velho modelo. Não compreendiam a metamorfose ocorrida no material humano sobre o qual se apoiava o exército.

Como os especialistas militares riram dos primeiros destacamentos voluntários organizados pelo camarada Trótski em sua condição de comissário da Guerra! O velho Borisov, um dos melhores escritores militares russos, assegurava repetidamente aos comunistas com os quais era obrigado a entrar em contato que nada resultaria daquela iniciativa, que o Exército só poderia ser construído sobre a base do recrutamento geral e mantido por uma disciplina de ferro.

Ele não compreendia que os destacamentos voluntários eram os sólidos pilares sobre os quais a estrutura deveria ser erguida e que as massas de camponeses e operários não poderiam ser novamente reunidas sob a bandeira da guerra a menos que as grandes massas se encontrassem diante de um perigo mortal. Sem acreditar por um único momento que um exército voluntário pudesse salvar a Rússia, Trótski organizou-o como o aparelho de que necessitava para a criação de um novo Exército.

Utilizando os especialistas burgueses

Mas o gênio organizador de Trótski e sua audácia de pensamento se expressaram ainda mais claramente em sua corajosa decisão de utilizar os especialistas militares para criar o Exército. Todo bom marxista sabe perfeitamente que, para construir um bom aparelho econômico, ainda necessitamos da ajuda da antiga organização capitalista. Lênin defendeu essa tese com a máxima firmeza em seu discurso de abril sobre as tarefas do poder soviético. Nos círculos mais maduros do Partido, essa ideia não era contestada.

Mas a ideia de que poderíamos criar um instrumento para a defesa da República, um Exército, com a ajuda dos oficiais czaristas encontrou uma resistência obstinada. Quem poderia pensar em armar novamente os oficiais brancos que acabavam de ser desarmados? Assim perguntavam muitos camaradas. Recordo-me de uma discussão sobre essa questão entre os redatores de O Comunista, órgão dos chamados comunistas de esquerda, na qual o problema do emprego de oficiais do Estado-Maior quase levou a uma cisão.

E os redatores desse jornal estavam entre os teóricos e militantes práticos mais preparados do Partido. Basta mencionar os nomes de Bukharin, Ossonski, Lomov e V. Iakovlev. Havia uma desconfiança ainda maior entre os amplos círculos de nossos camaradas militares, recrutados para nossas organizações militares durante a guerra.

A desconfiança de nossos militantes militares só poderia ser vencida, e sua concordância com a utilização dos conhecimentos dos antigos oficiais só poderia ser conquistada, graças à ardente confiança de Trótski em nossa força social; à convicção de que poderíamos obter dos especialistas militares o benefício de sua ciência sem permitir que nos impusessem sua política; à confiança de que a vigilância revolucionária dos operários avançados lhes permitiria derrotar qualquer tentativa contrarrevolucionária feita pelos oficiais do Estado-Maior.

A energia magnética de Trótski

Para sair vitorioso, era necessário que o Exército fosse dirigido por um homem de vontade de ferro e que esse homem possuísse não apenas a plena confiança do Partido, mas também a capacidade de submeter com sua vontade de ferro o inimigo obrigado a nos servir. Mas o camarada Trótski não conseguiu apenas subordinar à sua energia até mesmo os mais graduados oficiais do Estado-Maior.

Conseguiu mais: conquistou a confiança dos melhores elementos entre os especialistas militares e transformou-os, de inimigos da Rússia Soviética, em seus mais profundamente convencidos partidários. Fui testemunha de uma dessas vitórias de Trótski durante as negociações de Brest-Litovsk. Os oficiais que nos acompanharam a Brest-Litovsk mantinham diante de nós uma atitude mais do que reservada.

Cumpriam seu papel de especialistas com a máxima condescendência, convencidos de que estavam assistindo a uma comédia destinada apenas a encobrir uma transação havia muito acertada entre os bolcheviques e o governo alemão.

Mas a maneira pela qual Trótski conduziu a luta contra o imperialismo alemão, em nome dos princípios da Revolução Russa, obrigou todos os presentes na sala de negociações a sentir a vitória moral e espiritual desse eminente representante do proletariado russo. A desconfiança dos especialistas militares em relação a nós desaparecia à medida que se desenvolvia o grande drama de Brest-Litovsk.

Como me recordo claramente da noite em que o almirante Altvater — já falecido —, um dos principais oficiais do antigo regime, que começara a ajudar a Rússia Soviética não por medo, mas por convicção, entrou em meu quarto e disse: “Vim para cá porque vocês me obrigaram a fazê-lo. Não acreditava em vocês; mas agora vou ajudá-los e realizarei meu trabalho como nunca antes, com a profunda convicção de que estou servindo à pátria.”

