O problema da mulher é o mais importante da classe operária por duas razões essenciais: as mulheres são um pouco mais da metade da população e da classe trabalhadora — incluindo as esposas dos trabalhadores; a mulher enfrenta problemas específicos que os homens não têm e que a afetam intensamente, colidindo frontalmente com sua rotina, como a maternidade, a dupla jornada e o constante conflito entre o trabalho e a vida familiar.
Portanto, o problema da mulher deve ser tratado com um programa próprio, por exigir respostas específicas para dificuldades especiais. Contudo, isso não pode ser desvinculado da luta geral da classe operária, pois as mulheres mais oprimidas são as trabalhadoras, duplamente exploradas: como classe e como sexo. A burguesia aprofunda essa exploração impondo salários desiguais, funções secundárias e relegando-as a posições subalternas na própria classe operária.
Também não se deve reduzir essa questão a um simples “problema de classe”, como fizeram alguns grupos no passado, pois existe uma opressão específica que não atinge os homens. Para a mulher, essas dificuldades específicas, maternidade, dupla jornada e discriminação no trabalho, são sentidas com mais rigor do que a exploração capitalista de um modo geral. Por isso, um partido operário precisa de um programa próprio para as mulheres, abordando pontos centrais pelos quais elas se mobilizarão primeiro.
O programa do Coletivo de Mulheres Rosa Luxemburgo, do Partido da Causa Operária (PCO), baseia-se na defesa da mobilização das mulheres e na luta de classes, e não em promessas.
O programa rejeita o identitarismo e foca na emancipação da mulher trabalhadora por meio de sua luta junto com toda a classe operária, e não em reformas institucionais do Estado capitalista. Dentre as principais propostas estão o combate à dupla jornada de trabalho e à escravidão doméstica; a legalização irrestrita do aborto e de ampla rede de atendimento médico e assistência à maternidade; a construção pública de creches gratuitas 24h, em quantidade suficiente para liberar as mulheres para o trabalho e o estudo; a igualdade salarial real entre homens e mulheres; a redução da jornada de trabalho sem cortes nos salário; e ampliação da licença-maternidade.





