O Partido Liberal oficializou Bruno Bolsonaro Scheid como seu candidato ao Senado por Rondônia, e o representante do latifúndio logo deixou claras as suas intenções. Em declarações públicas, Scheid endureceu o discurso contra as ocupações de terra, repetiu a velha palavra de ordem dos fazendeiros — “invasão não é reforma agrária” — e se apresentou como defensor da “segurança jurídica no campo”. Traduzido em termos de classe, o seu programa é o terror do latifúndio contra os camponeses pobres.
O que Scheid chama de “insegurança” é, para os trabalhadores rurais, a insegurança de serem despejados, ameaçados e assassinados. Rondônia é um dos estados mais violentos do país para quem vive da terra. O relatório Conflitos no Campo Brasil 2025, da Comissão Pastoral da Terra, mostra que os assassinatos no campo dobraram em um ano, passando de 13 para 26 mortes. Rondônia e Pará encabeçam a lista, com sete vítimas fatais em cada estado, e foi neles que ocorreram os dois massacres registrados no período. Só em Rondônia foram 111 registros de violência ligada à disputa por terra. Em todo o país, os fazendeiros respondem, direta ou indiretamente, por cerca de 77% dos assassinatos.
Essa violência não é obra de indivíduos isolados. Ela é uma máquina de repressão montada a mando do latifúndio, que reúne a polícia, os jagunços armados, o Judiciário e os políticos locais. A PM de Rondônia especializou-se em perseguir os camponeses organizados. Na chamada operação Godos, em novembro de 2025, a corporação chegou a interromper uma reunião pública de cerca de 100 famílias sem terra já despejadas de seus acampamentos. Militantes da Liga dos Camponeses Pobres são alvo constante de perseguição. Para completar o quadro, o governo bolsonarista de Marcos Rocha (PSD) reconduziu ao comando da Segurança do estado José Hélio Cysneiros Pachá, o “carniceiro de Santa Elina”, ligado ao Massacre de Corumbiara de 1995, quando trabalhadores rurais foram fuzilados pela polícia.
É essa engrenagem que Scheid quer levar ao Senado. Sua candidatura é a dos grandes proprietários de terra, dos que enriquecem sobre a expulsão e o sangue dos pobres do campo. Contra o terror do latifúndio, os camponeses precisam se organizar de forma independente e unir suas fileiras às dos operários das cidades. Só a luta comum dos explorados poderá derrotar os fazendeiros, seus pistoleiros e seus candidatos.




