Dirigentes do PSB de Minas Gerais não querem que o partido indique o candidato a vice-governador na chapa de Patrus Ananias, do PT. O motivo é o temor de que uma ligação direta com a campanha petista afaste eleitores de direita de seus candidatos à Assembleia Legislativa e à Câmara dos Deputados.
Segundo informação divulgada pelo G1, o PSB mineiro aceita apoiar formalmente Ananias, mas prefere receber a candidatura ao Senado. Dessa forma, a legenda aproveitaria os votos e a estrutura da coligação sem obrigar seus candidatos proporcionais a aparecerem ao lado do PT e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A posição constitui uma sabotagem à candidatura petista. O partido que se apresenta nacionalmente como aliado do PT recusa-se a ocupar a vice-governadoria porque considera prejudicial ser identificado com Lula entre os setores mais direitistas do eleitorado mineiro.
A disputa pelo governo estadual permanece aberta. O senador Cleitinho lidera as pesquisas, mas ainda não decidiu se concorrerá ao governo ou ao Senado. Sem ele, os demais nomes aparecem embolados, em geral na faixa dos 10% das intenções de voto.
PSB quer os votos de Lula, não votos para Lula
Não é a primeira vez que partidos da frente ampla procuram usufruir da popularidade de Lula sem apoiar verdadeiramente o PT. Na eleição anterior, candidatos a deputado chegaram a abrir mão de participar do horário eleitoral para não serem vistos ao lado do líder petista.
O PSB repete agora a mesma política. Quer negociar uma posição de destaque na chapa, receber o apoio do PT e aproveitar a votação de Lula, mas rejeita a vice-governadoria porque seus candidatos temem perder votos entre os setores da direita.
A direção nacional do partido oportunista negocia com Lula e com o vice-presidente Geraldo Alckmin um acordo para as eleições estaduais. A presidente do PSB participa diretamente das conversas sobre a divisão das candidaturas pelo País, inclusive em Minas Gerais. No estado, entretanto, os dirigentes procuram reduzir ao máximo sua identificação com a candidatura petista.
O apoio oferecido pelo PSB depende, portanto, da vantagem que a legenda espera retirar da frente ampla. Onde Lula pode transferir votos, o partido reivindica cargos e candidaturas. Onde a presença do PT pode desagradar à direita, procura sabotar a unidade.
Abrigo para a velha direita
Apesar do nome, o PSB não é um partido socialista nem de esquerda. Trata-se de uma organização burguesa de direita e sionista (um de seus principais quadros é Tabata Amaral, autora do PL da Mordaça contra os defensores da Causa Palestina) que utiliza uma aparência esquerdista para negociar posições com o PT e abrigar políticos rejeitados pelo eleitorado.
Geraldo Alckmin é o exemplo mais evidente. Durante décadas, foi um dos principais dirigentes do PSDB, governou São Paulo em benefício dos grandes capitalistas e enfrentou Lula na eleição presidencial de 2006, tendo sido um dos responsáveis pela ascensão do bolsonarismo. Depois do desmoronamento dos tucanos, filiou-se ao PSB e foi transformado em companheiro de chapa do presidente.
Márcio França percorreu caminho semelhante. Também oriundo do PSDB, encontrou no PSB uma nova legenda sem abandonar a política tucana. Sua mudança partidária serviu apenas para adaptar sua apresentação eleitoral à frente organizada pelo PT.
Ao lado deles está Simone Tebet, do MDB. Representante dos interesses do latifúndio de Mato Grosso do Sul, Tebet teve sua candidatura presidencial apoiada pelo PSDB em 2022. Depois da eleição, recebeu um ministério no governo Lula e passou a ser apresentada como integrante do campo “democrático”.
Da mesma maneira, Soraya Thronicke é a mais nova latifundiária de direita que, na tentativa de se reciclar, transfere-se para o PSB e recebe a bênção de Lula.
São políticos tradicionais ligados ao grande capital e aos grandes proprietários de terra. Vieram do PSDB e do MDB, partidos responsáveis pelo golpe de 2016, pelo governo de Michel Temer e pela aplicação de uma política neoliberal contra os trabalhadores.
A filiação de Alckmin e França ao PSB não transformou tucanos em socialistas. Apenas forneceu uma nova embalagem para políticos cuja antiga legenda havia se tornado eleitoralmente inviável.
Frente ampla ressuscita partidos rejeitados
A direção do PT justifica a aproximação com esses setores em nome da luta contra o fascismo. Sob esse pretexto, partidos burgueses, golpistas e neoliberais passam a ser apresentados como defensores da democracia.
Essa política não fortalece o PT. Ela resgata figuras que haviam caído no descrédito por causa dos ataques que promoveram contra os trabalhadores. Alckmin, França, Tebet e outros representantes da direita tradicional utilizam a força eleitoral de Lula para recuperar cargos e influência.
Em troca, pressionam o PT a abandonar suas próprias candidaturas, moderar seu programa já absurdamente rebaixado e entregar posições importantes nas chapas estaduais. O episódio de Minas Gerais mostra que nem mesmo essa capitulação garante fidelidade.
O PT imagina receber o apoio da direita tradicional, quando é essa direita que se beneficia da popularidade de Lula. Seus dirigentes conquistam ministérios, candidaturas e espaço político, mas abandonam o partido assim que a ligação com a esquerda ameaça afastar seus eleitores de direita e o apoio da burguesia.
Para o trabalhador, o resultado é desastroso. O eleitor que procura no PT uma alternativa à direita encontra o partido cercado pelos mesmos políticos que apoiaram o golpe, governaram com o PSDB e o MDB e defenderam os interesses dos banqueiros e do latifúndio.
Esses pistoleiros políticos não se tornaram aliados dos trabalhadores. Apenas trocaram de legenda e passaram a utilizar o PT como instrumento para recuperar o terreno perdido.
Em Minas Gerais, o PSB quer a candidatura ao Senado, os votos de Lula e a estrutura da coligação. O que não quer é aparecer ao lado de Patrus Ananias como parte da chapa petista, sabotando assim a chamada unidade democrática contra o fascismo.



