
Sim, vamos à luta
Mais uma campanha eleitoral está prestes a começar. Devemos nos preparar para o mesmo tipo de campanha que existe no país há muitas décadas, baseado em pirotecnia, alarmismo, acusações falsas, negativismo etc. Vejo os políticos dizendo tudo o que já foi dito, com os mesmos clichês e ataques pessoais aos demais candidatos. Ao seu lado, dando a eles suporte, existe um exército de ressentidos que agora querem sair do anonimato, falando as velhas tolices. No nosso campo, é claro que teremos que escutar as mesmas lorotas anticomunistas dos anos 60. A educação popular em torno das ideias socialistas é um campo muito difícil, pois temos que nadar contra a corrente da ideologia dominante. Apesar disso, continuamos, pois o tempo continuou sua marcha contínua, o capitalismo já mostra sua falência inconteste, o imperialismo torna evidente sua face autoritária e assassina e os países da periferia, como Irã, China, Rússia — e até o Brasil —, começam a assumir protagonismo no mundo que, lentamente, se torna multipolar.
Apesar disso, uma fração da classe média ressentida sempre vai achar erro nesta trajetória, saudosa do tempo em que os apartamentos já vinham com dependência de empregada e em que os serviços eram baratos porque as pessoas pobres não tinham como negociar o valor do seu trabalho. Esses personagens envelhecidos acreditam que havia virtude no modelo semiescravocrata, determinado pelo berço, em que o sujeito branco e de classe média podia usufruir as benesses de um capitalismo em expansão e em que o emprego ainda crescia. Esse mundo acabou, e essa garotada que tinha dinheiro para ficar em casa tocando guitarra agora tem raiva da nova cara do mundo.
Estes que antes se deleitavam com o ciclo de crescimento capitalista agora percebem, com rancor, a decadência inescapável da sociedade de classes e da propriedade privada dos meios de produção. Um novo mundo precisa nascer, mas o velho teima em permanecer, como alertava Gramsci. Porém, os velhos ressentidos são sempre tristes; já a política deve ser feita de esperança e desejo. É só por isso que resolvi dar a cara a bater e participar de algo que jamais pensei durante toda a vida: concorrer a um cargo eletivo. Meu objetivo é mostrar, no ideário do PCO, sua absoluta vinculação com uma postura antissistema, baseada na necessária ruptura com as velhas amarras do capitalismo, como a sociedade de classes, a opressão do homem pelo homem, a propriedade privada dos meios de produção e os engodos criados pelo imperialismo, como o identitarismo, usados para dividir nossa luta.
Se existe algo realmente diferente nas eleições, por certo poderemos encontrá-lo entre aqueles que abandonaram as ilusões do liberalismo, tanto à esquerda quanto à direita. Não vamos encontrar a ruptura necessária para um novo caminho entre aqueles que há décadas dizem o mesmo e fazem dos ataques, das lacrações e dos ataques pessoais seu principal — por vezes único — discurso.





