Imprensa

Jornalão que mama no governo acusa falsamente o PCO

Estadão, como de costume, mente e cria factoides contra o Partido da Causa Operária

Estadão

O Estadão, um jornal que há mais de um século chafurda na lama, se dignou a escrever um editorial, Partido político é negócio da China, nesta segunda-feira (17), para atacar o Partido da Causa Operária (PCO).

Segundo o jornalão, “o sistema político-partidário brasileiro produz situações difíceis de explicar ao contribuinte. Por exemplo, ficamos sabendo há poucos dias que uma legenda sem representação no Congresso, sem prefeitos e governadores e que faz apenas figuração em disputas eleitorais recebe R$ 3,3 milhões de dinheiro público para financiar suas atividades irrelevantes”.

Por falar em situações difíceis de explicar aos contribuintes e em irrelevâncias, em 23 de junho de 2014, de acordo com o sítio Portal da Transparência (veja o link), o Estadão recebeu do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação a bagatela de R$555.000,00 como patrocínio de um mísero seminário. Esse valor equivale, corrigido, a aproximadamente R$1,074 milhão em julho de 2026.

O Estadão representa o que há de mais reacionário no País. Apoiou a ditadura militar, é contra a escola e a saúde públicas, participou da trama do Mensalão e da Lava Jato, apoiou o golpe de 2016, que devolveu milhões de brasileiros à fome, à miséria e ao desemprego, e ainda costuma promover o golpista Michel Temer em suas páginas.

De 2014 para cá, o Estadão já recebeu, apenas do governo federal, R$21.995.028,66. Obviamente, se forem corrigidos os valores ano a ano, a soma real supera em muito os quase R$22 milhões. Quanto esse jornal já mordeu de dinheiro público se forem somados também os recursos de estados e municípios?

O fato de o PCO não ter representação no Congresso se deve, entre outras coisas, ao fato de que, além de o Partido não ter ilusões no parlamento e considerar que as mudanças só podem vir das lutas populares, é praticamente impossível eleger candidatos com os parcos recursos que recebe. A legenda também não tem tempo na televisão, e o TSE reiteradamente cria regras que dificultam a vida dos partidos pequenos.

A verba que o PCO recebe é dividida entre duas centenas de candidatos. É a menor verba entre todos os partidos do Brasil, e é feito um verdadeiro milagre diante da quantidade de materiais produzidos com esses recursos.

O Estadão, que, apesar de ser um jornal e ter a obrigação de estar informado, escreve que só ficou “sabendo porque Rui Costa Pimenta, o dono da tal legenda, o Partido da Causa Operária (PCO), virou alvo de investigação da Polícia Federal sob suspeita de desvio dos recursos públicos que o partido recebe – o dinheiro teria circulado entre integrantes da própria sigla e seus familiares” [grifo nosso].

Além de mal informado, o jornalão é também malicioso. Ao dizer que Rui Costa Pimenta seria dono do Partido, revela bem a essência de uma imprensa que sempre serviu mais para embrulhar peixe e como latrina de animais domésticos do que para informar a população.

A grande imprensa — grande apenas no tamanho — sabe muito bem como transformar “suspeitas” em condenações. Mas sabe, principalmente, acobertar criminosos quando é de seu interesse.

É preciso destacar esse tipo de frase: “o dinheiro teria circulado entre integrantes da própria sigla e seus familiares”. Esse é o modus operandi daqueles que ajudaram a criar as farsas judiciais no País que desaguaram na condenação e na prisão de pessoas como José Dirceu, Delúbio Soares, José Genoíno e Luiz Inácio Lula da Silva.

A questão do dinheiro

Segundo o Estadão, “apesar de ter lançado centenas de candidatos ao longo das últimas três décadas, teve apenas uma vitória nas urnas, ao eleger um vereador, em 2004, no interior do Amazonas. Insistente, o sr. Rui Costa Pimenta disputa a Presidência da República pela quarta vez – e em todas as anteriores terminou na última colocação. Na mais recente, em 2014, obteve 0,01% dos votos válidos”.

Para um jornal que parece respirar melhor em meio a ditaduras, é compreensível que cause incômodo a “insistência” do PCO em lançar candidato à Presidência, algo que constitui um direito democrático.

