O Partido Liberal oficializou neste sábado (25) a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República. A convenção nacional da sigla foi realizada no Mercado Pago Hall, na Arena Pacaembu, em São Paulo, com a presença do presidente argentino Javier Milei.
Os portões foram abertos às 8h30, e o ato começou por volta do meio-dia, com discurso do presidente nacional do PL, Valdemar da Costa Neto. O espaço reuniu parlamentares, dirigentes e apoiadores do bolsonarismo.
A convenção também homologou candidaturas aos governos estaduais, ao Senado, à Câmara dos Deputados e às Assembleias Legislativas.
‘Aqui tem sangue de Bolsonaro’
Flávio Bolsonaro apresentou sua candidatura como uma continuidade direta da atuação política do pai. O senador chamou a si mesmo de “filho mais velho do capitão” e classificou Jair Bolsonaro como “o maior líder da direita que esse país já teve”.
Embora procure adotar uma postura menos espalhafatosa que a do ex-presidente, Flávio deixou claro que sua candidatura está inteiramente ligada ao bolsonarismo.
“Aqui tem sangue de Bolsonaro”, afirmou.
O senador também prometeu defender as famílias atingidas pelo que chamou de “abusos de parte do Judiciário brasileiro”. Não mencionou naquele momento o Supremo Tribunal Federal nem qualquer ministro pelo nome, mas a declaração fez referência às medidas tomadas contra Jair Bolsonaro e seus apoiadores.
Ao falar do governo federal, Flávio afirmou que o Brasil teria sido “sequestrado” por Lula e prometeu “libertar o país desse cativeiro”. Também declarou que permaneceria “de pé, firme e forte ao lado do povo brasileiro”.
Vídeo tenta romper cerco judicial
Impedido de comparecer e de fazer manifestações públicas, Jair Bolsonaro apareceu na convenção por meio de um vídeo produzido com inteligência artificial.
O material simulava a imagem e a voz do ex-presidente e pedia apoio à candidatura de Flávio. Logo no início, o vídeo informava que aquelas palavras não haviam sido gravadas por Bolsonaro.
A ressalva procurou evitar que a exibição fosse tratada como descumprimento das restrições impostas pela Justiça. Jair Bolsonaro cumpre prisão domiciliar após ser condenado por tentativa de golpe de Estado em julgamento-farsa e está proibido de utilizar as redes sociais ou transmitir mensagens públicas por intermédio de terceiros.
O uso da inteligência artificial mostrou o grau de interferência judicial sobre a campanha. Para apresentar uma manifestação de Bolsonaro em favor do próprio filho, o PL teve que recorrer a uma reprodução artificial de sua imagem e de sua voz.
Apesar da prisão e das proibições, Jair Bolsonaro continua sendo o principal dirigente eleitoral desse setor da direita. A candidatura de Flávio foi lançada justamente como instrumento para preservar sua influência na disputa presidencial.
Também foram exibidos vídeos de Eduardo Bolsonaro, Carlos Bolsonaro e Michelle Bolsonaro. A ex-primeira-dama não esteve presente, mas gravou uma mensagem de apoio. Fernanda Bolsonaro, esposa do candidato, discursou durante o evento.
Milei denuncia proibição de visita
Javier Milei discursou durante cerca de 30 minutos. O presidente argentino criticou o que chamou de “ameaças do socialismo” e declarou apoio à família Bolsonaro.
Milei havia pedido autorização para visitar Jair Bolsonaro, mas o ministro Alexandre de Moraes negou a solicitação. Durante a convenção, o presidente argentino denunciou a decisão e criticou diretamente o ministro do STF.
“Esse lixo careca não me permitiu visitar meu amigo injustamente preso”, afirmou.
A declaração colocou em evidência mais uma medida arbitrária de Moraes contra Bolsonaro. Além de limitar as manifestações públicas do ex-presidente, o ministro passou a controlar quem pode visitá-lo durante o cumprimento da prisão domiciliar.
O fato de Milei representar a direita e manter um governo de ataques aos trabalhadores argentinos não transforma Moraes em defensor da democracia. A perseguição judicial contra o bolsonarismo fortalece os poderes repressivos do Estado, que podem ser utilizados com ainda mais força contra as organizações operárias e populares. Sem contar no fato de que as arbitrariedades do Judiciário aumentam a popularidade dos bolsonaristas, que se apresentam como “antissistemas”.
A presença do presidente argentino também serviu para apresentar a candidatura de Flávio Bolsonaro como parte de uma articulação internacional da direita.
Chapa ainda está incompleta
O PL ainda não anunciou quem ocupará a vaga de vice-presidente. Daniella Albuquerque aparece entre os nomes cogitados para integrar a chapa.
O partido mantém conversas com o Republicanos e com a federação formada por União Brasil e Progressistas. A adesão do Republicanos aumentaria o tempo disponível para a candidatura na propaganda eleitoral.
As negociações envolvem ainda os palanques estaduais, a distribuição dos recursos de campanha e as candidaturas ao Congresso Nacional. Mesmo buscando alianças com outros partidos, o PL mantém a família Bolsonaro no comando da candidatura presidencial.
Flávio segue próximo de Lula
A oficialização da candidatura ocorre enquanto Flávio Bolsonaro permanece como o principal adversário eleitoral de Lula.
Uma pesquisa Datafolha divulgada na sexta-feira (24) mostrou o atual presidente com 48% e Flávio com 43% em uma eventual disputa de segundo turno. A diferença entre os dois foi de cinco pontos percentuais.
O resultado mostra que as medidas contra Jair Bolsonaro não eliminaram a força eleitoral do bolsonarismo. Mesmo sem poder participar diretamente da campanha, o ex-presidente continua transferindo apoio ao filho.





