O artigo Mandato da Bancada Feminista do PSOL aciona o MPE contra Flávio Bolsonaro, publicado no sítio Esquerda Online nesta segunda-feira (27), revela que a esquerda pequeno-burguesa, que insiste em se dizer revolucionária, recorre ao Estado burguês e às suas instituições para resolver suas questões políticas.
Além disso, são defensores da democracia burguesa, não do socialismo.
São três parágrafos apenas e o primeiro diz que “a Bancada Feminista do PSOL – mandato coletivo formado por cinco mulheres negras na Assembleia Legislativa de São Paulo (ALESP), acionou o Ministério Público Eleitoral (MPE) com um pedido de abertura de procedimento investigatório eleitoral após a exibição, durante a Convenção Nacional do PL, realizada na sexta-feira (25), de um vídeo produzido com inteligência artificial e atribuído ao ex-presidente Jair Bolsonaro. No evento, também foi oficializada a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República.”
Para a direita, a ação da bancada é até favorável, visto que a candidatura de Flávio Bolsonaro tem sido sistematicamente combatida pela grande imprensa, que busca um candidato de terceira via. O Estadão publicou na segunda-feira (20) um editorial intitulado “Uma chance de ouro para a direita”. O texto defende que a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência está enfraquecida, enquanto Lula amplia sua vantagem nas pesquisas, e argumenta que o senador não consegue ampliar seu apoio para além da base bolsonarista nem unificar a direita.
Segundo o editorial, Jair Bolsonaro mantém o filho na disputa principalmente para preservar a influência política da família, mesmo que isso reduza as chances de vitória da oposição. Diante desse cenário, o Estadão sustenta que a direita deveria abandonar a dependência do clã Bolsonaro e se unir em torno de um novo candidato com maior potencial para derrotar Lula e promover mudanças na condução do País.
Chama a atenção também que no primeiro parágrafo o Esquerda Online ataque a inteligência artificial, uma tecnologia que tem sido alvo do imperialismo, uma vez que essa ferramenta pode melhorar o poder da esquerda de produzir materiais com custos baixíssimos e alcançar mais pessoas.
O caso
No segundo parágrafo, o grupo diz que “a representação direcionada ao Procurador Regional Eleitoral de São Paulo requer a apuração dos fatos, com sugestão de abertura de procedimento investigatório eleitoral, em função do uso de vídeo feito por inteligência artificial com a imagem e a voz de Jair Bolsonaro e o conteúdo foi compartilhado em plataformas digitais sem o aviso sobre o uso de IA. No vídeo simulação o ex-Presidente declara apoio ao filho, o apresenta como sucessor e afirma que a sua prisão é injusta.”
A restrição do uso de IAs, uma clara ingerência do Estado burguês sobre as eleições e como devem agir os partidos, como se vê, é aceita pelo Esquerda Online integralmente. Essa é a esquerda que acreditou que Jair Bolsonaro se elegeu em função de mensagens disparadas pelo WhatsApp, e não porque foi montado um esquema golpista que contou até com a prisão de Lula e proibição de que desse entrevistas ou aparecesse no material de divulgação do outro candidato petista, Fernando Haddad. Tudo, é claro, com o Judiciário espancando a Constituição.
“A ação” – continua o texto – “pede a instauração de procedimento investigatório para apurar a possível ocorrência de abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação. Caso sejam constatados indícios de irregularidades, requer que o Ministério Público Eleitoral proponha uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE).”
É bizarro, mas isso é o que faz um grupo “revolucionário”. Uma gente que age como se estivesse no controle do Estado e como se o PT nunca mais venha a deixar o governo. Amanhã, os próximos governos vão utilizar esses mesmos recursos autoritários contra a esquerda, e haverá choro e ranger de dentes.
Há no artigo várias imagens e uma que mostra uma postagem da Bancada Feminista do PSOL na qual se lê o seguinte: “Muito mais que uma disputa eleitoral, a convenção do PL escancarou a articulação internacional de um projeto autoritário, racista e inimigo das mulheres e da democracia.
Ao lado de Flávio Bolsonaro, Javier Milei atacou instituições brasileiras e Benjamin Netanyahu, um criminoso de guerra, enviou um vídeo declarando apoio ao filho de Bolsonaro.
Precisamos combater essa corja!”
Houve também uma articulação internacional para interferir nas eleições, que primeiro deu o golpe depondo Dilma Rousseff para em seguida levar Bolsonaro ao poder, ainda que o plano inicial fosse colocar um tucano no Palácio do Planalto.
O plano foi orquestrado e dirigido pelo Partido Democrata dos Estados Unidos, do qual essa esquerda ‘revolucionária’ se transformou em um mero apêndice.
A utilização das instituições burguesas é extremamente reacionária e fatalmente se voltará contra a esquerda, como a história demonstrou em inúmeras oportunidades.