Adiante, o editorial, inconformado, diz que “nada disso impede o PCO de receber dinheiro do Fundo Eleitoral. Pela lei, 2% de toda a verba é dividida igualmente entre os partidos registrados no Tribunal Superior Eleitoral, independentemente do tamanho de suas bancadas. Como nos últimos anos esse bolo cresceu vertiginosamente, inflado pelo Congresso, até mesmo uma legenda sem representação parlamentar fica com alguns milhões de reais”.

A insistência em falar em “uma legenda sem representação” é uma maneira indireta de atacar o financiamento dos partidos menores. Dessa maneira, sobraria mais dinheiro para os maiores e os demais ficariam praticamente invisíveis. Os grandes partidos ganhariam duas vezes, e o sistema se tornaria ainda mais elitizado.

Para se ter uma ideia de quão “democrática” é a distribuição de verbas entre os partidos, o PL vai receber nesta eleição R$881,66 milhões, 284,4 vezes mais do que o PCO. O PT vai receber R$615,37 milhões, 198,5 vezes mais.

O Estadão, que pertence ao PIG (Partido da Imprensa Golpista), vem recebendo algo em torno de R$1.833.000,00 por ano do governo federal. E, apesar de falar do PCO e atacar pessoalmente Rui Costa Pimenta, a família Mesquita, controladora do jornal, é bilionária e continua mamando nas tetas públicas.

Recentemente, em 2024, o grupo captou R$214,5 milhões no mercado, provenientes de algumas empresas, além de outros R$15 milhões de membros da família. Entre os investidores estão três dos maiores bancos do País: Itaú, Bradesco e Santander. Pode-se ver por aí quais interesses o jornalão defende — e certamente não são os da população.

O editorial diz que o “financiamento público das campanhas foi criado em 2017, depois que o Supremo Tribunal Federal proibiu as doações empresariais. A intenção foi colocar um fim à captura do processo político pelo poder econômico”. O problema, para a burguesia, é que esse tipo de financiamento acaba proporcionando uma relativa autonomia política aos parlamentares do centrão. Em sistemas como o dos Estados Unidos, o financiamento privado de campanhas coloca os políticos eleitos diretamente a serviço de lobbies, como o sionista.

O Estadão reclama que o financiamento público aparece “sob o argumento de que ‘a democracia custa caro’, na definição do deputado Vicente Cândido (PT-SP) ao apresentar seu relatório sobre a emenda constitucional que criou o financiamento público de campanhas. Ora, nada disso justifica que o contribuinte seja obrigado a bancar partidos com os quais não têm nenhuma afinidade, mas é exatamente o que acontece hoje”. E por que o contribuinte tem que financiar um jornal que não vale a pena ler? Se é apenas para embrulhar peixe ou forrar o banheiro do cachorro, ficaria muito mais barato comprar somente o papel.

No meio de seu editorial mentiroso, como de costume, está dito que “é nesse festim que entram partidos como o PCO, uma empresa privada criada para sustentar seu dono. O pretexto de ‘defender um programa revolucionário e socialista’, que se lê no manifesto do partido, serve apenas como diversão. Na prática, o partido existe só para receber dinheiro público, rigidamente controlado pelo centralismo democrático do sr. Pimenta”.

Festim é o governo federal gastar quase R$22 milhões para sustentar um bando de parasitas que enriqueceram lambendo as botas de ditadores e torturadores e chegaram a elogiar assassinos como Adolf Hitler. São, nesse sentido, cúmplices de inúmeros crimes políticos e, ainda assim, sempre encontram tempo para acusar, sem provas, aqueles que os contrariam.

Hipocritamente, o texto finaliza dizendo que “quem abre uma firma precisa investir, pagar impostos, contratar funcionários e disputar mercado com a concorrência – e mesmo assim não sabe se terá algum lucro. Já quem abre um partido político – seja ele comunista revolucionário ou capitalista selvagem – não precisa nem ganhar eleição para garantir sua prosperidade”.

Não é o que ocorre com o Estadão, uma imprensa venal que vive mamando do dinheiro público. Isso, sim, é um “negócio da China”.

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