O Conselho Governamental de Relações Exteriores e Defesa da Grécia aprovou 11 programas de aquisição militar no valor total de 4,2 bilhões de euros. A maior parte dos recursos será destinada a um sistema integrado de defesa aérea desenvolvido por empresas de “Israel”.
Segundo o jornal grego Ekathimerini, o chamado Escudo de Aquiles custará 3,1 bilhões de euros, aproximadamente US$3,5 bilhões. O valor corresponde a cerca de 73% de todo o pacote militar aprovado pelo governo grego. A previsão é de que o sistema seja entregue em até 35 meses após a assinatura do contrato.
O Escudo de Aquiles foi projetado para interceptar aeronaves, drones, mísseis de cruzeiro e mísseis balísticos. A estrutura reunirá três plataformas israelenses: Spyder All In One, Barak MX e David’s Sling.
Cada uma delas é destinada a um tipo de ameaça e a uma faixa distinta de alcance. O Spyder será empregado contra alvos aéreos de curta distância; o Barak MX cobrirá um raio maior de interceptação; e o David’s Sling ficará responsável por ameaças de longo alcance, como mísseis balísticos e de cruzeiro.
A integração dos três sistemas permitirá a formação de camadas sobrepostas de defesa aérea, em vez de uma única linha de interceptação. O programa também prevê a modernização de equipamentos antidrones já instalados em ilhas do leste do Mar Egeu, região em que a Grécia denuncia violações frequentes de seu espaço aéreo.
Doze empresas gregas deverão participar da implantação do Escudo de Aquiles. As negociações reservaram mais de 700 milhões de euros, cerca de US$ 800 milhões, para atividades industriais realizadas no próprio país.
O montante corresponde a aproximadamente um quarto do valor do sistema. A exigência busca desenvolver capacidade local de fabricação, integração e manutenção, reduzindo a dependência de fornecedores estrangeiros após a entrega dos equipamentos.
Apesar dessa participação, a tecnologia central continuará sob controle de empresas israelenses. A Grécia dependerá dos fabricantes para componentes, atualizações, treinamento e suporte técnico de longo prazo.
O restante do pacote militar inclui a compra de três aeronaves de transporte Embraer C-390, por meio de um acordo entre a Grécia e Portugal. O negócio está avaliado em aproximadamente 600 milhões de euros, ou US$ 690 milhões.
Também foram aprovadas dez embarcações VICTA para operações especiais, por 145 milhões de euros; a recomposição dos estoques de mísseis Hellfire, por 100 milhões de euros; e a aquisição de dez sistemas aéreos não tripulados V-BAT, por 70 milhões de euros.
A lista inclui ainda drones HERON-1, microssatélites equipados com radares de abertura sintética, equipamentos de visão noturna para o Exército e modernizações dos sonares de quatro fragatas da classe MEKO pertencentes à Marinha grega.
A compra amplia a relação militar entre a Grécia e “Israel”, aprofundada ao longo dos últimos anos. Em 2020, o governo grego começou a arrendar drones Heron produzidos por empresas israelenses.
No ano seguinte, os dois governos assinaram um acordo de aproximadamente US$ 1,6 bilhão para a construção de um centro de treinamento de pilotos na Grécia. O projeto utiliza aeronaves e sistemas vinculados à empresa israelense Elbit Systems.
Também em 2021, Grécia, Chipre e “Israel” estabeleceram um acordo de cooperação militar tripartite. Desde então, os três mantêm exercícios e iniciativas conjuntas no Mediterrâneo Oriental.
Em 2023, a Grécia acrescentou ao seu arsenal drones Orbiter-3 e mísseis Spike NLOS, também fabricados por empresas israelenses. O novo escudo aéreo representa, contudo, uma mudança de escala, tanto pelo valor quanto pelo grau de integração das forças gregas à indústria militar de “Israel”.
A aquisição faz parte de um plano de modernização anunciado em 2025, estimado em cerca de US$ 27 bilhões para a próxima década. Trata-se do maior programa de reequipamento das Forças Armadas gregas na história recente do país.
O plano inclui ainda negociações para a compra de 36 sistemas israelenses de artilharia de foguetes PULS. Caso o negócio seja concluído, a dependência grega de armamentos e tecnologias produzidos por “Israel” será ampliada nos setores de defesa aérea, drones, mísseis e artilharia.





