Inquérito contra Lulinha

PIG fecha o cerco contra a candidatura Lula

Caso Lulinha volta às manchetes e vira tema de incontáveis matérias na imprensa capitalista às vésperas das eleições

O caso Lulinha tomou conta do noticiário político nessa terça-feira (4). Globo, Folha de S.Paulo e O Estado de S. Paulo publicaram uma sequência de matérias sobre Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Lula, e pessoas próximas a ele. Sob manchetes diferentes, os três monopólios martelaram as mesmas suspeitas e ampliaram o alcance das acusações até o núcleo da campanha pela reeleição.

A autorização de um terceiro inquérito contra Lulinha, dada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), serviu de ponto de partida para a nova rodada. A Polícia Federal quer apurar uma possível atuação do filho do presidente em favor de interesses privados dentro do governo. Os outros dois procedimentos, relatados pelo ministro André Mendonça, tratam de negócios relacionados à cannabis medicinal e de uma empresa que teria buscado contratos na Dataprev.

Não há denúncia aceita nem julgamento. Os inquéritos correm em sigilo e a defesa nega qualquer irregularidade. Dino também permitiu que fossem investigados os vazamentos de informações protegidas, denunciados pelos advogados de Lulinha. Esse aspecto, embora revele uma possível utilização criminosa das apurações, ficou em segundo plano. O material vazado interessa muito mais aos grandes jornais do que a descoberta de quem o entregou à imprensa e com qual objetivo.

A Folha usou o episódio para colocar no centro da cobertura Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula que passou a integrar a coordenação da campanha. Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha e alvo da PF, fez pagamentos a Marcola. Ele afirma que o dinheiro correspondia à devolução de um empréstimo pessoal, já encerrado.

Em vez de se limitar ao fato sob apuração, o jornal publicou um longo perfil do assessor. Relembrou sua participação nas caravanas de Lula, o trabalho realizado durante a prisão do petista em Curitiba, a função exercida no Palácio do Planalto e discussões ocorridas na equipe de comunicação. A reportagem não acrescenta prova de ilegalidade à transação, mas aproxima as suspeitas da campanha presidencial. O personagem escolhido não foi um assessor qualquer: foi justamente aquele que saiu do governo para organizar a agenda eleitoral de Lula.

O Estadão explorou mensagens entre Roberta e Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS. Os diálogos citam projetos de cannabis medicinal, fornecimento de produtos ao Ministério da Saúde, negócios de tecnologia, educação financeira e contatos na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Em uma das conversas, fala-se em “abrir portas” no governo. O jornal também destacou as dezenas de entradas de Roberta em prédios públicos que não teriam aparecido nas agendas das autoridades visitadas.

Outra reportagem do Estadão tratou como possível propina o pagamento que Marcola declara ter recebido como empréstimo. O jornal deu espaço para Flávio Bolsonaro ligar o episódio ao roubo praticado contra aposentados, embora não tenha sido apresentada prova de que os valores tenham essa origem. Até a mudança na equipe de advogados de Roberta virou notícia, acompanhada de especulações sobre uma eventual delação que a própria matéria admite não estar em curso.

https://causaoperaria.org.br/2026/lula-na-frigideira/

A Globo completou o bombardeio dando circulação nacional às novas apurações e às ramificações políticas do caso. A variedade é apenas aparente. Um veículo apresenta a decisão do STF, outro publica as mensagens, um terceiro transforma um assessor em personagem central e todos repercutem uns aos outros. O leitor recebe, ao longo do dia, várias versões de um mesmo conjunto de suspeitas como se fossem revelações independentes e sucessivas.

As informações que enfraquecem a acusação são enterradas no corpo das reportagens. O Ministério da Saúde declarou que nunca contratou a empresa ligada ao projeto de cannabis nem transferiu dinheiro a ela. A Dataprev informou que não mantém contrato com a empresa mencionada na apuração. A Anvisa negou favorecimento na regulamentação dos produtos medicinais. Os advogados de Lulinha afirmam que a abertura de novos inquéritos, cada um voltado para um assunto diferente, demonstra a realização de uma “pesca probatória” em busca de algum elemento que possa comprometê-lo.

