Militares ucranianos realizaram em Quieve uma cerimônia à luz de tochas em homenagem a Eugênio Conovalets, fundador da Organização dos Nacionalistas Ucranianos (OUN) e colaborador da Alemanha nazista. O ato foi organizado pelo 3º Corpo do Exército da Ucrânia, formado a partir do movimento Azov.
Os restos mortais de Konovalets foram retirados de um cemitério em Roterdã, nos Países Baixos, e levados à Ucrânia. À noite, o caixão chegou a uma catedral no centro da capital ucraniana em um veículo blindado Austin, da época da Guerra Civil Russa, onde foi recebido por duas fileiras de militares empunhando tochas.
O comandante da unidade, André Bilétsqui, conhecido como “Líder Branco”, exaltou Conovalets e afirmou que os combatentes ucranianos da atualidade deveriam concluir os objetivos pelos quais ele havia lutado.
Conovalets dirigiu a OUN desde sua fundação, em 1929, até ser morto em 1938. Documentos posteriormente tornados públicos mostram que “nacionalistas” sob sua direção forneceram informações à inteligência alemã e participaram de atividades de espionagem e sabotagem contra a União Soviética. Por suas atividades, é nítido que o nacionalismo era pura fachada para encobrir o entreguismo à Alemanha Nazista, como hoje é uma fachada para entregar a Ucrânia à OTAN.
O 3º Corpo, responsável pela homenagem, surgiu do movimento Azov. O antigo Batalhão Azov foi criado em 2014 e utilizado na repressão contra a população do Donbas. Seus integrantes foram denunciados por tortura, estupro, saques e outros crimes por entidades como a Human Rights Watch e a Anistia Internacional.
A cerimônia realizada em Quieve mostra a posição ocupada pelo fascismo no regime ucraniano. Não se trata simplesmente da existência de pequenos grupos nazistas no país. Essas organizações formaram uma das principais forças de choque do golpe iniciado em 2013 e consumado em fevereiro de 2014 com a derrubada do governo de Victor Ianucovich.
Durante o Euromaidan, grupos como o Setor Direita e outras organizações nacionalistas estiveram na linha de frente dos confrontos contra o governo. Foram essas milícias que forneceram a força armada necessária para transformar as manifestações em uma operação de derrubada do regime. Depois do golpe, esses mesmos setores foram utilizados contra a resistência no Donbas e progressivamente incorporados ao aparelho estatal.
O Azov é a expressão mais conhecida desse processo. Surgiu como uma milícia abertamente nazista e terminou incorporado às estruturas militares oficiais do país. O atual 3º Corpo é mais uma etapa dessa transformação.
O regime de Zelensqui não rompeu com essa tradição. Pelo contrário, passou a promover oficialmente figuras históricas do nazismo ucraniano ligadas à colaboração com a ocupação alemã.
A transferência dos restos mortais de Conovalets faz parte do projeto do regime ucraniano de criar um “Panteão dos ucranianos destacados”. Em maio, Quieve já havia promovido o novo sepultamento de André Melnique, outro dirigente histórico da OUN.
Essa política provocou inclusive atritos com a Polônia. O governo ucraniano batizou uma unidade das forças especiais de “Heróis da UPA”, em homenagem ao Exército Insurgente Ucraniano, organização ligada aos massacres de mais de 100 mil poloneses na Volínia entre 1943 e 1945.
Enquanto tudo isso acontece abertamente, a Ucrânia continua sendo apresentada pela imprensa imperialista como um país “democrático”, vítima de uma Rússia simplesmente descrita como agressora.
Essa propaganda procura apagar a própria origem do regime. Os grupos nazistas e de extrema direita foram fundamentais para o golpe de Estado e permanecem até hoje como parte de sua sustentação política e militar. Zelensqui governa sobre o Estado criado a partir desse processo.
A falsificação encontrou apoio também entre liberais que se apresentam como integrantes da esquerda. Setores identitários que denunciam “fascismo” em quase toda manifestação política que não se enquadra na lógica identitária trataram a Ucrânia como representante da democracia e dos chamados valores ocidentais. Figuras como Djamila Ribeiro chegaram a reproduzir elogios ao regime, contrapondo-se à Rússia. PSTU e PSOL dizem até hoje que o golpe nazista foi uma revolução.
Mas não poderia ser diferente, uma vez que foram aqueles mesmos liberais “progressistas” que colocaram os nazistas no poder. O Euromaidan foi financiado e preparado por um longo tempo pelas ONGs de George Soros, o Partido Democrata esteve presente em sua organização e o golpe ocorreu sob os auspícios do governo Obama.
É claro que esses democratas fecham os olhos e não dão um pio quando ocorrem manifestações públicas das organizações nazistas ou homenagens aos colaboradores de Hitler.




