Em entrevista à agência TASS nesta quarta-feira (29), o chanceler russo, Serguei Lavrov, denunciou que os países da OTAN tentam impor a Moscou um “ultimato” disfarçado de proposta de paz: primeiro, um cessar-fogo imediato; depois, a ocupação do território ucraniano por uma “força multinacional” liderada por França e Reino Unido; por fim, negociações sob a mira das baionetas estrangeiras.
“O que isso significa? É um ultimato”, afirmou Lavrov, deixando claro que a Rússia não aceitará uma trégua que mantenha no poder o “regime nazista” de Quieve e ignore a vontade das populações das ex-repúblicas ucranianas que, por meio de referendos, escolheram integrar a Federação Russa. O chanceler lembrou que Moscou já foi “enganada” uma vez, durante as frustradas negociações de Istambul, em 2022 — quando retirou tropas dos arredores de Quieve como “gesto de boa vontade” e viu o acordo ruir por sabotagem imperialista.
A investida do imperialismo, porém, vai muito além da Ucrânia. Lavrov denunciou que “todo o Ocidente se uniu contra a Rússia” e que os países imperialistas não escondem mais seu objetivo final: o “desmembramento” do país. “Isso não é motivo de riso”, alertou o ministro, ao descrever a guerra como uma agressão imposta à Rússia pelo imperialismo. Segundo ele, a verdadeira mira de Washington e seus satélites é a própria soberania russa — e, para isso, usam a Ucrânia como bucha de canhão, fornecem armas e financiam grupos antirrussos no exterior, numa feroz guerra por procuração.
O imperialismo quer que o povo russo se volte contra seu governo, que a sociedade se fragilize e que o país se despedace sob o peso da guerra. Mas a Rússia, como lembrou Lavrov, não abriu mão de seus princípios nem da condição de “potência independente” capaz de determinar seu próprio destino.





