Uma circular enviada pelo Itamaraty às missões brasileiras em 27 de março de 1941 comunicou que o mercante Taubaté havia sido atacado no Mediterrâneo. O documento registrou um tripulante morto e oito feridos. A vítima fatal foi José Francisco Fraga, conferente do Lloyd Brasileiro. Naquela data, o Brasil ainda mantinha relações diplomáticas com a Alemanha e não participava oficialmente da Segunda Guerra Mundial.
O ataque ocorrera cinco dias antes, durante uma viagem entre Chipre e Alexandria. O Taubaté tinha bandeiras brasileiras pintadas nos lados do casco. Conforme os registros históricos reunidos pela Revista Sociedade Militar, uma aeronave se aproximou da embarcação, lançou bombas e disparou rajadas de metralhadora. O comandante Mário Fonseca Tinoco afirmou ter identificado insígnias da aviação militar alemã.
Estilhaços danificaram o navio e deixaram o leme inoperante. Mesmo assim, a tripulação conseguiu levá-lo até Alexandria. Ali, o mercante passou por reparos e os feridos receberam tratamento. O governo brasileiro apresentou uma nota de protesto; a Alemanha respondeu que examinaria o caso. As relações diplomáticas continuaram por mais alguns meses.
O rompimento brasileiro com as potências do Eixo veio em janeiro de 1942. Só em agosto, após outros ataques a navios nacionais, o País reconheceu o estado de beligerância e decretou guerra contra Alemanha e Itália. Fraga havia morrido mais de 17 meses antes dessa decisão.
A tripulação do Taubaté já enfrentava os riscos da guerra enquanto o governo discutia sua posição diplomática. Recordar o ataque também é recordar o trabalho da Marinha Mercante, frequentemente deixado à margem da história contada a partir dos combates da Força Expedicionária Brasileira na Itália. O primeiro morto daquele navio era um trabalhador em viagem comercial sob bandeira brasileira.





