O secretário-geral do Hesbolá, Naim Qassem, advertiu que a resistência libanesa enfrentará os setores políticos que colaborarem com o projeto sionista dentro do país. A declaração é uma resposta à política do governo do presidente Joseph Aoun, que insiste em negociar com “Israel” enquanto o território libanês permanece sob ocupação.
“Enfrentaremos aqueles que aderirem ao projeto israelense e executarem suas ações contra a resistência, seu povo e nosso país, assim como enfrentamos o inimigo”, declarou Qassem.
O dirigente exigiu que as autoridades libanesas interrompam as concessões feitas sem qualquer contrapartida e iniciem negociações com o próprio Hesbolá. Até agora, o governo procura atender às exigências de Telavive sem garantir sequer a retirada das tropas israelenses do Líbano.
O Hesbolá apoia o deslocamento do Exército libanês para o sul do rio Litani. A medida, entretanto, deve ser acompanhada pela retirada completa das forças israelenses do território nacional. Entregar o controle da região ao Exército sem expulsar o ocupante equivaleria a enfraquecer a resistência e deixar o país indefeso diante do sionismo.
Uma nova rodada de negociações entre o governo libanês e “Israel” foi marcada para ocorrer em Roma, entre 4 e 6 de agosto. Joseph Aoun tem afirmado repetidamente que as conversações com Telavive seriam a única maneira de encerrar o conflito.
Essa posição apresenta o agressor como um interlocutor legítimo e coloca sobre o povo libanês a responsabilidade de fazer concessões. O governo deixa em segundo plano a ocupação israelense e procura isolar justamente a força que impediu “Israel” de dominar completamente o sul do país.
Ao aceitar negociar sob essas condições, Aoun aproxima o Estado libanês do programa pretendido pelo sionismo: afastar o Hesbolá, desarmar a população e submeter o país aos interesses de “Israel” e do imperialismo norte-americano.
A afirmação de que a negociação seria a única saída também serve para pressionar a resistência. Em vez de exigir a retirada imediata do invasor, o governo procura transformar o Hesbolá, e não “Israel”, no principal obstáculo à paz.
A advertência de Qassem dirige-se aos setores que pretendem utilizar as instituições carcomidas do Líbano contra a resistência popular. Caso o governo avance na execução das exigências sionistas, o Hesbolá não aceitará passivamente que o Estado seja transformado integralmente em instrumento do inimigo dentro do próprio Líbano.





