A Polícia Filial desencadeou uma operação contra o Partido da Causa Operária sob a acusação de investigar possíveis desvios de recursos partidários e eleitorais e lavagem de dinheiro. A imagem que se pretende produzir é evidente: a de que dirigentes do partido, em especial Rui Costa Pimenta, estariam utilizando os recursos recebidos pelo PCO para benefício próprio.
Há um problema elementar nessa história.
Rui é justamente um dos candidatos presidenciais situados no piso absoluto das declarações patrimoniais apresentadas à Justiça Eleitoral: não declarou bens ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Enquanto a eleição reúne candidatos com patrimônios de milhões e até centenas de milhões de reais, o presidente do PCO aparece com patrimônio declarado de R$0,00.
É contra ele que se procura construir a imagem de um dirigente enriquecido por supostamente desviar dinheiro partidário.
Mas o contraste não termina aí.
O PCO também se distingue dos demais partidos pelo perfil de seus candidatos. Segundo levantamento realizado pelo Poder360 a partir das declarações apresentadas à Justiça Eleitoral, é o único partido que não possui milionários entre seus candidatos. Seus nomes são trabalhadores, estudantes e militantes que levam uma vida muito distante daquela dos grandes empresários e políticos profissionais que predominam nas demais legendas.
https://causaoperaria.org.br/2026/pco-e-o-unico-partido-do-povao-e-nao-dos-milionarios/
Esses dados deveriam ser levados em conta diante da campanha desencadeada contra o partido.
A PF afirma investigar possíveis irregularidades. Sua intervenção, porém, assumiu desde o primeiro momento um caráter incriminatório.
Houve busca na residência do presidente do partido, apreensões e uma grande operação policial acompanhada da divulgação de suspeitas graves. Antes de qualquer julgamento, criou-se diante da opinião pública a impressão de que uma organização criminosa havia sido descoberta.
A entrada dos policiais na casa de Rui, porém, produziu uma cena bastante diferente daquela sugerida pela acusação. Os agentes não encontraram uma mansão.
Rui vivia numa casa alugada e modesta, num bairro popular de São Paulo, nas proximidades de uma favela. Não havia automóveis de luxo, relógios caros, joias, grandes quantidades de dinheiro ou qualquer outro sinal da vida de alguém que estivesse enriquecendo às custas dos recursos do partido.
Havia um carro popular. A casa estava repleta de livros. Até os três HDs levados pelos agentes continham livros, músicas e filmes.
Depois de uma operação destinada a alimentar suspeitas de lavagem e desvio de dinheiro, o cenário encontrado foi o de um homem que vive de maneira absolutamente comum.
A situação chega a ser constrangedora para a própria propaganda construída contra Rui.
Se ele fosse realmente uma espécie de proprietário do PCO que se apropriou durante anos de recursos eleitorais, onde estaria o dinheiro? Onde estão os imóveis? Onde estão os automóveis de luxo? Onde estão as aplicações, as joias, as viagens extravagantes e o patrimônio acumulado?
A busca policial não revelou essa vida de milionário porque ela não existe.
O dado apresentado ao TSE reforça exatamente o mesmo quadro. Rui chegou à eleição presidencial sem patrimônio.
Isso desmonta uma das principais calúnias que circulam contra o PCO desde a operação: a ideia de que Rui teria transformado o partido num negócio particular e embolsaria o dinheiro dos fundos Eleitoral e Partidário.
A tentativa de transformar os próprios militantes e estruturas ligadas ao partido em prova de fraude parte de uma concepção bastante peculiar: aparentemente, para a PF, é suspeito que um partido contrate pessoas e empresas vinculadas à própria atividade política para realizar os serviços de que necessita.
Os serviços existem. As gráficas existem. Os materiais foram produzidos. As campanhas ocorreram. O dinheiro não aparece transformado no patrimônio pessoal de Rui.
É justamente esse último ponto que a campanha contra o partido procura esconder.
A figura que tentam apresentar é a de um dirigente que controlaria pessoalmente os recursos partidários para enriquecer. O homem encontrado pela própria PF vive numa casa alugada e possui um carro popular. A diferença entre a propaganda e a realidade é enorme.
Isso é ainda mais significativo diante do perfil dos grandes partidos brasileiros.
O Congresso está repleto de milionários. Empresários multimilionários financiam campanhas, entram para a política e ocupam cargos públicos. Partidos tradicionais possuem candidatos que acumulam imóveis, empresas e enormes aplicações financeiras.
Nada disso parece provocar o mesmo espetáculo.
A operação foi montada justamente contra um pequeno partido operário e seu presidente, cujo patrimônio é zero.
Não é apenas uma contradição curiosa. Ela ajuda a esclarecer o caráter político da ofensiva.





