Soraya Thronicke foi a candidata de Jair Bolsonaro (ex-PSL, atual PL) para uma cadeira no Senado Federal pelo Partido Social-Liberal (PSL) no Mato Grosso do Sul, no pleito de 2018. Em entrevistas concedidas à grande imprensa, Soraya criticou os governos de Lula (2002-2010) por “corrupção sistêmica e gigantismo estatal”. Os programas de transferência de renda criados por Lula – principalmente o Bolsa-Família – e mantidos por Jair Bolsonaro foram alvos de duras críticas.
A senadora, que se consagrou eleita pelo PSL com 373 mil votos sob o mote “A Senadora do Bolsonaro”, posteriormente entrou em atrito com os filhos do então presidente direitista. Isto não a impediu de ocupar o cargo de vice-líder do governo Jair Bolsonaro no Senado da República.
A família da senadora comanda uma rede de motéis em Campo Grande. No sítio do Senado, ela própria se declara como “defensora do conservadorismo institucional, do liberalismo econômico e da representatividade feminina nos cargos de poder”.
No decorrer do processo eleitoral de 2022, a então senadora Soraya Thronicke, filiada ao partido União Brasil e que também disputava a presidência da República, afirmou, em postagem no X (antigo Twitter), que não declararia voto nem em Lula nem em Bolsonaro, pois “nenhum desses bandidos merece meu apoio”.
Em abril de 2026, no último dia da janela partidária, Soraya se filiou ao Partido Socialista Brasileiro (PSB). Ela havia se filiado ao partido Podemos em 2023 com a ideia de “ampliar a base” e se preparar para um projeto de reeleição. Vale destacar que o Podemos sempre foi e continua sendo um partido de oposição direitista ao governo do atual presidente Lula.
O Partido Socialista Brasileiro formalizou o apoio a Fábio Trad (PT) para o governo estadual de Mato Grosso e lançou a candidatura de Soraya para o Senado. Ela terá como suplentes o advogado e empresário Bruno Migueis, presidente do PT de Corumbá, e a professora Sandra Cassone, atual vice-presidente do PSB de Itaquiraí. O apoio consolida uma mudança de posição em favor da reeleição do atual mandatário, posição muito diferente da apresentada nos últimos anos.
A senadora apresentou um relatório favorável à cooperação na área de Defesa entre os governos do Brasil e de “Israel”. A Comissão de Relações Exteriores do Senado Federal aprovou o documento no dia 24 de março de 2023. A ideia central era a promoção de treinamento, educação em questões militares e intercâmbio de tecnologia. Além disso, o documento estimula uma política de colaboração em sistemas e produtos de defesa, de forma a canalizar recursos públicos para os genocidas e assassinos de crianças palestinas.
Há informações no site do Senado Federal sobre viagens de Soraya Thronicke para “Israel” e sobre sua participação em uma missão à cidade ocupada de Jerusalém. Sabe-se que uma das principais técnicas de cooptação dos sionistas é o custeio de viagens para “país”, com vistas a construir apoio político entre diversos setores políticos, religiosos, policiais, empresariais, militares e da área de inteligência.
Soraya declarou apoio à reeleição de Lula e seu partido apoia o candidato petista para o governo do Mato Grosso do Sul. O Partido dos Trabalhadores procura apresentar a mudança da senadora como uma vitória para sua política, afinal, está ganhando mais aliados. Isso não passa de pura fantasia.
Os políticos burgueses, neoliberais e direitistas, como Geraldo Alckmin, Tabata Amaral e Soraya Thronicke, que estão apoiando Lula, procuram, em grande medida, se associar à imagem de defensores da democracia pela sua proximidade com o PT, para lograr êxito no processo de reciclagem política. Trata-se de uma manobra para mudar sua imagem e adquirir um aspecto mais amigável, podendo posar como democratas.
O PT se presta a uma engrenagem de reciclagem dos políticos burgueses, um mecanismo de manipulação política voltado à população. Trata-se de resgatar a direita, limpar sua imagem muito marcada pelo golpe de Estado de 2016, pela estruturação e apoio à Lava Jato e por todos os ataques aos direitos sociais e democráticos da classe trabalhadora, como as “reformas” trabalhista e previdenciária, as privatizações e a política de austeridade fiscal.
O PSB está sendo credenciado para ser um novo PSDB, ainda mais direitista, porém desta vez com o apoio do próprio PT. Além disso, o primeiro procura se projetar para, no futuro, tomar o lugar do PT e entregar o governo à direita neoliberal travestida de “democrática”. Não à toa, um bloco de políticos burgueses neoliberais ligados às ONGs tem manifestado apoio ao presidente Lula e ocupado diversos cargos importantes na máquina governamental.
Geraldo Alckmin aparece como um grande democrata que soube superar as diferenças do passado e se aliar ao atual presidente. Nada mais enganoso. A burguesia neoliberal está se construindo e Alckmin, um político ligado ao grande capital nacional e estrangeiro, provou, no governo paulista, ser um homem de confiança.





