O Partido Comunista Francês – PCF, condenou o ataque legítimo do povo palestino contra as forças colonialistas em 7 de outubro de 2023. Logo após o ocorrido, o partido se apressou a lançar uma nota que dizia:
“Ontem à noite, o Hamas lançou um ataque massivo envolvendo milhares de foguetes contra o Estado de Israel, acompanhado de incursões armadas. Condenamos veementemente esses ataques, que têm como alvo direto a população civil israelense. Eles são inaceitáveis e injustificáveis. Devem cessar o mais rápido possível. Existe um grande risco de que o conflito se alastre rapidamente por toda a região. Os civis serão, inevitavelmente, as primeiras vítimas.”
A primeira vítima, como sempre, foi a verdade. Quem lançou o ataque não foi o Hamas, mas a Resistência Palestina, e com o apoio da população de Gaza, que vive confinada na maior prisão a céu aberto do mundo, um verdadeiro campo de concentração e extermínio para onde começaram a ser despejados desde 1948, e com um forte impulso em 1967, após a Guerra de Seis Dias.
O ataque não foi contra civis, o que não significa que não tenha havido vítimas civis, o que é inevitável, apesar de a Resistência ter tomado precauções. E até nesse ponto é importante observar que a maioria das vítimas civis, conforme relatos de colonos “israelenses”, foi promovida pelo próprio governo que autorizou o uso de artilharia e do protocolo Aníbal, restrito a militares, contra a população.
Além dos depoimentos de soldados, imagens comprovaram que muitas das mortes foram causadas pelos disparos de foguetes a partir de helicópteros.
É falso que as ações dos palestinos tenham sido inaceitáveis e injustificáveis, foi exatamente o oposto, pois não se vence um exército de ocupação com flores.
O texto do PCF é tão criminoso que justifica de antemão o massacre que se seguiria contra o povo de Gaza, ao dizer que “os civis serão, inevitavelmente, as primeiras vítimas”. Inevitáveis por quê? – grifo nosso.
O PCF deveria acusar o Estado genocida de “Israel” de atacar preferencialmente os civis. Com uma atenção cruel contra mulheres e crianças. Sem falar dos ataques a hospitais, escolas e assassinato de pessoal de atendimento médico e defesa civil. Em vez de condenar o agressor, prefere condenar o Hamas.
Violações repetidas
No parágrafo seguinte de seu texto vergonhoso, o PCF escreve: “Pedimos também o fim da indignação seletiva. Esses ataques ocorrem em um contexto de repetidas incursões terroristas realizadas ao longo de vários meses pelo exército israelense e por colonos nos territórios ocupados — incursões que resultaram na morte de mais de 200 palestinos desde o início do ano.”
Se as incursões “israelenses”, só naquele ano, já tinham matado mais de 200 palestinos, por que esse povo não tinha o direito de se rebelar? De que adianta falar em “incursões terroristas” quando se nega às vítimas o direito de reagir? O que o PCF tem a dizer sobre a Resistência Francesa que lutou durante a II Guerra, eram terroristas, suas ações eram inaceitáveis e injustificáveis?
O que o PCF esconde é que essas incursões já duram décadas. O próprio Hamas lançou um comunicado dizendo: “Diante da contínua agressão israelense à Faixa de Gaza e à
Cisjordânia, e enquanto nosso povo continua sua batalha pela independência, dignidade e libertação da ocupação mais longa já registrada, durante a qual ele tem demonstrado os mais finos exemplos de bravura e heroísmo, ao confrontar a máquina de assassinatos israelense e a agressão, gostaríamos de esclarecer ao nosso povo e aos povos livres do mundo a realidade do que aconteceu em 7 de outubro, as motivações por trás, seu contexto geral relacionado à causa palestina”.
“A batalha do povo palestino contra a ocupação e o colonialismo não começou em 7 de outubro, mas sim há 105 anos, incluindo 30 anos de colonialismo britânico e 75 anos de ocupação sionista. Em 1918, o povo palestino possuía 98,5% das terras da Palestina e representava 92% da população na terra da Palestina (…) as gangues sionistas tomaram o controle à força de 77% da terra da Palestina, de onde expulsaram 57% do povo da Palestina e destruíram mais de 500 vilarejos e cidades palestinas, cometendo dezenas de massacres contra os palestinos, culminando na criação da Entidade Sionista em 1948”.
O cúmulo da contradição se dá quando o PCF admite que “o governo de extrema direita de Benjamin Netanyahu e suas políticas violentas desempenharam, assim, um papel importante ao alimentar essa espiral de deterioração, ao desrespeitar o direito internacional e orquestrar a anexação da Cisjordânia ocupada. Essa situação é também consequência da inação internacional — inclusive por parte da França —, que deu carta branca ao governo e não garantiu o cumprimento das resoluções da ONU.”
Qual é a proposta do PCF, que os palestinos esperem até serem atirados ao mar? Lembrando que o roubo de terras só vem expandindo com novos e novos assentamentos sendo autorizados. Essa política, aliás, não é exclusividade de Netaniahu, mas uma política geral de Estado.
Conivência
O Partido Comunista Francês demonstra sua conivência com a política genocida ao apelar “a uma ação firme da França e da Europa para assegurar uma solução política e a paz, mediante o cumprimento das resoluções da ONU”. Em qual qual planeta essa gente vive para acreditar que o organismo que criou “Israel” e aqueles que financiam os governos sionistas enviando armas e até soldados vão assegurar uma solução política e a paz?
É preciso ter estômago para ler coisas do tipo “cabe às Nações Unidas decidir sobre o envio imediato de uma força para proteger a população civil no local.”
O PCF faz a proposta criminosa de que se mandem tropas para reprimir os palestinos junto do exército sionista. Ou alguém vai acreditar que as “forças de paz” vão lutar a favor de quem está sendo esmagado pelo imperialismo?