Uma das maiores vitórias de Trótski foi ter conseguido transmitir a convicção de que o governo soviético realmente lutava pelo bem do povo russo até mesmo a pessoas que haviam passado para nosso lado, vindas de campos inimigos, inicialmente apenas pela força das circunstâncias.

É evidente que essa grande vitória na frente interna, essa vitória moral sobre o inimigo, não foi resultado apenas da energia de ferro de Trótski, que lhe conquistou respeito geral; nem apenas da profunda força moral e do elevado grau de autoridade, inclusive nos meios militares, que esse escritor socialista e tribuno popular, colocado pela vontade da revolução à frente do Exército, conseguiu conquistar.

Essa vitória exigiu também a abnegação de dezenas de milhares de nossos camaradas no Exército, uma disciplina de ferro em nossas próprias fileiras, uma marcha consequente em direção a nossos objetivos; exigiu ainda o milagre de que aquelas massas humanas que ainda ontem fugiam do campo de batalha voltassem hoje a empunhar as armas, em condições muito mais difíceis, para defender o país.

É um fato incontestável que esses fatores político-psicológicos de massa desempenharam um papel importante, mas a expressão mais forte, concentrada e impressionante dessa influência encontra-se na personalidade de Trótski. Aqui, a Revolução Russa atuou através do cérebro, do sistema nervoso e do coração de um de seus maiores representantes.

Quando começou nossa primeira prova armada, contra a Tchecoslováquia, o Partido, tendo Trótski à frente, mostrou como o princípio da campanha política — como já ensinara Lassalle — podia ser aplicado à guerra, à luta com “argumentos de aço”. Concentramos na guerra todas as forças materiais e morais. Todo o Partido havia compreendido essa necessidade. Mas ela encontrou também sua mais elevada expressão na figura de aço de Trótski.

Depois de nossa vitória sobre Deníkin, em março de 1920, Trótski declarou na conferência do Partido: “Devastamos toda a Rússia para derrotar os brancos.”

Nessas palavras encontramos novamente a incomparável concentração de vontade necessária para assegurar a vitória. Precisávamos de um homem que fosse a personificação do grito de guerra, de um homem que se transformasse no toque de alarme, na vontade que exigia de todos e de cada um uma subordinação incondicional à grande e sangrenta necessidade.

L. D. personificava a Revolução

Somente um homem que trabalhasse como Trótski, um homem que poupasse a si próprio tão pouco quanto Trótski, poderia falar aos soldados como somente Trótski sabia falar — somente um homem assim poderia ser o porta-estandarte do povo trabalhador armado. Ele reunia tudo isso em uma única pessoa.

Refletia sobre os conselhos estratégicos dados pelos especialistas e os combinava com uma avaliação correta da correlação das forças sociais; sabia reunir em um único movimento os impulsos de 14 frentes e dos 10 mil comunistas que informavam ao Estado-Maior o que realmente era o Exército e de que maneira era possível operar com ele; sabia combinar tudo isso em um único plano estratégico e em um único esquema de organização.

E, em todo esse esplêndido trabalho, compreendeu melhor do que ninguém como aplicar o conhecimento da importância do fator moral na guerra.

Essa combinação entre estrategista e organizador militar, de um lado, e político, de outro, é melhor caracterizada pelo fato de que, durante todo esse árduo trabalho, Trótski compreendia a importância que Demian Bédni, escritor comunista, ou o artista Moor, responsável por grande parte das caricaturas políticas dos jornais comunistas, cartazes etc., possuíam para a guerra.

Nosso Exército era um exército de camponeses, e a ditadura do proletariado no que dizia respeito ao Exército, isto é, a direção desse exército camponês pelos operários e pelos representantes da classe operária, realizava-se na personalidade de Trótski e nos camaradas que colaboravam com ele. Trótski conseguiu, com a ajuda de todo o aparelho de nosso Partido, transmitir ao exército camponês, esgotado pela guerra, a mais profunda convicção de que combatia por seus próprios interesses.

Inseparavelmente ligado à história

Trótski trabalhou juntamente com todo o Partido na formação do Exército Vermelho. Não teria realizado sua tarefa sem o Partido. Mas, sem ele, a criação do Exército Vermelho e suas vitórias teriam exigido sacrifícios infinitamente maiores.

Nosso Partido entrará para a história como o primeiro partido proletário que conseguiu criar um grande exército, e essa brilhante página da história da Revolução Russa estará para sempre ligada ao nome de Leon Davidovitch Trótski, ao nome de um homem cuja obra e cujos feitos despertarão não apenas o amor, mas também o estudo científico da jovem geração de trabalhadores que se prepara para conquistar o mundo inteiro.

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