Desde a meia-noite de terça-feira (4), os ferroviários das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) estão em greve por tempo indeterminado. Cerca de 4.700 trabalhadores paralisaram as atividades contra a privatização dos ramais, entregues à concessionária Trivia Trens, e exigem a reestatização definitiva das linhas e a garantia de todos os empregos. A adesão é a resposta legítima de uma categoria ameaçada de demissão em massa depois da entrega do patrimônio público à iniciativa privada.
A CPTM e a justiça do trabalho, no entanto, mobilizaram-se de imediato para inviabilizar a paralisação. Na véspera, o Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região impôs uma liminar que obriga a manutenção de 80% do efetivo nos horários de pico e de 60% nos demais períodos, sob multa diária que pode chegar a 1 milhão de reais para o sindicato. Determinar que a maior parte da categoria continue trabalhando é, na prática, proibir a greve. O direito de greve é sagrado, e greve é justamente quando todos os trabalhadores cruzam os braços. Exigir que o serviço funcione quase normalmente é esvaziar por completo a única arma de que a categoria dispõe.
A atuação da justiça e da direção da CPTM revela a quem servem os tribunais e as estatais entregues ao desmonte. Estão a serviço dos patrões, dos capitalistas e do Estado, especialmente em São Paulo, governada há décadas pelo tucanato, hoje abrigado sob o guarda-chuva de Tarcísio de Freitas e Ricardo Nunes. A privatização das linhas é um escândalo: um incêndio nas instalações da Trivia obrigou a CPTM a reassumir temporariamente a operação, e apenas 11% dos trabalhadores foram absorvidos pela concessionária, o que expõe o destino reservado aos demais.
As reivindicações dos ferroviários são inteiramente justas e devem ser atendidas de imediato. A greve precisa continuar firme até que a reestatização seja garantida e nenhum posto de trabalho seja eliminado. A categoria, porém, deve manter-se vigilante diante das direções sindicais, que não são confiáveis e aproveitarão a primeira oportunidade para fechar um acordo com a CPTM aquém das reivindicações dos grevistas. Somente a mobilização da base assegura que o movimento não seja traído na mesa de negociação.
Nesse quadro, o Projeto de Lei 730/2025, do deputado Guilherme Cortez (PSOL), representa uma capitulação. Em vez de combater a privatização, o texto apenas pede que os empregados da CPTM sejam absorvidos por órgãos da administração estadual depois da concessão, aceitando de antemão a entrega das linhas. O PSOL demonstra ser incapaz de defender até as reivindicações mais elementares dos trabalhadores, como o fim das privatizações.
Todo apoio à greve dos ferroviários. Pela reestatização das linhas 11, 12 e 13 e de todo o transporte ferroviário paulista, sob controle dos ferroviários e a serviço do povo trabalhador.





