Há anos o sionismo acusa a resistência palestina de se abrigar entre civis. Uma investigação do portal Raseef22 mostra o contrário: quem usa o corpo dos palestinos como escudo é o próprio exército de ocupação. Homens, mulheres, crianças e idosos são obrigados a marchar na frente das tropas israelenses, numa prática rotineira e chancelada pelo alto comando.
Hazar Al-Stiti, de 33 anos, do campo de refugiados de Jenin, foi arrancada de casa e separada do filho de seis meses para carregar um drone e vasculhar sete casas na dianteira de cerca de 30 soldados, durante o cerco de 2024. Iman Al-Amer, de 41 anos, só escapou de ter a filha levada porque aceitou entrar, ela mesma, nas casas à frente da tropa. Malak Shehab, de nove anos, do campo de Nur Shams, teve de abrir, uma a uma, as portas de uma residência enquanto os fuzis apontavam por cima de seus ombros.
Esses relatos correspondem a dois procedimentos que o exército israelense nunca assumiu publicamente, apelidados de “Mosquito” e “Vespa”. Por eles, prisioneiros palestinos são enviados à frente das tropas para entrar em locais que podem estar minados. Um soldado descreveu a lógica: os palestinos entram primeiro e, se houver armadilha, morrem eles, e não os ocupantes.
O exército chega a vestir o refém com o próprio uniforme, como fez com Muhannad Wasfi, preso em Gaza e obrigado a procurar túneis casa a casa, à espera da morte que já havia colhido outros na mesma situação. Um casal de idosos, Mazyouna e Mohammad Abu Hussein, foi usado para inspecionar residências e depois assassinado com a explosão das cargas que os soldados lhes haviam amarrado ao corpo.
Nada disso é excesso de um ou outro soldado. É método de um Estado colonial que enxerga cada palestino, de qualquer idade ou sexo, como alvo a abater e objeto a descartar. Em 2005, o próprio Supremo Tribunal de “Israel” declarou ilegal o uso de civis como escudo; o exército segue fazendo-o, por cima de sua própria lei e das Convenções de Genebra.
O escudo humano é apenas uma das faces do genocídio que o sionismo, armado e financiado pelo imperialismo, executa em Gaza e na Cisjordânia. Para acobertá-lo, a imprensa dos patrões mente sem pudor. Contra o genocídio, os trabalhadores têm um só lado: o do povo palestino e o do seu direito de resistir à ocupação.




