Sudeste

Apagão no Rio de Janeiro, consequência do neoliberalismo

Um vendaval deixou quase 1,9 milhão de imóveis sem energia porque Light e Enel cortam manutenção e pessoal para engordar seus lucros

Um vendaval atingiu o Rio de Janeiro na quarta-feira, 29 de julho, e deixou quase 1,9 milhão de imóveis sem energia elétrica. O desligamento parou as linhas 1, 2 e 4 do metrô, condomínios inteiros ficaram no escuro por mais de um dia e ao menos duas pessoas morreram. Em prédios sem elevador, idosos ficaram ilhados nos andares altos, alguns dependendo de remédios que exigem refrigeração.

O vento derrubou árvores e atingiu uma linha de transmissão, mas não explica sozinho o tamanho do estrago. Uma rajada forte é previsível numa cidade litorânea; o que transforma um problema pontual num apagão prolongado é o abandono da rede. Há anos as distribuidoras cortam gastos com manutenção, reduzem equipes e terceirizam serviços para engordar os lucros de seus acionistas. Quando o vento chega, a estrutura sucateada não aguenta.

O serviço no Rio está nas mãos da Light e da Enel, empresas privadas que organizam o atendimento pela régua da rentabilidade. Diante do apagão, ambas correram a se isentar: a Light falou em “falha externa”, a Enel, em “condições climáticas adversas”. É o discurso de sempre. A função de uma distribuidora não é apenas manter as luzes acesas nos dias de céu limpo. Um serviço essencial precisa ser permanentemente ampliado, modernizado e melhorado — com redes reforçadas, equipes suficientes e investimento contínuo —, tanto para acompanhar o crescimento da população quanto para resistir a chuvas e ventanias. As concessionárias fazem o oposto: extraem lucro e deixam a estrutura apodrecer. Quem paga tarifas caras tem direito a um serviço que não só resista ao primeiro temporal, mas que melhore a cada ano.

O apagão é resultado da política neoliberal: privatização, corte de investimentos e entrega de um serviço essencial a quem só enxerga lucro. Energia elétrica não é mercadoria, e sim necessidade básica da população. Para que deixe de faltar a cada vendaval, é preciso arrancá-la das mãos dos capitalistas e colocá-la sob controle público e dos próprios trabalhadores do setor, os únicos capazes de garantir o serviço à população, e não ao caixa dos acionistas.

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