Um novo relatório do Instituto Vladimir Herzog, divulgado no dia 27 de julho, confirma o que os moradores das periferias da Baixada Santista denunciam há anos: as Operações Escudo e Verão, deflagradas pela Polícia Militar do governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) entre julho de 2023 e abril de 2024, foram chacinas contra os pobres, e não o alardeado “combate ao crime”.
O documento, de 99 páginas, contabiliza 84 mortos, dos quais 82% eram homens negros, pobres e jovens, com idade média de 20 anos. Entre as vítimas havia sete adolescentes, de 15 a 17 anos. Os laudos apontam ferimentos por arma de fogo nas costas, no peito e no abdômen, um padrão que nada tem de “troca de tiros” e revela execuções sumárias, com clara intenção de matar.
A cronologia levantada pelo instituto desmonta a versão oficial. As mortes se concentraram logo depois da morte de policiais, no que o próprio relatório chama de “operações vingança”. Entre 27 e 31 de julho de 2023, após a morte do soldado da Rota Patrick Bastos Reis, ao menos 12 civis foram executados. Em fevereiro de 2024, houve dois dias com sete mortes cada. Aquilo que a burguesia apresenta como “segurança pública” é, na prática, uma política de extermínio, conduzida como verdadeira estratégia de guerra contra a população trabalhadora.
Essa é a função para a qual a PM existe. Não há aqui “desvios”, “maçãs podres” nem “falta de treinamento”. A polícia militar é um aparelho armado da burguesia, mantido para reprimir e aterrorizar os explorados, punir a pobreza e proteger a propriedade dos ricos. Uma instituição assim não se reforma, porque a violência que ela pratica não é uma falha: é o seu funcionamento normal.
Por tudo isso, a denúncia das chacinas precisa apontar uma saída. É necessário exigir o fim da PM e de todas as polícias, órgãos de repressão a serviço dos patrões. A defesa da população trabalhadora não pode seguir nas mãos de quem a fuzila. Cabe aos próprios trabalhadores se organizar: armar o povo e formar comitês de autodefesa nas favelas e nos bairros populares, sob controle da população, para pôr fim ao massacre cotidiano promovido pelo Estado dos capitalistas.




