Jagunços a mando do latifúndio derrubaram e incendiaram as moradias de 22 famílias camponesas na comunidade Recanto do Lontra, em Araguaína, no norte do Tocantins. No dia 28 de julho, um trator arrasou as casas erguidas com o trabalho das famílias, o fogo se espalhou pelo cerrado e as cercas foram arrancadas. Roçados, criações e o pouco que cada família havia juntado para viver foram destruídos de uma só vez.
As famílias reivindicam ao Incra a criação de um assentamento e vêm sofrendo uma escalada de ataques. Antes das casas queimadas, houve ameaças, tentativas de expulsão, disparos de arma de fogo, estradas destruídas e até a instalação de um “ponto de vigilância” na principal via de acesso, para controlar quem entra e sai. Segundo os camponeses, por trás das agressões estão figuras influentes da região: empresários, advogados, policiais aposentados e políticos.
Não se trata de um caso isolado. O Tocantins é um dos estados mais violentos do país para quem trabalha a terra, marcado pela grilagem e pela pistolagem. Ali, como em toda parte, a violência contra o camponês e a destruição do território caminham juntas: atear fogo ao cerrado é, ao mesmo tempo, um ataque à comunidade e um crime contra as nascentes, o solo e a mata de que as famílias dependem para plantar.
O Estado não protege os pobres do campo — protege os fazendeiros. O Incra empurra com a barriga a criação dos assentamentos, o Judiciário assina as ordens de despejo e a polícia garante a expulsão. Contra o terror do latifúndio, os camponeses de Araguaína precisam se organizar de forma independente e unir sua luta à dos trabalhadores das cidades. Só a força organizada dos explorados pode deter os jagunços, os grileiros e os poderosos que os armam.




