Eleições 2026

Flávio Bolsonaro e o sionismo

Vídeo de Benjamin Netaniahu na convenção do PL coroou uma sequência de viagens e compromissos do senador com o governo de “Israel”

O primeiro-ministro de “Israel”, Benjamin Netaniahu, participou por vídeo da convenção nacional do Partido Liberal realizada no sábado (25), em São Paulo, e declarou apoio à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro. A mensagem foi exibida no evento que oficializou o senador como candidato do partido ao Palácio do Planalto.

“Quero parabenizar você e o lançamento oficial da sua campanha. Você é um grande campeão do Brasil, um grande campeão da amizade entre nossos povos, e eu sei que você levará o Brasil a patamares mais elevados”, afirmou Netaniahu.

Nos meses anteriores, Flávio Bolsonaro realizou viagens, encontrou-se com autoridades israelenses e assumiu compromissos públicos para alterar a política externa brasileira caso seja eleito. Entre eles estão a transferência da embaixada brasileira para Jerusalém, a nomeação de um novo embaixador em “Israel” e o restabelecimento de uma relação de alinhamento político com o governo de Netaniahu.

Em janeiro de 2026, Flávio Bolsonaro e seu irmão Eduardo Bolsonaro viajaram a “Israel” para participar da Conferência Internacional de Combate ao Antissemitismo. O evento foi realizado a convite de Amichai Chikli, ministro israelense responsável por assuntos da diáspora e pelo combate ao antissemitismo.

Durante a viagem, os dois se reuniram com Netaniahu. O encontro, realizado de forma reservada, durou mais de uma hora, segundo as informações divulgadas sobre a agenda. Na ocasião, a família Bolsonaro reforçou sua relação com o governo israelense e apresentou a perspectiva de uma mudança na política externa brasileira a partir de 2027.

Flávio Bolsonaro também reiterou a intenção de transferir a embaixada brasileira de Telavive para Jerusalém. A medida já havia sido prometida por Jair Bolsonaro durante a campanha presidencial de 2018, mas não foi concretizada durante seu governo. A possibilidade enfrentou resistência de setores empresariais preocupados com as relações comerciais do Brasil com países árabes.

Em junho, Flávio Bolsonaro voltou a tratar do assunto durante uma atividade voltada à comunidade judaica na Argentina. Em discurso, afirmou que, caso fosse eleito, o Brasil voltaria a ter um embaixador em “Israel” e transferiria sua embaixada para Jerusalém.

O presidente argentino, Javier Milei, também compareceu presencialmente à convenção do PL em São Paulo. No evento, declarou apoio a Flávio Bolsonaro e afirmou que o senador seria “o único capaz de vencer Lula” na disputa presidencial.

A atividade na Argentina contou ainda com a presença de Josh Reinstein, presidente da Israel Allies Foundation. A organização atua na formação de grupos parlamentares e redes políticas de apoio a “Israel” em diferentes países, aproximando parlamentares conservadores, lideranças evangélicas e integrantes de partidos de direita.

A relação de Flávio Bolsonaro com o governo israelense também passa, portanto, por organizações de lobby internacionais.

O vídeo de Netaniahu foi exibido em meio a uma crise entre o Brasil e “Israel”. O País está sem embaixador no território israelense desde maio de 2024, quando o governo brasileiro retirou seu representante.

A crise se agravou após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva comparar a ofensiva israelense na Faixa de Gaza ao extermínio de judeus promovido pelo regime nazista durante a Segunda Guerra Mundial. Em resposta, o governo de Netaniahu declarou Lula persona non grata em fevereiro de 2024.

Desde então, a família Bolsonaro tornou-se um dos principais pontos de apoio político ao governo israelense no Brasil. Jair Bolsonaro, Flávio Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro criticaram as posições adotadas pelo governo federal, participaram de atos em defesa de “Israel” e mantiveram contato com autoridades e organizações ligadas ao sionismo.

A candidatura de Flávio Bolsonaro apresenta essa mudança como parte de seu programa para a política externa. O senador afirma que pretende reverter o distanciamento diplomático, retomar a representação brasileira e estabelecer uma relação prioritária com o governo israelense.

O alinhamento tem precedentes no governo de Jair Bolsonaro. Entre 2019 e 2022, o Brasil alterou votos em organismos internacionais e aproximou-se das posições defendidas por “Israel” e pelos Estados Unidos.

Em março de 2019, Jair Bolsonaro visitou “Israel” em sua primeira viagem oficial ao Oriente Médio. Durante a visita, anunciou a abertura de um escritório comercial brasileiro em Jerusalém, apresentada como alternativa à transferência integral da embaixada. Também assinou acordos nas áreas de ciência, tecnologia, segurança e defesa.

A aproximação incluiu cooperação com empresas israelenses dos setores de armamentos, veículos aéreos não tripulados (VANTs), inteligência e segurança cibernética. “Israel” ocupa posição relevante nesses mercados e mantém relações comerciais com órgãos públicos e forças policiais brasileiras.

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