Os Estados Unidos e a Arábia Saudita bombardearam, na madrugada desta quarta-feira (29), posições militares em diversas regiões do Iraque. Entre os locais atingidos está um acampamento das Forças de Mobilização Popular (FMP) na planície de Nínive, no norte do país.
De acordo com a rede Al Mayadeen, também foram registradas explosões ao norte da província de Babilônia e na região de Zab, em Kirkuk. Sedes militares em al-Suwaira, na província de Wasit, e em al-Deir, na província de Baçorá, foram atacadas. Outro bombardeio ocorreu ao norte de Karbala.
Até a publicação desta matéria, não havia informações sobre mortos ou feridos.
Sauditas participam diretamente dos ataques
O Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) confirmou a agressão e declarou que havia atacado grupos iraquianos ligados ao Irã. Segundo Washington, essas organizações seriam responsáveis por ações contra tropas norte-americanas e contra a infraestrutura petrolífera da Arábia Saudita.
O Ministério da Defesa saudita também assumiu os bombardeios. Em comunicado, informou que suas Forças Armadas agiram em coordenação com o Centcom contra posições de forças pró-iranianas no Iraque.
O regime de Riade afirmou que os alvos estariam ligados aos recentes ataques contra instalações de petróleo sauditas. Não apresentou, porém, qualquer prova da acusação.
A participação saudita amplia a guerra conduzida pelos Estados Unidos na região. Sob o comando de Washington, uma monarquia árabe atacou o território de outro país árabe para atingir organizações que fazem parte das forças de segurança iraquianas.
As Forças de Mobilização Popular foram incorporadas oficialmente ao aparato militar do Iraque e tiveram papel decisivo no combate ao Estado Islâmico. Em março, o próprio governo iraquiano reconheceu as FMP como um dos pilares da segurança nacional e autorizou suas unidades a reagir contra ataques estrangeiros.
Resistência nega ataque à Arábia Saudita
A Resistência Islâmica no Iraque rejeitou a acusação saudita de que teria atacado o território do reino.
Segundo a organização, Riade procura atribuir aos iraquianos os ataques realizados pelas forças do Iêmen contra instalações sauditas. O objetivo seria encobrir a incapacidade do regime de responder aos golpes sofridos na Província Oriental e na capital.
As acusações, afirmou a Resistência, são uma “tentativa de justificar a incapacidade de responder aos dolorosos ataques iemenitas que atingiram profundamente sua infraestrutura na Província Oriental e em Riade, por medo da natureza da próxima resposta iemenita”.
A organização advertiu ainda que “qualquer ação insensata da Arábia Saudita será recebida com uma resposta que os fará morder os dedos de arrependimento”.
O governo saudita vem sofrendo ataques do Iêmen em meio à guerra regional e ao apoio prestado aos Estados Unidos. Em vez de apresentar provas contra a Resistência iraquiana, Riade aderiu aos bombardeios norte-americanos e levou a agressão para dentro do Iraque.
Iêmen condena agressão ao Iraque
O partido Ansar Alá condenou os bombardeios norte-americanos e sauditas e classificou a operação como “um ataque flagrante contra a soberania e o povo do Iraque, com todos os seus componentes e orientações”.
A organização afirmou que o governo, o exército, o povo e a Resistência iraquianos têm o direito de responder à agressão. Também manifestou a solidariedade do povo iemenita ao Iraque.
Na mesma madrugada, as Forças Armadas do Iêmen derrubaram um avião não tripulado de reconhecimento Karayel pertencente à Arábia Saudita. Segundo o porta-voz militar iemenita, brigadeiro-general Iahia Sareé, o aparelho realizava atividades hostis sobre a província de Saada quando foi abatido.
Saré declarou que as Forças Armadas continuarão defendendo a soberania do país e ressaltou que o Iêmen possui o direito legítimo de responder a qualquer violação de seu território.
Irã nega ligação com ataques à Arábia Saudita
Uma autoridade militar iraniana declarou à televisão estatal que o país não possui relação com projéteis disparados de outros territórios contra a Arábia Saudita.
“Não temos qualquer ligação com projéteis lançados de outros países contra alvos na Arábia Saudita”, afirmou. A autoridade advertiu que atribuir automaticamente ao Irã toda ação contra interesses norte-americanos na região seria “um grande erro de cálculo”.
A declaração iraniana se refere especificamente às acusações sauditas. Horas depois, o Corpo de Guardas da Revolução Islâmica (CGRI) confirmou uma operação distinta contra posições militares dos Estados Unidos na Jordânia.
CGRI ataca base norte-americana na Jordânia
A Força Aeroespacial do CGRI lançou vários mísseis balísticos contra uma base aérea norte-americana e um centro de comando do Centcom instalados em território jordaniano.
Segundo o CGRI, a operação foi uma resposta às ameaças dos Estados Unidos e à ingerência contra os interesses iranianos.
“É preciso pôr fim às ameaças das autoridades norte-americanas e à sua interferência ilegal em nossos interesses”, declarou a organização.
O CGRI afirmou ainda que as operações continuarão enquanto Washington mantiver sua política de ameaças e agressões.
“Enquanto continuarem as ameaças, juntamente com medidas ilegais e ações agressivas, a resistência também continuará”, afirmou.
Antes da reivindicação oficial, diversas explosões haviam sido ouvidas nos céus da Jordânia. A agência iraniana Fars e o portal norte-americano Axios informaram que mísseis balísticos haviam sido lançados contra uma instalação militar dos Estados Unidos no país.
A base aérea de al-Azraq já havia sido atingida anteriormente devido à estrutura de comando e controle que oferece à Força Aérea norte-americana.
Netaniahu procura apoio para nova agressão
O ataque ocorreu enquanto Benjamin Netaniahu estava em Washington buscando apoio para retomar a agressão contra o Irã.
Segundo o Canal 12 de “Israel”, a Casa Branca vinha demonstrando pouca disposição para receber Netaniahu. A reunião com o presidente Donald Trump somente teria sido aceita depois que Washington exigiu que o primeiro-ministro chegasse aos Estados Unidos apresentando alguma concessão.
A mensagem transmitida por diferentes canais diplomáticos teria sido direta: caso Netaniahu pretendesse chegar “de mãos vazias”, a reunião não aconteceria.
Após consultas com o governo norte-americano, Netaniahu convocou uma reunião emergencial de seu gabinete e aprovou a entrada de uma força internacional em Gaza, embora o Hamas não tenha deposto suas armas.





