Censura eleitoral

Quaest proíbe o PCO nas suas pesquisas eleitorais

Mesmo depois de ser informada sobre os pré-candidatos do partido, a empresa retirou o PCO da disputa presidencial e das pesquisas para os governos de seis estados

A Quaest decidiu que o Partido da Causa Operária não pode aparecer em suas pesquisas eleitorais. Na rodada divulgada nessa quarta-feira (5), a empresa apresentou candidatos com 0% das intenções de voto, mas novamente retirou Rui Costa Pimenta, pré-candidato do PCO à Presidência da República.

A omissão não pode ser atribuída a desconhecimento. O partido informou à Quaest que lançaria candidatura presidencial e apresentou seus pré-candidatos aos governos estaduais. Ainda assim, todos foram ignorados.

Além de Rui Costa Pimenta, a empresa retirou Izadora Dias da pesquisa para o governo de São Paulo; Luan Monteiro, no Rio de Janeiro; Adriano Teixeira, no Paraná; Henrique Áreas, em Minas Gerais; Victor Assis, em Pernambuco; e Bona Carrara, na Bahia.

Apenas no Pará, onde o PCO não lançou pré-candidato ao governo, não havia um nome do partido a ser incluído. Em todas as demais disputas pesquisadas pela Quaest, o PCO foi eliminado.

Não se trata, portanto, de um erro ocasional. A empresa adotou o mesmo procedimento em toda a rodada: onde havia candidato do PCO, seu nome foi retirado.

Na pesquisa presidencial, foram oferecidas aos entrevistados 12 opções. Lula aparece com 39% das intenções de voto e Flávio Bolsonaro, com 30%. Renan Santos e Ronaldo Caiado possuem 4%; Romeu Zema, 2%; Cabo Daciolo, Augusto Cury e Samara Martins, 1%.

Clariana Barão, Edmilson Costa, Hertz Dias e Leonardo Avalanche receberam 0%. Todos foram incluídos no questionário. Rui Costa Pimenta, não.

Esse dado derruba qualquer tentativa de justificar a exclusão com base em suposta falta de competitividade. A Quaest aceitou apresentar candidatos sem pontuação, mas vetou o presidente nacional do PCO, que disputa eleições presidenciais desde 2002.

Rui Costa Pimenta é militante político desde o final da década de 1970, participou da fundação do Partido dos Trabalhadores e é fundador do PCO. Há quase duas décadas, apresenta programas, conferências e cursos transmitidos pela Internet. Também participa semanalmente de programas de grande audiência e possui dezenas de milhares de seguidores nas redes sociais.

Entre os pré-candidatos dos partidos à esquerda do PT, é o mais conhecido. A Quaest não procurou medir quantas pessoas votariam nele. Preferiu impedir que a pergunta fosse feita.

Esse é o ponto central da fraude.

Em uma pesquisa estimulada, o entrevistador apresenta ao eleitor uma lista pronta. Quem não está nessa relação não pode ser escolhido. Ao retirar Rui Costa Pimenta, a empresa impediu que qualquer pessoa consultada declarasse voto no PCO.

O percentual obtido dessa maneira não corresponde à disputa eleitoral real. Corresponde apenas à distribuição dos votos entre os nomes selecionados pela própria Quaest.

A empresa escolhe primeiro quem pode ser candidato em seu questionário. Depois, divulga os números como se tivesse apenas registrado a vontade da população.

A própria pesquisa espontânea mostra que 51% dos entrevistados ainda não definiram em quem votar. No levantamento estimulado, esse enorme contingente recebeu uma relação incompleta, da qual uma candidatura presidencial havia sido deliberadamente retirada.

O instituto, portanto, não apenas deixou de medir o voto no PCO. Interferiu na disputa ao esconder o partido de milhares de eleitores.

O procedimento favorece os candidatos escolhidos para aparecer. Seus nomes são reproduzidos nos jornais, nas emissoras de televisão, nas redes sociais e nos comentários sobre a eleição. Quem é retirado das pesquisas passa a ser tratado como se não existisse.

Depois, a própria ausência produzida pelo instituto é usada para justificar a exclusão de entrevistas, debates e cobertura jornalística. O candidato é apagado da pesquisa e, em seguida, seu apagamento é apresentado como prova de falta de apoio.

A manobra também ocorreu nas pesquisas estaduais.

Em São Paulo, a Quaest afirmou que Tarcísio de Freitas seria reeleito no primeiro turno. O governador aparece com 41%, enquanto os adversários apresentados pela empresa somam 31%.

A conta, porém, não inclui Izadora Dias.

A pré-candidata do PCO foi retirada antes que a Quaest comparasse Tarcísio com o conjunto de seus adversários. A empresa eliminou uma participante da disputa e, com a relação incompleta, anunciou que o governador venceria no primeiro turno.

Foram ouvidos 1.650 eleitores entre 23 e 27 de julho. A pesquisa informa margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%. Esses dados não resolvem o problema. O cálculo pode ser feito corretamente e, ainda assim, partir de uma lista deliberadamente mutilada.

A mesma censura atingiu Luan Monteiro, Adriano Teixeira, Henrique Áreas, Victor Assis e Bona Carrara. Nenhum deles pôde receber um único voto, porque seus nomes não foram apresentados aos entrevistados.

A pré-candidata do PCO ao governo paulista, Izadora Dias, denunciou a operação em sua conta no X:

“Quaest e outras empresas de pesquisas simplesmente não inclui os candidatos do PCO em nenhuma pesquisa. Por que tanta preocupação em esconder o partido?”

A pergunta é inevitável. Caso considerasse as candidaturas irrelevantes, a Quaest poderia simplesmente incluí-las e publicar o resultado. Ao contrário, tomou a decisão política de eliminá-las de todos os levantamentos.

A pesquisa presidencial foi contratada pelo Banco Genial e ouviu 2.004 pessoas entre 31 de julho e 3 de agosto. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-06591/2026.

O financiamento pelo capital financeiro também deixa claro que essas empresas não atuam acima da luta política. Bancos, grandes empresas e órgãos da imprensa utilizam as pesquisas para promover candidaturas, pressionar partidos e estimular o chamado voto útil.

A Quaest não se limitou a apresentar números. Decidiu previamente quais partidos teriam o direito de aparecer diante do eleitorado.

É por esse motivo que as pesquisas eleitorais dos grandes institutos são uma farsa. Apresentam-se como uma fotografia neutra da opinião pública, mas a fotografia já chega recortada: determinados candidatos são expostos, enquanto outros são proibidos de entrar no quadro.

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