É assim que funciona a campanha do Partido da Imprensa Golpista. Uma suspeita mantida sob sigilo é entregue seletivamente a uma redação. O conteúdo é repartido em matérias, colunas, perfis e comentários. A repetição substitui a prova: quanto mais o nome de Lula aparece perto das palavras tráfico de influência, propina e fraude no INSS, menos importa que os fatos ainda não tenham sido demonstrados.

O próprio presidente cedeu à pressão ao declarar que o filho terá de provar sua inocência. Ninguém deveria ser obrigado a provar que não cometeu um crime; cabe à acusação demonstrar a culpa. A inversão dessa regra mostra que a ofensiva já alcançou Lula e o obriga a responder à pauta montada pelos monopólios de imprensa.

O interesse repentino do PIG não nasce de uma preocupação com os aposentados ou com a administração pública. A imprensa burguesa procura abrir espaço para uma candidatura presidencial que não seja nem Lula nem Flávio Bolsonaro. Como os dois concentram o apoio eleitoral, a chamada terceira via só pode crescer se um deles for retirado da disputa ou chegar gravemente desgastado ao primeiro turno.

Flávio foi o alvo principal da etapa anterior. A imprensa tentou apresentá-lo como uma candidatura inviável, submeteu cada declaração sua a uma campanha negativa e apostou que algum nome mais conveniente à burguesia ocuparia o seu lugar. Não funcionou até o momento. As pesquisas continuaram indicando uma disputa apertada com Lula, enquanto a base bolsonarista permaneceu firme em torno de sua candidatura.

https://causaoperaria.org.br/2026/trafico-de-influencia-de-lulinha-cerco-a-bolsonaro-vira-cerco-a-lula/

Sem conseguir derrubar Flávio, por enquanto, o PIG voltou seus canhões contra Lula. O caso envolvendo seu filho oferece o pretexto ideal: permite insinuar corrupção no governo, atingir assessores da campanha e manter o presidente diariamente na defensiva. A coincidência de pauta entre Globo, Folha e Estadão não depende de uma reunião secreta entre seus diretores. Os três grupos defendem os mesmos interesses de classe e reconhecem os mesmos adversários.

Foi esse mecanismo que preparou o golpe de 2016 e a prisão de Lula às vésperas da eleição de 2018. Vazamentos de investigações, acusações publicadas como fatos consumados e um julgamento diário nos meios de comunicação criaram as condições políticas para as arbitrariedades da Lava Jato. Em 2026, procura-se novamente usar uma investigação criminal para interferir na escolha do presidente.

Mesmo uma campanha dessa dimensão pode não conseguir retirar Lula ou Flávio do segundo turno. Nesse caso, o material acumulado continuará servindo à burguesia depois da eleição. O eleito assumirá cercado por inquéritos, ameaças e chantagens, com a imprensa pronta para desencadear uma crise sempre que o governo contrariar os grandes capitalistas. Se não conseguir colocar sua terceira via no Palácio do Planalto, o imperialismo tentará fazer o próximo presidente chegar a 2027 com a faca no pescoço.

Gostou do artigo? Faça uma doação!

Rolar para cima

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Diferentemente de outros portais , mesmo os progressistas, você não verá anúncios de empresas aqui. Não temos financiamento ou qualquer patrocínio dos grandes capitalistas. Isso porque entre nós e eles existe uma incompatibilidade absoluta — são os nossos inimigos. 

Estamos comprometidos incondicionalmente com a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo pobre e oprimido. Somos um jornal classista, aberto e gratuito, e queremos continuar assim. Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Diferentemente de outros portais , mesmo os progressistas, você não verá anúncios de empresas aqui. Não temos financiamento ou qualquer patrocínio dos grandes capitalistas. Isso porque entre nós e eles existe uma incompatibilidade absoluta — são os nossos inimigos. 

Estamos comprometidos incondicionalmente com a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo pobre e oprimido. Somos um jornal classista, aberto e gratuito, e queremos continuar assim. Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.

Quero saber mais antes de contribuir

 

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.