Educação

Violência nas escolas é causada pelos bancos

Folha de S. Paulo reclama da violência nas escolas, mas ela é parte do problema, uma vez que é a favor do corte de gastos públicos em favor dos bancos

O Estado burguês é que promove a violência nas escolas

A burguesia causa os problemas sociais e depois os trata como se eles tivessem surgido do nada. O editorial “Escola sem violência”, da Folha de S. Paulo, publicado nesta terça-feira (28), se esquece de que as escolas são parte de uma sociedade, e tudo o que acontece fora se reflete lá dentro.

O texto começa tratando do tema, dizendo que “a partir da segunda metade do século 20, consolidou-se globalmente uma mudança no paradigma disciplinar da educação, com a passagem de um modelo hierárquico rígido e punitivo para outro centrado nos direitos da criança, na participação do estudante e em formas não violentas de disciplina”, para então concluir que “tal avanço civilizatório não implica falta de regras claras de conduta e de respeito a figuras de autoridade”, e que “o Brasil, porém, enfrenta dificuldades nessa seara.”

O problema é com as regras claras, ou com as “figuras de autoridade”? O que vem acontecendo nas escolas não pode se resumir a isso. A educação sofre de sucateamento há décadas. E tudo isso é resultado de uma política que a burguesia e seus porta-vozes, como a Folha de S. Paulo, apoiam: corte de gastos públicos.

Dilma Rousseff sofreu um golpe e uma das medidas que a burguesia exigiu de seu sucessor, golpista Michel Temer, foi impor o teto de gastos e atacar brutalmente os direitos trabalhistas. Hoje, a dívida pública no Brasil atingiu R$ 9,3 trilhões, graças à farra dos juros altos praticados pelo Banco Central “independente”, outra exigência do grande capital.

Como resultado, temos a falência da educação, da infraestrutura, da indústria, da saúde, etc. A ausência de direitos, empregos e perspectivas para a população tem aumentado a violência e isso envolve, necessariamente, as escolas.

Segundo o editorial, “relatos de agressões contra professores compõem um cenário de problema disciplinar revelado por pesquisas. O caso recente da professora Michele Ramos, que registrou boletim de ocorrência após alunos colocarem uma lâmina de vidro em seu copo de água durante a aula numa escola municipal de São José dos Campos (SP), é um deles.”

O que a Folha não diz é que os alunos também são agredidos diariamente, seja pelas péssimas condições de vida, seja pela polícia, a cada dia mais letal. As redes sociais estão repletas de vídeos e denúncias mostrando policiais agredindo idosos e até mulheres com crianças no colo. A impunidade, todos sabem, é a regra, pois a polícia está aí para isso.

Com relação à agressão contra Michele Ramos, no que diz respeito a seu salário aviltado, ambiente de trabalho, escolas sucateadas, não é possível fazer boletim de ocorrência, apesar de ser um crime.

A Folha informa que, “segundo levantamento do Centro do Professorado Paulista de 2025, 65% dos docentes já haviam sofrido alguma agressão no ambiente escolar e 74% não se sentiam seguros em sala de aula. A violência verbal representa 71% das agressões, seguida pela psicológica e moral (58%), institucional (27%) e física (19%).”

Seria preciso se perguntar se o ambiente familiar em que essas crianças e adolescentes vivem não é também violento. Mas a resposta já é conhecida. Além disso, a burguesia brasileira, a mando do imperialismo, está fechando o cerco sobre a juventude, querendo impedir até mesmo que acessem as redes sociais.

A maioria dos alunos sabe que, por mais que estudem, terão pouquíssimas chances de conseguir um emprego decente. Portanto, é natural que se rebelem contra a escola, uma vez que não têm consciência do problema real.

O editorial faz uma lista de problemas, diz que “pesquisa da OCDE de 2024 mostra que 47% dos professores brasileiros disseram que sofrer intimidação ou abuso verbal por alunos era uma fonte relevante de estresse, ante a média de 18% dos cerca de 50 países analisados.” Seria interessante uma pesquisa sobre o que os professores pensam do equipamento escolar, de seus vencimentos e carga horária de trabalho.

O Brasil é um dos países com maior desigualdade social, portanto, é natural que tenha “as maiores proporções de docentes que dizem perder muito tempo esperando os alunos se aquietarem (43%) ou por causa de interrupções (44%), enquanto as médias da OCDE são, respectivamente, de 15% e 18%.”

A Folha de S. Paulo não toca na questão, fica dando voltas e se limita a dizer que “casos graves de violência devem ser tratados por meio de investigação policial. Mas a situação mostra que são necessárias ações de prevenção e responsabilização e para que o ambiente em sala de aula se torne mais tranquilo; os pais também precisam atuar no campo disciplinar.”

O que os pais vão fazer se também sofrem a violência cotidiana no Brasil? “Prevenção”, “responsabilização”, são palavras vazias. O problema está na dívida pública. É preciso parar de pagar os juros que consomem R$ 7 bilhões por dia do Estado para aplicar na industrialização do País, na educação, na saúde, na construção de centros esportivos e de lazer. Sem isso, o máximo que se terá é a repetição da mesma ladainha da “prevenção”, “responsabilização”.

A culpa da violência nas escolas é da burguesia, é ela que levou a educação ao caos em que se encontra hoje. É preciso esquecer essa conversa fiada de “recomendações, como a criação de protocolos específicos para agressões, de mecanismos nacionais e estaduais acessíveis de notificação, encaminhamento e monitoramento dos casos e de programas com atividades de cooperação, gestão de conflitos, autocuidado e reconhecimento das emoções.”

Se “especialistas também apontam a necessidade de maior integração entre a escola e as famílias, além da valorização dos professores e do ensino, já que a política disciplinar perde eficácia com salas superlotadas, grande rotatividade docente, infraestrutura precária e ausência de atendimento especializado.” É preciso resolver isso, o que implica em investimentos públicos, e o não pagamento de juros criminosos aos bancos, coisa que a Folha de S. Paulo é contra, pois, para ela, os bancos vêm em primeiro lugar.

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