O Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas dos Estados Unidos, conhecido pela sigla ICE, montou uma operação permanente para vigiar pessoas que criticam a agência na internet.
Empresas privadas contratadas pelo governo acompanham Facebook, Instagram, X, Reddit e outras plataformas. O objetivo declarado é localizar ameaças contra agentes e identificar atividades que possam atrapalhar operações de captura e deportação de imigrantes.
Os contratados elaboram relatórios diários e dossiês sobre os usuários. Sempre que possível, reúnem nome, endereço, data de nascimento, emprego, número da Previdência Social, registro de veículos e antecedentes criminais.
O sistema atingiu cidadãos norte-americanos e grupos que avisam moradores sobre a presença de agentes do ICE. Para descobrir a identidade de usuários anônimos, o Departamento de Segurança Interna enviou centenas de intimações às empresas responsáveis pelas redes sociais.
Em vários casos, agentes procuraram pessoalmente os autores das publicações, abordando-os em casa, no trabalho ou na rua. Alguns foram pressionados a apagar comentários e advertidos de que suas críticas poderiam constituir crime, embora a maioria dos casos não tenha resultado em acusação formal.
A agência afirma que a vigilância seria necessária diante do aumento das ameaças contra seus funcionários. Advogados de direitos civis denunciam que o governo mistura ameaças reais com críticas políticas protegidas pela liberdade de expressão.
O ICE também planejou contratar dezenas de analistas para acompanhar as redes durante 24 horas e utilizar programas capazes de localizar imagens, examinar vídeos, reconhecer rostos e classificar publicações.
O aparato criado para perseguir imigrantes passou a ser utilizado contra jornalistas, militantes, organizações populares e cidadãos que denunciam as operações policiais e as deportações em massa.





