A Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) está reforçando seu dispositivo militar ao redor da Rússia. Caças foram enviados à Romênia, aviões de reconhecimento passaram a operar nas proximidades do território russo e grandes exercícios aéreos e navais foram realizados nos últimos meses no flanco oriental da aliança.
No fim de julho, a Espanha deslocou para a Romênia sete caças F-18M Hornet, um avião-tanque A400M, três helicópteros NH-90 e cerca de 180 militares. O contingente faz parte da missão de policiamento aéreo da OTAN e deverá permanecer no país até o fim de novembro.
A Romênia ocupa uma posição central no reforço do cerco. A base aérea Mihail Kogalniceanu está sendo ampliada para se tornar a maior instalação militar da OTAN na Europa. O governo romeno também pretende transformar suas Forças Armadas na segunda maior força da aliança em seu flanco oriental, atrás apenas da Polônia.
A instalação fica às margens do Mar Negro, uma das áreas mais importantes para a segurança da Rússia e onde a OTAN vem concentrando parte de suas operações.
Espionagem junto ao território russo
No dia 7 de agosto, um avião de reconhecimento Bombardier Artemis II realizou uma missão sobre o Mar Negro, nas proximidades da região russa de Krasnodar.
A operação faz parte de uma série de voos de vigilância realizados pela OTAN. Drones RQ-4D Phoenix e aviões Boeing E-3A AWACS também vêm sendo empregados para observar a movimentação militar russa e ampliar a capacidade de coordenação das forças da aliança.
Ao mesmo tempo, os exercícios militares aumentam de escala.
Em julho, a OTAN mobilizou mais de 200 aeronaves no exercício Ramstein Flag 2026. Caças, drones e aviões AWACS atuaram em operações realizadas na Dinamarca, Noruega, Suécia, Finlândia e Espanha.
Um mês antes, navios de guerra e aeronaves de vários países participaram do Breeze 2026, realizado no Mar Negro sob comando búlgaro. As manobras incluíram guerra contra minas e operações antissubmarino.
Desde 2025, a OTAN mantém ainda a missão Eastern Sentry, destinada ao reforço de seu flanco oriental. O dispositivo reúne novos radares, sistemas de defesa antiaérea e aeronaves, incluindo equipamentos voltados para a detecção de pequenos drones que voam a baixa altitude.
OTAN eleva risco de guerra direta
As operações mostram que a atividade da OTAN junto às fronteiras russas deixou de se limitar ao patrulhamento aéreo. A aliança instala uma infraestrutura militar cada vez maior no Leste Europeu, ao mesmo tempo em que realiza missões de reconhecimento e exercícios de guerra a curta distância da Rússia.
Essa movimentação ocorre enquanto Estados Unidos e potências europeias aprofundam sua participação na guerra da Ucrânia. O regime de Quieve depende do fornecimento de armas, dinheiro, inteligência e apoio militar da OTAN para manter o conflito. Como já assinalou este Diário, trata-se cada vez mais abertamente de uma guerra da própria OTAN contra a Rússia.
Moscou denuncia que a movimentação da aliança tem como alvo direto a segurança russa.
“As atividades da aliança são voltadas principalmente para criar desafios e ameaças à segurança da Rússia, inclusive na direção estrategicamente importante do Mar Negro, onde a aliança procura de todas as formas fortalecer sua presença”, declarou Vladislav Maslennikov, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, à agência Sputnik.
Segundo o governo russo, as manobras realizadas nas proximidades de suas fronteiras também vêm incorporando cenários cada vez mais ofensivos.
O avanço da OTAN em direção à Rússia está na própria origem da guerra na Ucrânia. Durante décadas, os Estados Unidos e seus aliados incorporaram países do antigo bloco soviético à aliança e instalaram sua estrutura militar cada vez mais perto das fronteiras russas.
Agora, esse cerco é reforçado tanto no Báltico quanto no Mar Negro. Enquanto Moscou afirma estar aberta a negociações, os canais diretos entre militares russos e a maioria dos países da OTAN permanecem praticamente congelados.
Com caças, drones, aviões de espionagem e navios de guerra operando junto às fronteiras russas, cresce também a possibilidade de um incidente levar a um enfrentamento direto.





