Eleições 2026

MES-PSOL: luta antifascista ou apelo eleitoreiro? – Parte 1

Na falta de um programa que realmenete defenda os interesses da classe trabalhahaadora, a esquerda pequeno-burguesa apela para a luta “antifascista”

Fascismo

O editorial A importância estratégica da eleição brasileira para a situação internacional, assinado por Isael Dutra e publicado no sítio Revista Movimento, ligado ao MES-PSOL nesta sexta-feira (7), além do tradicional eleitoralismo que tomou a maioria da esquerda, revela uma mudança de postura.

Há não muito tempo, a esquerda eleitoreira prometia lutar pelos direitos dos trabalhadores, crescimento econômico, um projeto de futuro, etc. Hoje, após quase 20 anos do Partido dos Trabalhadores na presidência, e com o choque da realidade: a constatação de que pouco ou nada foi feito, passaram a prometer coisas abstratas.

De acordo com o olho do texto, “uma vitória de Lula e o crescimento do PSOL serviriam como pontos de apoio para coordenar um movimento antifascista internacional, combinando a luta contra a extrema direita mundial com a defesa da soberania dos povos.” Uma proposta dirigida à classe média, pois não tem a menor chance de mobilizar a classe trabalhadora.

Colaboração de classes

Do ponto de vista da política internacional, são as democracias liberais (o imperialismo) que se apresentam como uma força que eventualmente se oporia à extrema direita. Na França, Marine Le Pen enfrenta a justiça; o mesmo ocorre na Alemanha, onde a AfD enfrenta uma política de bloqueio que não encontra nenhum respaldo legal.

Participar de um suposto “movimento antifascista internacional” colocará a esquerda a reboque do imperialismo, o que não passa de uma política de colaboração de classes.

Essa tendência capituladora não é uma exclusividade do MES, já foi proposta também pelo grupo Esquerda Online, do PSOL.

Na opinião de Dutra, “de todos os processos e fenômenos geopolíticos, sociais e eleitorais que o mundo atravessa, a eleição brasileira merece um lugar muito especial.” É claro que, pelo tamanho e importância do Brasil, as eleições acabam sendo importantes. No entanto, para o trabalhador, o sentimento é de que as eleições não mudam nada. As famílias seguem se endividando, o sistema de saúde se deteriora a olhos vistos, o emprego está a cada dia mais precarizado e sem perspectiva de melhoria. E é isso que tem empurrado muitos trabalhadores a votar em outros candidatos, pois enxergam o PT e a esquerda como sendo o sistema.

A “luta internacional”

O MES diz que “enquanto a extrema direita semeia um projeto internacional com traços neofascistas, disputando o sentido de futuro, defendendo o genocídio em Gaza, a disputa eleitoral brasileira ganha contornos estratégicos. Trump precisa avançar com o projeto da nova Estratégia de Segurança Nacional, batizada “Donroe”, uma vez que sofreu uma importante derrota no Oriente Médio, a partir do que está se consolidando como fracasso da agressão militar contra o Irã.” O que seria exatamente uma “disputa pelo sentido de futuro”? Isso aí ajuda a pagar as contas? É uma conversa completamente vazia de conteúdo que, no máximo, pode atrair uma pequena burguesia universitária, quando muito.

O genocídio em Gaza foi apoiado não apenas pela extrema direita, mas pelas democracias liberais, que financiam e abastecem “Israel”, além de fornecerem apoio logístico e de inteligência. Talvez Dutra tenha se esquecido, mas Joe ‘Genocida’ Biden deu amplo apoio ao massacre e, por limitado que tenha sido, foi Donald Trump quem negociou o cessar-fogo.

A derrota no Oriente Médio não é apenas de Trump, mas do imperialismo de conjunto, pois as democracias liberais apoiaram e participaram dos ataques iniciais na guerra de agressão contra o Irã. O presidente dos EUA, apesar de ser um criminoso, vem sendo utilizado como espantalho para esconder criminosos ainda piores.

Política imperialista

O editorial diz que “Trump representa um imperialismo em declínio, porém mais agressivo, disputando áreas de influência com o imperialismo chinês emergente.” O que o texto não diz é que o imperialismo é formado pelos Estados Unidos, Alemanha, França, Reino Unido e Japão, as democracias antifascistas. Ao mesmo tempo, classificar a China, um país que vem sofrendo sanções e cerco do grande capital internacional, de imperialismo “emergente”, é fazer a política do imperialismo.

Tanto a China quanto a Rússia são os principais inimigos do imperialismo. Classificar esses países como imperialistas é uma maneira de retirar apoio da esquerda, o que só pode interessar às “democracias liberais”, que dominam a economia mundial.

Qual país a China está invadindo ou bombardeando? Mesmo a Rússia, que está em guerra na Ucrânia, só iniciou sua operação especial após ser cercada e ameaçada pela OTAN.

A extrema direita latina

O artigo diz que o imperialismo “ativa uma corrente neofascista com peso de massas e que atua de forma sincronizada, tendo em Milei seu referente regional. Depois de conquistar vitórias eleitorais, controversas por sinal, no Peru e na Colômbia, Trump e Milei querem derrotar a todo custo Lula em outubro. Além de seguir a tutela na Venezuela, o acosso sobre Cuba, a mudança do governo brasileiro, pintando o maior país do mapa sul-americano de azul, é um objetivo estratégico para o trumpismo.”

Dutra reduz o imperialismo ao trumpismo, ocultando seus sócios. As manipulações das eleições na América Latina seguem crescendo desde pelo menos 2009, com o golpe em Honduras, e o presidente dos EUA à época era Barack Obama, o Nobel da “Paz”, quem também tramou o golpe de 2016 e ajudou a eleger Jair Bolsonaro.

A extrema direita na América Latina serve apenas como um cão raivoso que o imperialismo atira contra os trabalhadores para defender seus interesses, diferente do que está acontecendo na Europa, onde a extrema direita no momento está em choque com o grande capital.

É preciso lembrar que, apesar de falar em “tutela da Venezuela”, Lula não reconheceu as eleições na Venezuela e vetou a entrada do país no BRICS. O MES-PSOL, por sua vez, qualificou o regime de Nicolás Maduro na Venezuela como uma ditadura, além de utilizar termos como “autoritário”, “totalitário” e “neo-estalinista” para descrever o seu governo.

Continua…

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