Oriente Próximo

O ‘partido comunista’ junto ao imperialismo contra o Irã

Ao atacar o imperialismo e o governo iraniano com a mesma intensidade, o Tudeh, de fato, está do lado do mais forte

Iranianos choram po Khamenei

O artigo Tudeh: Resolução da Reunião (Ampliada) do Comitê Central do Partido, publicado no sítio Em Defesa do Comunismo no dia 4 de abril deste ano, mostra o grau de conivência do partido Tudeh com o imperialismo.

O texto abre dizendo que “o Secretariado do Comitê Central do Partido Tudeh do Irã informa que a reunião plenária do Comitê Central do Partido Tudeh do Irã foi realizada no início de março de 2026, com a presença de membros do Comitê Central, quadros do partido e dirigentes. A sessão teve início com um minuto de silêncio em homenagem a todas as vítimas dos bombardeios brutais do imperialismo dos EUA e do governo criminoso de Netanyahu, bem como aos que perderam suas vidas durante os protestos populares de janeiro e aos mártires do movimento Tudeh.” – grifo nosso.

A falsificação começa cedo. Ao mesmo tempo em que critica Netaniahu, o partido lamenta a morte das pessoas que o primeiro-ministro genocida de “Israel” lançou contra o povo iraniano. Não foram manifestações populares, mas uma ação de agressão confessada até pelos Estados Unidos, que não escondem querer mudar o governo do Irã.

O Tudeh segue atacando, diz que “a assembleia emitiu um apelo formal a todas as forças nacionais e democráticas dentro do país, conclamando à criação de uma ampla campanha global dedicada à luta pela paz.” Por exclusão, o governo iraniano seria a força antidemocrática, justamente quem mais tem trabalhado pela paz, além de defender a revolução iraniana.

Ficou claro que as “forças democráticas dentro do país”, com os ataques do início do ano, são grupos armados pela CIA e pelo Mossad para desestabilizar o governo iraniano. Além disso, o Tudeh está buscando, na verdade, formar uma frente ampla para pacificar a luta de classes contra o imperialismo, ou seja entregar o país à rapinagem neoliberal.

Segundo o texto, a guerra de agressão “lançada em meio ao silêncio e à aprovação tácita da maioria dos governos da União Europeia e em flagrante violação das leis e normas internacionais, impôs uma catástrofe devastadora ao nosso país e a toda a região do Oriente Médio.” Ocorre que não foi uma “aprovação tácita”, diversos países participaram da agressão, houve participação direta.

O mesmo vem ocorrendo na Faixa de Gaza e no Líbano, o imperialismo não apenas aprova em silêncio as agressões “israelenses”, mas participa efetivamente das operações, seja com o envio de armas, seja com apoio logístico, de pessoal e de inteligência.

Para o Tudeh, “os ataques também demonstraram que a República Islâmica, apesar dos enormes investimentos militares, não conseguiu cumprir seu dever básico de defender o país, proteger infraestruturas essenciais e salvar vidas.” O que é uma completa falsificação da realidade. O Irã, apesar das décadas de bloqueio econômico, conseguiu produzir com um custo muito reduzido uma espetacular força militar que foi capaz de minimizar ao máximo o ataque massivo do imperialismo.

Por outro lado, foi o Irã quem demonstrou que o imperialismo é incapaz de defender “Israel” e suas bases militares espalhadas pelos países da região. A frota americana com poderosos navios foi atingida e teve que fugir.

O mundo inteiro está assistindo estupefato à resposta inédita que o imperialismo recebeu do Corpo da Guarda Revolucionária Iraniana. Apenas o Tudeh tenta vergonhosamente desmoralizar esse verdadeiro feito.

Quando dizem que “antes da agressão, os EUA e o governo Netanyahu analisaram cenários para desestabilizar o Irã, incluindo guerra civil e fragmentação territorial, mobilizando grupos como o Mojahedin-e Khalq.” E depois pedem “que tais planos devem ser neutralizados, pois prejudicam a luta legítima por direitos democráticos”, é preciso dizer quem está conseguindo debelar essas investidas, justamente o exército iraniano, que o Tudeh desmorailzou.

A resolução do Tudeh aponta que “um efeito imediato da guerra foi enfraquecer a luta popular contra a ditadura. [E] os protestos de dezembro de 2025 e janeiro de 2026, motivados por pobreza e repressão, já haviam colocado o regime em crise. A guerra, porém, mostra que a intervenção externa não trará democracia.”

A pobreza no Irã, que era infinitamente maior antes da Revolução, é provocada pela política genocida de bloqueio econômico. Os distúrbios, uma revolução colorida fracassada, foram fruto de intervenção externa que, assim como a guerra, não teve a intenção de levar democracia. Aliás, nunca foi. Todo mundo viu o imperialismo levando democracia para o Iraque, Líbia, Afeganistão, etc.

Sucessão

“A nomeação de Mojtaba Khamenei como novo líder, após a morte de Ali Khamenei”, diz a resolução, “representa um golpe nos ideais da Revolução de 1979, ao reforçar tendências autoritárias e continuidade de políticas fracassadas.” Talvez o Tudeh não se dê conta, mas não basta fazer uma revolução, ela não dura apenas um dia, é preciso mantê-la dos ataques do imperialismo.

Nesse sentido, a indicação do novo líder é uma continuação de Khomeini e Khamenei, bem como uma defesa da revolução. O governo iraniano tem legitimidade, sua defesa do país durante a guerra de agressão fez com que sua popularidade superasse os 90%.

O Tudeh também não explica o que seriam as tendências autoritárias, nem quais seriam as políticas fracassadas de um governo que é capaz de manter os principais meios de produção estatais mesmo sofrendo um bloqueio econômico brutal que já dura mais de 40 anos. Notícias recentes dão conta de que o Irã produziu localmente 2.000 componentes petroquímicos que antes eram importados, em apenas um ano, transformando sanções em autonomia industrial. O nome disso é fracasso?

O discurso desse partido apresenta sua característica democratizante, uma tendência que se alastra por toda a esquerda pequeno-burguesa.

Esse partido diz que “condena historicamente a interferência imperialista, mas também critica as políticas internas do regime, que agravaram a pobreza e expuseram o país a riscos externos.” Mas cabe perguntar: quais foram as políticas internas que expuseram o país? A resposta é simples: a revolução e a reestatização do petróleo. O Tudeh é contra? E não se pode criticar o imperialismo e um país oprimido da mesma maneira, a menos que para esse partido os dois tenham o mesmo peso.

Na verdade, o que o Tudeh mal consegue esconder é seu apoio ao imperialismo, pois ataca aquele que tem imposto a ele as derrotas mais humilhantes.

Os integrantes do Tudeh não devem acompanhar o que está acontecendo no Irã, por isso escrevem que “recentes mostram que o regime sobrevive por repressão violenta. Apesar disso, há sinais positivos de organização de forças progressistas, embora enfrentem tentativas de deslegitimação.” As manifestações massivas em favor do governo que reprimiu as “forças progressistas” foram mostradas no mundo todo. Houve uma infinidade de manifestações de rua após a agressão. E o velório de Khamenei apaga qualquer dúvida sobre a popularidade do governo.

Após atacar impiedosamente o governo e defender os mercenários da CIA e do Mossad, o Tudeh diz que “nas condições atuais, a unidade nacional contra a agressão imperialista é essencial. Essa unidade deve se basear em: cessar-fogo imediato, paz duradoura, libertação de presos políticos, proteção da população e da infraestrutura, fim de políticas neoliberais, igualdade de direitos e defesa da soberania nacional.” Ou seja, um amontoado de palavras vazias

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