Os ferroviários da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) mantiveram nesta quarta-feira (5) a greve iniciada na véspera contra a privatização das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade, entregues pelo governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) à empresa Trivia Trens. A categoria exige a garantia de emprego para cerca de quatro mil trabalhadores e a reversão definitiva das concessões.
A paralisação acontece depois de a própria privatização colocar as linhas em uma situação de crise. O governo estadual foi obrigado a retomar temporariamente a operação após sucessivos problemas, entre eles atrasos e o incêndio ocorrido em 23 de julho, quando passageiros tiveram de saltar muros e caminhar pelos trilhos.
O transporte público é entregue a grupos capitalistas para que estes retirem lucro de um serviço essencial, enquanto os trabalhadores perdem seus empregos e milhões de passageiros são submetidos à piora do serviço e a situações de risco.
Como não poderia deixar de ser, a imprensa burguesa saiu em defesa da privatização. Grandes jornais atacaram as reivindicações dos ferroviários, qualificando-as de “estapafúrdias”, e procuraram apresentar a greve como uma agressão contra a população, como é. o caso d’O Globo
O verdadeiro ataque à população, no entanto, é a privatização. São os capitalistas e o governo Tarcísio que colocam em risco os empregos dos ferroviários e entregam um serviço utilizado diariamente por milhões de trabalhadores aos interesses de empresas privadas.
A greve dos ferroviários deve, portanto, receber todo o apoio. É preciso defender suas reivindicações, a garantia dos empregos e a reversão das concessões. Mais do que isso, é necessário lutar pela reestatização total dos transportes. Trem, metrô e ônibus não podem ficar subordinados ao lucro dos capitalistas.
A greve também coloca uma questão política fundamental. A única maneira efetiva de combater e derrotar a direita, a extrema direita e a própria burguesia é por meio da mobilização das massas trabalhadoras.
Não existe nenhum substituto para essa luta.
O vício eleitoral, predominante em grande parte da esquerda, procura convencer os trabalhadores de que a solução para seus problemas estaria fundamentalmente nas eleições. Segundo essa política, seria necessário esperar a próxima votação, eleger este ou aquele candidato e substituir um político de direita por outro considerado mais progressista.
As eleições, porém, não resolvem nada por si mesmas. Muito menos quando servem apenas para colocar nos parlamentos e governos uma camada de carreiristas pequeno-burgueses, cuja atividade política se resume cada vez mais à disputa de cargos dentro do regime político.
A força dos trabalhadores está em outro lugar. Está justamente naquilo que os ferroviários estão fazendo agora: parar o trabalho, organizar a categoria, enfrentar o governo e colocar em crise a política da burguesia.
É a mobilização operária que pode obrigar a direita a recuar. É ela que pode impedir privatizações, defender empregos e arrancar reivindicações. E é o desenvolvimento dessa mobilização, em escala cada vez maior, que pode modificar de fato a situação política do País.
A eleição deveria servir à mobilização dos trabalhadores. A campanha eleitoral deveria ser colocada a serviço da greve. O que está sendo feito é justamente o contrário: a greve é utilizada como instrumento da campanha eleitoral.
Os ferroviários mostram na prática qual é o caminho. Enquanto os políticos profissionais fazem cálculos eleitorais, os trabalhadores entram em luta contra o governo e contra os interesses capitalistas.
Para derrotar a direita, a extrema direita e a burguesia, é preciso organizar e mobilizar as massas operárias, apoiar suas greves e levar os trabalhadores à luta. É essa, e não o vício eleitoral, a única fórmula verdadeira para enfrentar os inimigos da classe trabalhadora.





