O artigo “Ainda e finalmente a Copa: Mbappé e a fé no que virá”, assinado por Israel Dutra e publicado no sítio Revista Movimento nesta quinta-feira (30), é o retrato de uma esquerda que pensa com a cabeça da burguesia e se apoia em argumentos fajutos para atacar o futebol brasileiro.
Dutra diz que “com o Brasil precocemente eliminado, as redes inundadas de polêmicas como a rivalidade entre brasileiros e argentinos, vale apontar alguns elementos centrais e arriscar alguns prognósticos do que vem pela frente.” As redes não estão inundadas de polêmicas, mas de fatos que comprovam as falcatruas da FIFA e do imperialismo favorecendo a seleção do país vizinho.
O time argentino, aliás, foi elevado às alturas pela esquerda pequeno-burguesa e autoritária, que gostaria de estar neste momento lambendo Lionel Messi, mas precisa contentar-se com Mbappé, pois o jogador argentino, que em 2010 jogou cinco partidas completas e não marcou nenhum gol (apesar de ser comparado a Pelé), na final contra a Espanha nem viu a cor da bola.
Desmoronado o castelinho, resta agora a busca por um novo herói, desde que não seja brasileiro.
Para o autor, “em primeiro lugar, foi uma Copa que gerou muitos debates políticos, culturais e desportivos. Foi uma copa que expressou a situação mundial, uma verdadeira copa das contradições.” Mais do que contradições, foi a copa da roubalheira, não que outras não tenham sido, como a de 1978, mas desta vez as redes sociais registraram e debateram tudo. Por exemplo, o modo como as seleções africanas foram tungadas em favor da Argentina.
“Uma Copa onde o streaming superou a transmissão tradicional das emissoras de televisão aberta, apenas para citar um dos aspectos do ‘novo tempo’, onde mudam as formas do esporte e dos meios de comunicação de massas”, diz Dutra. E esse foi um dado interessante, pois o monopólio da Rede Globo foi sacudido pela CazéTV.
A emissora da ditadura atacou a nova rival de todas as maneiras, principalmente com relação às propagandas das casas de apostas. A esquerda pequeno-burguesa tomou as dores da Globo e também partiu para o ataque.
Dutra escreve que “de um lado, as bets, a extrema direita, o desmonte de coletividade como se notou na seleção brasileira, as trampas de Trump, o racismo, a perseguição aos imigrantes e elitização do esporte. No outro lado do campo, jogaram a esperança das seleções menores, a cooperação em times como de Cabo Verde”, e é curioso que fale das bets e não se incomode com a presença do logotipo do Itaú na camisa da Seleção. A dívida pública, graças ao aumento criminoso dos juros comandado pelos bancos, chegou a R$ 9,3 trilhões. Diariamente, o Brasil paga quase R$ 7 bilhões de juros, sangrando o País e impedindo que invista o mínimo em políticas sociais. Não bastasse isso, também escraviza as famílias brasileiras com dívidas eternas e impossíveis de quitar.
Lambendo as chuteiras
Na boca da grande imprensa, e também na da imprensa pequeno-burguesa, “Neymar e Mbappé. Um verdadeiro interregno separa esses dois jogadores, entre os mais conhecidos do futebol mundial.” Não bastasse a babação, Dutra diz que “se pudesse agregar outras figuras, levaria junto o incrível Lamal e como concessão aos argentinos, a garra de uma figura como o arqueiro Dibu Martinez”, apesar do mundo todo ter visto e repudiado a violência e deslealdade do futebol argentino. Mas vale tudo se o objetivo for o de diminuir a Seleção Brasileira, até inventar uma “afro-Argentina” que só falta ser herdeira de Zumbi dos Palmares.
Como era esperado, o articulista fica com “Mbappé e Neymar como ilustrações das contradições de uma Copa repleta e marcada por contradições.” Para ele, “Neymar foi a cara de um Brasil derrotado. Uma seleção marcada pela apatia e pelo individualismo, sustentada pelos bilhões que rodam nas Bets.” Claro, o Itaú é pobre, e as outras seleções são patrocinadas pelo mercadinho da esquina.
Apesar de a maioria dos jogadores ser multimilionária e sabe-se lá a orientação política, Dutra diz que o brasileiro é “apoiador da extrema direita e dos seus valores, Neymar é arrogância de um futebol feio e precificado.” O que mostra que o articulista entende absolutamente nada de futebol. Neymar é elogiado por todos os grandes jogadores da atualidade por seu jogo bonito, incluindo Mbappé e Lamine Yamal, que se inspira no brasileiro e dedicou a ele a taça. Dutra deveria explicar, ou dar um exemplo, de qual futebol não é precificado nas grandes ligas. E quanto a Messi virar garoto-propaganda de “Israel”, alguma palavra?
A farsa é tão grande que Dutra escreve de Neymar que “sua última Copa encerra de forma lacônica uma carreira onde seu enorme talento individual contrasta com a incapacidade de triunfos coletivos.” Estranho, pois o jogador é o maior artilheiro da Seleção, além de ter sido fundamental para o Ouro Olímpico, um triunfo coletivo. Sem falar no que fez no Brasil e na Europa.
Após enumerar os grandes feitos de Mbappé, o articulista diz que “foi um dos pouquíssimos jogadores a se recusar a fazer propaganda para as bets, justificando que para as camadas trabalhadoras, para os colegas de bairro de onde ele vem, o vício no jogo é uma chaga.”
Parabéns para o jogador francês, que joga no Real Madrid, patrocinado pela Fly Emirates, uma empresa dos Emirados Árabes, que tem atacado o Irã a partir das bases militares dos EUA.
Na camisa do Real Madrid também consta a HP (Hewlett-Packard), que fornece tecnologia para “Israel” praticar seu genocídio na Faixa de Gaza.
A verdade é que a esquerda pequeno-burguesa não pensa com a própria cabeça, segue o que diz a grande imprensa e até inventa fatos para tentar justificar suas posições reacionária.
Interessa ao grande capital diminuir o futebol brasileiro para concentrar o esporte na Europa, onde está o dinheiro e os maiores lucros. E para isso pode contar com uma esquerda sempre a postos e obediente.





