A Polícia Federal cumpriu, na manhã dessa terça-feira (11), mandado de busca e apreensão contra Rui Costa Pimenta, presidente nacional do PCO e candidato à Presidência da República. Agentes armados chegaram às 6 horas, arrombaram o portão da casa alugada onde ele mora, no Jabaquara, e entraram em um escritório vazio, em outro endereço. Levaram o celular e o passaporte. A ação foi deflagrada três dias depois do lançamento público da candidatura presidencial.
O inquérito trata de serviços contratados junto a três empresas gráficas ao longo de cinco anos, somando R$ 1,8 milhão. O Metrópoles, que, de maneira suspeita, noticiou o caso em primeira mão, falou em “contratos milionários”, embora não exista um único contrato de R$1 milhão. Bruno Covas gastou R$1.848.718,19 apenas em material impresso na campanha à Prefeitura de São Paulo em 2020. O que a operação demonstra é que o Partido faz campanhas espartanas.
O horário cumpre uma função própria. A Constituição proíbe a invasão de domicílio durante a noite, e a corporação se acomoda no limite do que a lei permite para repetir o método do DOI-CODI, como fez na Operação Lava Jato e no inquérito das fake news.
A busca e apreensão se encaixa em um conjunto de medidas. A Quaest retirou Pimenta de suas pesquisas presidenciais e apagou os candidatos do Partido aos governos de São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Minas Gerais, Pernambuco e Bahia. Na rodada divulgada em 5 de agosto, o instituto manteve nomes que marcaram 0% e vetou o único candidato que já disputou quatro eleições presidenciais. Nos debates, a escolha dos participantes cabe às emissoras privadas de televisão, que decidem de antemão quem o eleitor conhecerá e nunca convidam os candidatos do PCO.
No TRE-SP, o diretório estadual do Partido segue suspenso por causa de contas de 2016. O Partido apresentou a documentação e pagou os valores cobrados, mas o relator, desembargador Roberto Maia, não decidiu sobre o levantamento da suspensão a poucos dias do prazo de registro das candidaturas, em 15 de agosto. Uma pendência de quase dez anos serve para inviabilizar candidaturas no maior colégio eleitoral do País.
Somem-se a isso as dezenas de representações apresentadas pela Conib e por outras entidades do lóbi sionista, além dos inquéritos por terrorismo e racismo abertos a partir da defesa da resistência palestina e da denúncia do genocídio cometido por “Israel” em Gaza.
Todos esses movimentos respondem ao mesmo interesse. A classe dominante não admite a existência de um partido revolucionário em atividade, dedicado a organizar os oprimidos para derrubar o regime dos opressores. A perseguição acompanha a história dessas organizações: os escravos rebelados da Roma Antiga, os cristãos primitivos, os camponeses da Europa Medieval e os partidos proletários surgidos a partir do século XIX enfrentaram a repressão dos que detinham a propriedade e o Estado.
“Durante a vida dos grandes revolucionários, as classes opressoras os perseguem constantemente, recebem suas doutrinas com o ódio mais feroz, a mais furiosa campanha de mentiras e calúnias”, escreveu Lênin – que sofreu forte perseguição junto a centenas de militantes bolcheviques, em uma de suas obras máximas, O Estado e a Revolução.
Em um período de crise do regime, quando as instituições perdem autoridade diante da população, a atividade cotidiana de um partido assim encontra ouvidos entre os explorados. A operação policial, o veto dos institutos de pesquisa e o entrave do tribunal eleitoral respondem a esse perigo. Defender o direito do PCO de existir e disputar eleições interessa a todos os que pretendem preservar alguma liberdade política no País.





