Em seu artigo O ressurgimento do socialismo, publicado no sítio A Terra é Redonda na quinta-feira (6), Claudio Katz diz que “impulsionado pelas falhas do neoliberalismo e abraçado por uma nova geração livre das amarras da Guerra Fria, o projeto anticapitalista ressurge como alternativa urgente à barbárie plutocrática e ambiental”.No entanto, não se trata de alguma falha do neoliberalismo, mas da realização daquilo que ele se propõe a fazer: um genocídio econômico.
O imperialismo, com o aprofundamento de sua crise inevitável, avançou sobre a economia mundial e produziu um saque sem precedentes para tentar manter a lucratividade do capital. Para isso, destruiu setores industriais inteiros, promoveu guerras de rapina e o empobrecimento generalizado pelo mundo, o que tem gerado revoltas cada vez maiores.
Segundo Katz, “o socialismo é uma antiga aspiração dos militantes populares que lutam pela construção de uma sociedade de igualdade e justiça. É um projeto situado no polo oposto ao capitalismo e que tem a ambição de erradicar os sofrimentos sociais, as tragédias bélicas e a destruição do meio ambiente geradas por esse sistema. Sua prioridade é reverter a tremenda desigualdade contemporânea, por meio de políticas de expansão da propriedade pública e da autogestão popular. Este projeto começou a recuperar força em diferentes cantos do planeta”.
Essa definição, no entanto, não abarca de verdade a questão. O socialismo não é apenas uma aspiração, trata-se de uma doutrina. Com o materialismo dialético de Marx, o proletariado recebeu uma poderosa ferramenta para entender a sua situação de escravidão dentro do regime capitalista e como superá-la.
Nesse sentido, não se trata de “reverter” a desigualdade, mas de derrotar e expropriar a burguesia e extinguir as classes sociais, a base para haver exploração.
Confusões
Lênin já havia dito que sem teoria revolucionária não há prática revolucionária. Isso fica a cada dia mais patente. O texto de Katz tem uma série de erros que só podem levar à derrota da classe trabalhadora.
Apenas uma teoria revolucionária é capaz de impedir que se deixe levar pelas aparências ou por experiências que jamais poderão levar ao socialismo ou à derrota da burguesia.
Muito se tem falado dos Estados Unidos, pois, segundo o autor, “o novo prefeito de Nova Iorque, Lorenzo Mamdani, não esconde sua adesão ao socialismo, e essa identificação é compartilhada pelos jovens que o apoiam. Tanto as sondagens como a impressionante série de vitórias da corrente socialista do Partido Democrata (DSA) confirmam essa simpatia. São vitórias que se estendem a várias cidades do país, canalizando uma crescente reprovação aos bilionários do setor digital, que enriquecem à custa da precarização que sofrem os trabalhadores”.
No entanto, Mamdani já demonstrou que não passa de um gestor da coisa pública, tentou aumentar o orçamento para a polícia de Nova Iorque e foi por isso criticado pelo DSA, de quem está se afastando.
É absurda a ideia de que “o socialismo ressurge em estreita conexão com novas versões das antigas experiências municipais. Existe uma tradição centenária neste assunto, que volta a funcionar como laboratório do poder popular. Esta centralidade é verificada atualmente nos sucessos eleitorais da esquerda em cidades importantes”.
Se a ideia do socialismo em um só país já havia sido corretamente refutada, o que dirá de socialismos municipais? Para Katz, as experiências latino-americanas, como o orçamento participativo de Porto Alegre, seriam um ponto de partida para conquistar o governo e, posteriormente, disputar o poder econômico, político, judiciário, militar e midiático. Ou, nas palavras do autor: “estas experiências levam a rever o modelo da ‘Viena Vermelha’, que foi concebido pelo austromarxismo no início do século XX como um elo da estratégia para conquistar o Estado. No cenário atual, esses nexos remetem à proposta socialista de chegar ao governo pela via eleitoral, para, a partir daí, disputar o poder efetivo”.
Apostar na via eleitoral para implementar o socialismo é o mesmo que acreditar em contos de fadas.
O argumento central do texto é que o fracasso do neoliberalismo, a crise do capitalismo, o fortalecimento do planejamento estatal, a ascensão de novas gerações e algumas experiências políticas recentes estão criando condições para que o socialismo volte a ser uma alternativa política concreta.
Há quase 90 anos, em seu Programa de Transição, Trótski já havia dito que “as premissas objetivas da revolução proletária não apenas amadureceram, como já começaram a apodrecer. Sem a revolução socialista no próximo período histórico, toda a civilização humana está ameaçada por uma catástrofe. Tudo depende do proletariado, isto é, em primeiro lugar, de sua vanguarda revolucionária. A crise histórica da humanidade reduz-se à crise da direção revolucionária”.
Trótski estava certo ao falar em catástrofe. A burguesia vem atirando sobre as costas da classe trabalhadora mundial a sua crise. O neoliberalismo tem provocado um verdadeiro genocídio. As guerras já destruíram países inteiros, como a Iugoslávia, a Síria e a Líbia.
No entanto, a reação também se apresenta na forma de revoltas populares, como na Venezuela, Bolívia, dentre outros; bem como o enfrentamento militar, como no Afeganistão, Iêmen, Líbano, Ucrânia e Irã. Estes dois últimos têm provocado derrotas sem precedentes para o imperialismo. Os iranianos impuseram uma derrota humilhante quase comparável à do Vietnã.
Enquanto o mundo pega em armas contra o imperialismo, não cabe ficar falando em conquistar prefeituras pelo voto, isso não faz o menor sentido.
A questão do socialismo depende de uma direção consciente, pois as condições objetivas estão aí. A aposta no “socialismo democrático” é apenas uma maneira de refrear, adiar, ou mesmo tentar derrotar a luta pela tomada do poder da revolução socialista.
Enquanto o mundo pega em armas contra o imperialismo, não cabe ficar falando em conquistar prefeituras pelo voto, isso não faz o menor sentido.
A questão do socialismo depende de uma direção consciente, pois as condições objetivas estão aí. A aposta no “socialismo democrático” é apenas uma maneira de refrear, adiar, ou mesmo tentar derrotar, a luta pela tomada do poder da revolução socialista.




