Polêmica

Tabata Amaral e MES-PSOL de mãos dadas pela repressão

Esquerda identitária, atrás de votos, quer aprovar o PL da Misoginia que, além de não proteger as mulheres, só vai aumentar o poder do Estado e colocar pobre na cadeia

Prisão

O artigo Aprovar o PL da Misoginia é derrotar a extrema direita, publicado no sítio Revista Movimento (MES-PSOL) nesta segunda-feira (27), e assinado por Tamires Arantes e Yasmin Loureiro, é mais um passo em direção ao fracasso da esquerda que só pensa em punir e que acredita que mais cadeia servirá para solucionar problemas sociais.

No primeiro parágrafo, dizem que “nos últimos meses, acompanhamos uma onda de feminicídios em todo o país. (…) Foi no contexto dessas mobilizações que ganhou força a reivindicação pela criminalização da misoginia, articulada não apenas ao aumento dos feminicídios, mas também ao crescimento da influência dos chamados red pills e de outros movimentos masculinistas da chamada machosfera nas redes sociais. Esses grupos promovem cursos, difundem conteúdos que alimentam o ódio às mulheres e às feministas e reforçam a ideia de que a dominação masculina é natural e desejável.”

Se, após a aprovação da Lei Maria da Penha, do aumento de pena máxima de trinta para quarenta anos de prisão, e os assassinatos de mulheres não diminuíram, mas aumentaram, o mínimo que a esquerda deveria fazer é parar e pensar, pois as medidas não estão dando resultado. Em vez disso, querem criar mais crimes e mais punições. Insistem no erro.

A própria direita, a maior interessada no aumento da repressão, já está reconhecendo que não adianta. O editorial do Estadão desta segunda-feira (27), “Muita lei, pouca proteção”, consegue ter mais lucidez que essa esquerda identitária e chave de cadeia, e diz que “o Brasil não sofre de falta de instrumentos legais. Depois de quase duas décadas da Lei Maria da Penha, sancionada em 2006, o País dispõe de mecanismos para proteger vítimas, afastar agressores e responsabilizá-los. Mas o problema deixou de ser normativo. Medidas protetivas são descumpridas, o monitoramento dos agressores permanece insuficiente, a integração entre polícia e Justiça apresenta falhas e a resposta estatal continua lenta para mulheres que já pediram ajuda.”

Enquanto a esquerda eleitoreira fica insistindo em “misoginia” para conseguir votos, a direita é realista e diz que “o feminicídio costuma ser uma morte anunciada. O crime representa o desfecho de um longo ciclo de violência doméstica.” – grifo nosso.

Por que aumenta a violência doméstica? Essa é a questão. O aprofundamento das desigualdades sociais, famílias cada vez mais endividadas, falta de perspectiva e os juros bancários altíssimos estão na raiz do problema. Em vez de combater, denunciar esse absurdo, a esquerda pequeno-burguesa quer aumentar as punições. Já não basta o trabalhador ser esmagado pela pobreza e pelas más condições de vida, é preciso pisar ainda mais forte e fazer com que ele apodreça nesses campos de concentração e de tortura que são as cadeias.

No intuito de justificar sua sanha persecutória, os identitários começaram a criar alarde em torno de palavras como “machosfera” e “red pill”. Grupos, até então residuais ou marginais, começaram a ganhar visibilidade e interesse. Então, indivíduos que, por algum motivo, não gostam das mulheres ou se sentem incomodados com o feminismo, etc., começaram a ter uma sensação de importância e pertencimento.

É sabido que a publicidade acaba tendo um efeito negativo em diversas situações. Descobriu-se, por exemplo, que quando a televisão fazia reportagens com pessoas tentando o suicídio, a exposição, os “minutos de fama”, acabavam estimulando outras pessoas a fazerem o mesmo.

Na era da internet, tentar proibir, reprimir ou regular de forma muito agressiva uma ideia ou subcultura causa frequentemente o oposto do pretendido. Esse comportamento é impulsionado pela reatância psicológica — uma reação natural do ser humano quando sente que sua liberdade de expressão ou de pensamento está sob ameaça. Quando o Estado ou a grande imprensa rotulam agressivamente um grupo ou um termo, os integrantes desse nicho tendem a radicalizar seu discurso como forma de resistência ou “desafio” à autoridade.

O imperialismo diz combater o fundamentalismo, assim a esquerda pequeno pequeno-burguesa segue seu mestre e também o faz. Dizem que “parlamentares da bancada fundamentalista apresentaram à Comissão de Segurança Pública um requerimento de emenda propondo incluir o seguinte parágrafo no artigo 20 da Lei Caó: ‘§ 5º Não configura o crime previsto neste artigo a manifestação de opinião, convicção religiosa, filosófica, científica, acadêmica ou política, desde que não constitua incitação direta e inequívoca à violência ou à prática de discriminação vedada por esta Lei.’”

Em março de 2026, o Senado Federal aprovou por unanimidade (67 votos a favor e nenhum contra) o PL 896/2023, de autoria da senadora Ana Paula Lobato. O texto equipara a misoginia (ódio ou aversão às mulheres) aos crimes de preconceito da Lei do Racismo, tornando a prática inafiançável e imprescritível, com penas de 2 a 5 anos de reclusão.

No início de julho de 2026, os deputados aprovaram o regime de urgência por 293 votos a favor contra 158. Isso permitiu que a proposta pulasse comissões e fosse direto ao Plenário.

Parlamentares da bancada conservadora e cristã opuseram resistência. O principal argumento é o receio de que o texto possa ser usado para limitar a liberdade de expressão ou de manifestação religiosa. No que estão certos. Existem diversas partes nas escrituras que podem facilmente ser tratadas como “misoginia”.

Conforme se viu na votação do Senado, a direita aprova esse Projeto de Lei que já está sendo capitalizado por outras figuras reacionárias, como a deputada Tabata Amaral (PSB-SP), que no texto é identificada como “feminismo liberal”, e acusada de buscar “se associar a essa mobilização, procurando assumir protagonismo sobre uma pauta construída coletivamente pelo movimento de mulheres.”

No entanto, não é isso que está acontecendo. Existe, de fato, uma similaridade entre o identitarismo, a esquerda repressora e Tabata Amaral, uma deputada que apoia o Estado genocida de “Israel”, e é responsável por um PL que quer impedir justamente estes que mais mutilam e matam mulheres no mundo.

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