Em 1967, a Mosfilm lançou Viy, adaptação para o cinema de uma história de Gógol sobre bruxas e uma criatura capaz de matar com o olhar. O filme soviético recuperou personagens e imagens que circulavam muito antes da invenção do cinema. A própria Mosfilm registra a popularidade da obra e sua distribuição para outros países.

As histórias de terror russas nasceram de experiências e crenças populares. Havia seres ligados à floresta, ao trabalho no campo e aos banhos públicos. Alguns puniam quem desobedecia a certas regras; outros podiam tanto ameaçar quanto ajudar. Baba Iaga permaneceu entre as figuras mais conhecidas porque não se deixa reduzir a uma simples vilã.

A literatura deu outros destinos a esse material. Púchkin misturou fantasma e cobiça em A dama de espadas. Gógol levou a bruxa e o monstro de Viy para uma história que seria filmada mais de um século depois. Um artigo da RT percorre essas mudanças e interpreta a presença recorrente do medo e da punição nas narrativas russas.

As obras atravessaram séculos porque foram modificadas por quem as contou, escreveu e filmou. Conhecer esse percurso exige olhar para os personagens e para os artistas, inclusive os soviéticos. O cinema de 1967 não apagou a história que vinha do folclore; deu-lhe uma nova forma.





