América do Sul

Chavistas protestam nas ruas contra a presença de tropas de EUA e ‘Israel’ na Venezuela

Coletivos denunciam que os terremotos estão sendo usados como pretexto para introduzir forças imperialistas no país

Movimentos populares chavistas realizaram, no último final de semana, manifestações em diversas localidades da Venezuela contra a entrada de militares dos Estados Unidos e de “Israel” no país. Em Caracas, organizações comunitárias e coletivos urbanos se concentraram por dois dias consecutivos na Praça Bolívar, no centro da capital.

Durante o ato, foram queimadas bandeiras norte-americanas e israelenses. Os manifestantes também pisotearam fotografias do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netaniahu, enquanto gritavam “gringos, go home” e “isto não é ajuda, é uma ocupação”.

A convocação circulou pelas redes sociais com a palavra de ordem: “a pátria se defende. Contra a presença ianque e sionista na pátria de Bolívar e Chávez”.

O protesto contrariou abertamente a orientação adotada pelo governo interino de Delcy Rodríguez. Desde o sequestro de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos, em 3 de janeiro, a direção do governo chavista vem aprofundando a aproximação com Washington e apresentando essa política como uma tentativa de cooperação e diálogo.

Terremotos servem de pretexto

Os contingentes estrangeiros entraram na Venezuela após os terremotos de magnitude 7,2 e 7,5 registrados em 24 de junho. Os abalos, os mais graves ocorridos no país em mais de um século, destruíram parte da infraestrutura e deixaram mais de 5.500 mortos.

Sob o pretexto de integrar equipes internacionais de busca, atendimento médico e avaliação dos danos, os Estados Unidos enviaram militares vinculados ao Comando Sul, órgão responsável pelas operações militares norte-americanas na América Latina e no Caribe.

Militares e funcionários israelenses também chegaram ao país como integrantes de delegações médicas e de engenharia. Representantes de “Israel” chegaram a se reunir com Delcy Rodríguez, que assumiu interinamente a Presidência após o sequestro de Maduro.

A entrada dos israelenses chama particularmente a atenção porque as relações diplomáticas entre Caracas e “Israel” estão rompidas desde 2009. Naquele ano, o governo de Hugo Chávez expulsou o embaixador israelense em protesto contra a matança promovida pelo Estado sionista na Faixa de Gaza.

Os manifestantes denunciaram que a tragédia causada pelos terremotos está sendo aproveitada para estabelecer dentro da Venezuela forças ligadas aos mesmos países responsáveis pelo cerco econômico, pelas sanções e pelo ataque militar contra o país.

Mudança na política externa

A aproximação com os Estados Unidos também avançou na estrutura da chancelaria. Delcy Rodríguez criou o cargo de primeiro vice-ministro das Relações Exteriores e nomeou Oliver Blanco para a função.

Blanco continuará exercendo o posto de vice-ministro para a América do Norte e a Europa, acumulando a responsabilidade de promover investimentos estrangeiros e o comércio exterior. Com a mudança, o setor encarregado das relações com Washington passa a ocupar uma posição ainda mais importante na diplomacia venezuelana.

A nomeação também causou desconforto porque Blanco é apontado como o primeiro integrante do governo chavista oriundo diretamente das fileiras da oposição.

As manifestações mostram que a entrada de militares norte-americanos e israelenses, somada às demais medidas capituladoras adotadas após o sequestro de Maduro, está ampliando o descontentamento entre os militantes de base do chavismo.

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